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Bruno Silva volta a conquistar a Petrus Run

Chegamos ao mês de Março! Por norma, este é um dos meses do calendário de atletismo nacional mais preenchidos com diversas provas a acontecerem de norte a sul do país em todos os fins-de-semana do mês.

Este fim-de-semana, na zona centro do país aconteceram duas provas clássicas com as 3 léguas do Nabão em Tomar e as corridas das Lezírias em Vila Franca de Xira, enquanto a norte foi palco da Petrus Run, prova onde o Opraticante.pt esteve representado e cuja reportagem da prova apresentamos de seguida.

A Petrus Run 2018 aconteceu este Domingo (4) de Março pelas 10:30 horas em Pedroso, Vila Nova de Gaia e foi um evento levado a cabo pela Junta de Freguesia Pedroso e Seixezelo e teve o apoio organizativo do Clube Spiridon de Gaia e do Clube os Gaienses / Toyota.

A completar o evento estava uma corrida cronometrada de dez quilómetros e a tradicional caminhada com cinco quilómetros de extensão.

Foto – Pedro José Silva

Percurso exigente e a fazer jus ao slogan da prova

No cartaz promocional da prova e em alguns outdoors colocados nas estradas perto de Pedroso podia-se ler em letras garrafais “Testa os teus limites”. Para muitos podia ser somente propaganda, para quem participou na prova certamente não tem como desmentir tal slogan.

A Petrus Run teve partida na Alameda de entrada do Estádio Municipal de Pedroso e teve um início tranquilo em terreno plano com os atletas a irem numa estrada paralela ao estádio. Saindo dessa via e entrando nas ruas mais internas da freguesia é que começaram as dificuldades.

Desde o primeiro quilometro até a meio do terceiro quilómetro o percurso era num “serpenteado” quase sempre em subida e que teve passagens na rua da Paradela, rua das Cavadinhas e rua de Fofim D`Aquém.

Se esta fase do percurso era feita com relativa tranquilidade, tal mudaria com o primeiro ponto crítico da prova que acontecia de seguida com a subida da rua da Cruz de Carrais onde a subida atingia níveis de 10% de inclinação e que até punha em dificuldade alguns ciclistas que percorriam a estrada de bicicleta.

Foto – Pedro José Silva

Depois da subida, era também justo dar um descanso aos atletas e como tal, a passagem pela rua do Padrão e rua da Igreja era em descendente rumo ao mosteiro de Pedroso. De seguida, os atletas entravam em mais dificuldades com uma nova rampa com mais de 8% de inclinação na Av. Padre Marçal da Silva Pereira e depois do retorno um percurso de sobe e desce junto a junta de freguesia.

Chegada dentro do estádio municipal

O segmento final da prova, faz os atletas regressarem novamente para a rua da Paradela e descerem para o Estádio Municipal e os últimos trezentos metros de prova são feitos no tartan da pista do estádio o que dá sempre alento para os atletas mais rápidos puderem sprintar.

Como se pode ver pela descrição do percurso, a Petrus Run tem um percurso bastante exigente para uma prova de estrada e que põe em sentido muitos atletas que nela vão participar. O percurso é bem adequado ao slogan da prova e quem nela participa testa mesmo os seus limites.

Foto: Cristina Moreira

Bruno Silva volta a conquistar a vitória

O grande vencedor da Petrus Run 2018 foi Bruno Silva do Águias de Alvelos.

A vitória nesta prova não é novidade para Bruno Silva. Vencedor na edição de 2016, segundo classificado na edição do ano passado atrás de Rui Teixeira do Sporting CP, o atleta do clube de Barcelos venceu novamente esta prova de forma isolada com um tempo final de 31:14min. Na segunda posição ficou Carlos Costa do CDS Salvador do Campo com 31:54min e a fechar o pódio, Óscar Mendes do Águias de Alvelos com 32:28min.

Foto: Cristina Moreira

Sporting Clube de Portugal domina competição feminina

No sector feminino da Petrus Run, a vitória foi para Susana Godinho do Sporting CP com um tempo final de 35:43min. Na segunda posição ficou a sua companheira de equipa Solange Jesus com 36:07min. As atletas do Sporting CP dominaram a prova e conquistaram as duas primeiras posições do pódio deixando a terceira classificada Justyna Wojcik do ACD São João da Serra a quase dois minutos, tendo esta terminado a prova com 37:37min.

Foto: Cristina Moreira

A prova teve vencedores por escalões e estes foram os seguintes:

No sector masculino, triunfaram, Bruno Silva do Águias de Alvelos (Seniores), Vítor Santos do Fiães SC (M40), Sérgio Sousa do ACD São João da Serra (M45), Manuel Ferreira do Yakazi Runners (M50), Belmiro Rodrigues (M55) e Manuel Dourado do C.P.T.B. de Carcavelos (M60).

No sector feminino venceram Susana Godinho do Sporting CP (Seniores), Helena Sampaio do Afis/Ovar (F40) e Matilde Baptista do Juventude Atlética Mozelense (F50).

A equipa do OPraticante.pt esteve representada por Nuno Fernandes que terminou a prova em 380º da geral com um tempo final de 53:55min.

Foto – Pedro José Silva

Prova com excelente organização e sem atrasos nem filas

A Petrus Run teve como ponto de partida o estádio municipal de Pedroso e era aí que estavam instaladas todas as valências para os atletas.

A entrega dos dorsais no dia era feita nas bilheteiras à entrada complexo desportivo e esta decorreu sem demoras. Dava para perceber que tinham tudo bem organizado e com staff em número para as entregas não serem demoradas.

No que toca a este ponto só tenho a referir algo pela negativa e é o facto de no regulamento estar anunciada a entrega de dorsais no dia da prova na junta de freguesia local e quando se foi lá, o edifício estava fechado pois a entrega estava a ser feita no estádio.

