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Caminho da Luz(ir), a maior parte do sucesso está dentro de nós

Carregue sobre a imagem acima e visualize o vídeo de Susana Luz(ir)

Susana Caetano, mais conhecida por Susana Luz(ir), é Técnica Superior de Desporto na Câmara Municipal de Baião, onde desempenha funções de coordenação do Departamento do Desporto e Associativismo. Apesar do trabalho que desempenha, Susana é também movida por outra paixão, a fotografia.

Susana Luzir

O caminho da Luz(ir)

Eu via os jornais desportivos e ficava encantada com algumas fotografias e então decidi inscrever-me num curso de iniciação. Quando dei conta, já estava no mundo da fotografia e este já fazia parte de mim” afirmou Susana Luz(ir), ao OPraticante.

A fotografia nunca fez parte dos seus planos nem nas suas prioridades. E a verdade é que tudo começou apenas como um hobbie que “foi ficando mais forte à medida que ia conseguindo resultados que me agradavam”.

Susana Luz(ir) descreve a sua evolução como “uma consequência de muitas horas de testes, prática e visualização de tutoriais.
Diria que foi um trabalho de pesquisa/estudo exaustivo e intenso.
É por isto que tenho orgulho em assumir que sou autodidata.

Apesar de adorar fotografar, confessa que tem pouquíssimo tempo no seu dia-a-dia para se dedicar à fotografia, dedicando-se apenas 1 ou 2 dias por mês.

No entanto, o destino foi traiçoeiro. Uma difícil luta contra o cancro fez com que cancelasse todos os eventos de fotografia que tinha, O Praticante entrevistou a Susana Caetano para que esta nos desse a conhecer a sua história.

O Praticante – Como escolhe a fotografia perfeita?

Susana – Sinto que podemos fazer sempre melhor, que podemos melhorar sempre em algum aspeto por mais pequeno e “invisível” que seja, daí não ter fotografias perfeitas, mas elejo as minhas preferidas pelo que me fazem sentir quando olho para elas e por, entre as milhares, haver algumas que estão sempre presentes no meu pensamento.

O Praticante – Qual a sua ligação ao desporto?

Susana – Desde miúda que sempre sonhei em ser Professora de Educação Física e Desporto e acabei por concretizar esse sonho finalizando o curso superior. Além disto, sempre pratiquei desporto e era uma pessoa muito ativa.

O Praticante – Porque escolheu o desporto como um dos principais focos das suas fotografias?

Susana – Por ser uma paixão, pela facilidade de interpretação dos movimentos caraterísticos de cada modalidade pelo facto de os ter estudado, pela energia, vida e esperança que os atletas me transmitem e me permitem captar. O movimento é para mim sinónimo de vida.

O Praticante – Quais as outras áreas que fotografa? (isto se fotografar outras áreas, claro)

Susana – Faço fotografia de paisagem, timelapse e imagens aéreas. Estou também na área da fotografia de espetáculos, seja de música, teatro, etc.

O Praticante – Qual o desporto que lhe dá mais gosto fotografar?

Susana – Se tiver que eleger o meu TOP4; dança, motocross, trail e btt.

O Praticante – Pratica desporto? E se sim, qual desporto?

Susana – Neste momento não pratico desporto de forma regular, mas tenho como objetivo regressar a uma rotina aproximada da que tinha antes de ficar doente e que me valeu muito pelo facto de me ter ajudado a suportar física e psicologicamente toda a fase.
Atualmente aproveito para fazer caminhadas quando vou fotografar provas de trail, btt ou simplesmente passear pela natureza.

O Praticante – Sabemos que passou por uma fase difícil. O que a fez “lutar” para superar esse momento menos bom da sua vida?

Susana – No preciso segundo em que me deram a notícia de que eu tinha cancro, senti um arrependimento enorme por ter deixado tantas coisas por dizer, fazer e o quanto eu amava esta vida repleta de campos verdes, animais, o céu azul com nuvens brancas.

Via o meu futuro comprometido, por não saber se seria mais uma pessoa para a estatística de sobrevivência ou morte, mas eu não queria “partir” para longe das pessoas que amo e por isso, independentemente do que estaria para vir e de toda a dor pela qual teria de passar (ou não), eu tinha de percorrer esse caminho e fazer a minha parte para que os médicos pudessem também fazer a parte deles.

Foi uma grande batalha, hoje chamada de “o caminho da Luz(ir)”, que deu origem a vídeos e 2 livros, onde nunca estive só e onde a sorte esteve sempre do meu lado.

A maior parte do sucesso da cura está dentro de nós, por isso, por muito que possa doer e custar, vá em frente.

O Praticante – Deixou de parte alguma vez o mundo da fotografia por causa do cancro?

Susana – Sim e não. Durante o ano de 2016 e parte do ano de 2017 cancelei todos os eventos de fotografia que tinha. Por outro lado e para me ajudar a distrair e esquecer a dor, pedia que me levassem à Serra do Marão (a Serra que me curou) para eu poder tirar fotografias. Como eu não podia apanhar sol, comprei um drone e então ficava dentro do carro a olhar para o monitor a contemplar a paisagem e a partir comecei a fazer fotografia aérea e vídeo.

O Praticante – Já venceu essa batalha?

Susana – Felizmente já não tenho cancro, mas o desaparecimento de um tumor não é a única batalha neste processo. Existem as batalhas pós cancro, causadas por todo o processo de cura: psicológicas e físicas, que embora não sendo tão dolorosas, têm um impacto negativo grande em mim e na maioria dos doentes oncológicos.

O Praticante – Que conselhos dá a outras pessoas que vivam uma situação idêntica à sua?

Susana – Que os médicos e a medicina não fazem o trabalho todo. A maior parte do sucesso da cura está dentro de nós, por isso, por muito que possa doer e custar, vá em frente. Lembrem-se que existem muitas pessoas que sobrevivem. Cancro não é só morte!

Susana Luzir

Texto: Daniela Rebouta
Fotos: Susana “Luzir” Caetano

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