Um aviso nas redes sociais não ficaria mal pois não fui somente eu a ir ter à junta de freguesia ao engano, foram inúmeras pessoas.

Foto – Pedro José Silva

Todas as valências para se constituir uma boa prova

No local havia todas as valências para se constituir uma boa prova. Casas de banho móveis junto à linha de partida, casas de banho no estádio.

Serviço de bar no estádio para quem desejasse tomar um café antes da prova e questionado um elemento da organização se teriam um guarda-roupa para se guardar as mochilas, prontamente afirmou que sim e era só ir falar com ele antes da prova.

Junto ao local, havia ainda um palco para o aquecimento que foi usado por um ginásio que presumo tinha parceria com a prova e que ajudou muita gente a aquecer perante algum frio que se sentia no local.

No final da prova também não se registou qualquer demora para a entrega do chip, receber a medalha e o abastecimento final e sair do local. Quando uma prova tem todas as valências assim definidas e decorre sem atrasos nem filas, certamente que é meio caminho andado para tudo ser um sucesso.

 

Bom kit de atleta

No levantamento do dorsal da prova era entregue aos atletas um saco de alças de boa qualidade com o dorsal, chip, uma t-shirt técnica alusiva à prova de cor preta (sempre melhor que cores berrantes), uma caneca alusiva à prova e alguns folhetos publicitários de alguns patrocinadores do evento.

No final da prova, os atletas recebiam para além da medalha finisher que tinha bom tamanho, um saco com uma garrafa de água, uma banana e uma barra de cereais.

Para um preço de inscrição a rondar os dez euros, considero que o que oferecem aos atletas está de muito bom nível e acima do que muitas provas oferecem aos atletas pelo mesmo valor pago.

São Pedro deu tréguas na hora da prova

Depois da semana que se viveu com a chuva a quase não dar descanso, a expectativa geral era que a prova certamente iria decorrer em condições menos próprias para a corrida. Tal não aconteceu, o dia até amanheceu soalheiro mas com o decorrer da manhã, as nuvens foram carregando o céu mas a chuva essa não apareceu e permitiu que a prova decorresse sem esse handicap o que certamente agradou aos atletas presentes.

Organização não descurou o percurso

Como mencionei em cima, a organização esteve de bom nível no local de partida e chegada da prova mas foi bom ver que essa organização se estendeu em todo o percurso da prova. Todo o percurso estava isolado e com as ruas a serem fechadas nos cruzamentos quer por vaias, quer por agentes da polícia ou até voluntários.

Todos os quilómetros de prova estavam anunciados por placas informativas.

A prova teve um ponto de abastecimento ao quinto quilómetro e dadas as condições climatéricas, somente esse ponto chegou. A temperatura da água estava satisfatória. De registar que não havia recipientes para se colocar as garrafas vazias.

O único ponto negativo a apontar em relação ao percurso é a entrada para o estádio municipal em que a descida estava toda enlameada e poderia mandar ao chão e magoar algum atleta mais distraído.

Foto: Cristina Moreira

Uma prova que merecia mais público

A Petrus Run é uma prova que aconteceu por entre as ruas da freguesia de Pedroso e em algumas das ruas foi bom ver algumas pessoas a aplaudirem os atletas nas suas janelas e portadas. Tirando esse apoio e de algumas pessoas em alguns cruzamentos por onde passava a prova, o apoio popular foi pouco.

Uma palavra de apreço para alguns voluntários da prova que à passagem dos atletas eram incansáveis em os incentivar. Mas que seria bonito ver nas principais rampas da prova, público a incentivar a passagem dos atletas lá isso seria. Ou então eu ando a ver muito ciclismo e a confundir as coisas!

Bruno Silva
Foto: Cristina Moreira

Descriminação de escalões em termos masculinos e prémios

Volto a citar: “Algo que ainda acontece em algumas provas de atletismo é a discriminação de género na definição de escalões. Nesta prova verificou-se isso com os atletas veteranos masculinos a terem seis escalões e as atletas femininas somente três. Como é costume dizer, os tempos são outros.

Petrus Run, uma prova desafiante que tem tudo para continuar a ser um sucesso

A Petrus Run é uma prova que cumpre os pressupostos que anuncia. Um percurso rural e onde se testa os limites dos atletas!

Num percurso pelas ruas da freguesia de Pedroso, os atletas são levados a um bom e desafiante sobe e desce em que os seus limites são testados. Esqueçam o objectivo de fazerem grandes marcas e entrem nesta prova para se degustar de um bom percurso que é um bom exemplo do que é uma aldeia portuguesa!

Participando pela primeira vez nesta prova, fiquei extremamente satisfeito com o nível de organização e com o percurso apresentado. Como tal é uma prova que recomendo a quem quer ter um bom desafio de corrida no próximo ano.

Foto – Pedro José Silva

Muita gente ficou com medo da chuva

Fiquei admirado por a prova ter somente 584 finishers, sendo que havia consultado o número de dorsais um dia antes da prova e estavam atribuídos quase 720 dorsais. Certamente, muita gente ficou com medo que a chuva marcasse presença na prova. Dado o número de finishers deste ano e comparado com o ano anterior, houve uma quebra de pouco mais de uma dezena.

A prova tem vindo a aumentar a sua participação de ano para ano e a conquistar o seu espaço no calendário nortenho de atletismo. A manter este nível de organização certamente o aumento de participação irá continuar a crescer ao longo dos anos.

Podem ser visualizada mais fotos em álbuns de Cristina Moreira, da página do evento e em Pedro José Silva.

Texto: Nuno Fernandes
Fotos: Cristina Moreira / Pedro José Silva

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