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Duro? Sem duvida que sim, Brutassauros

Ocorreu no passado sábado, dia 27 de outubro o grande evento DuraTrail, que teve mais de 1000 inscritos nas 3 provas que o compôs (Trail Longo de 32 km, Trail Curto de 18 km e Mini Trail de 12 km). Este evento foi realizado em Setúbal na emblemática serra da Arrábida. Como o nome do evento sugere, é um evento para “Duros”, para “ Brutassauros ”.

Em termos de dificuldade podemos considerar uma dificuldade média, tendo em conta a altimetria e percurso, pois é um trail muito completo no que diz respeito à variedade de trilhos.

DURATRAIL

O evento contou com três provas de trail: 12km, 18km e 32km e uma caminhada. O DURATRAIL 32km fez parte do Circuito Nacional de Trail (Série 150) e da Taça de Portugal de Trail da Associação de Trail Running Portugal (ATRP).

O DURATRAIL foi um evento de corrida e caminhada na natureza organizado pelo Outdoor Clube de Setúbal (OCS) que contou com o apoio da Câmara Municipal de Setúbal (CMS).

Relativamente a edições anteriores, o Ginásio ProAventuras passou de entidade organizadora a parceiro e patrocinador do OCS e do próprio DURATRAIL, tendo como objetivo principal valorizar o Parque Natural da Arrábida, contribuir para a promoção da atividade física em Setúbal e para a afirmação da cidade e da região enquanto destino turístico e desportivo nacional e internacional.

No final deste evento conseguiram finalizar mais de 800 participantes de 12 países diferentes, tendo sido 381 participantes no Trail Longo 32km, 316 no Trail Curto 18km e 145 no Mini Trail 12 km.

A Prova

No dia do evento, os participantes juntaram-se no Parque Urbano de Albarquel, em Setúbal onde se concentravam o secretariado, banhos, local da partida e chegada.

Este grande evento foi separado por duas partidas de forma a agilizar as provas e diminuir a afluência dos participantes na zona da partida e nos single tracks. A primeira partida foi dada pelas 9:00 para todos os participantes do Trail Longo, sendo que o Trail curto, Mini Trail e caminhada teve partida mais tarde, às 9:30.

A organização começou bem cedo a cativar e a mostrar porque é que esta prova tem a aderência que tem, criando uma empatia e uma boa disposição com todos os participantes que ali estavam.

Todos os percursos começaram com uma saída controlada cerca de 1,3 km visto que se iniciava na zona urbana de Setúbal. Desta forma, foram orientados por membros da organização e pelas autoridades garantido a ordem e um bom ritmo inicial. Para muitos, este primeiro quilómetro foi um bom aquecimento.

Após este pequeno troço controlado, seguiu-se o início da prova propriamente dito, numa generosa subida com cerca de um quilómetro. Esta subida foi suficiente para conseguir afastar os atletas entre si, de forma a não criar um congestionamento na entrada para o single track que iria aparecer mais à frente, dando-se posteriormente a separação dos percursos.

A minha experiência

A prova dos 18 km começou bem animada mesmo antes da partida, com direito a um pequeno aquecimento após a explicação das marcações do percurso e de como iriam ser os principais pontos/ contratempos do percurso.

Dado o sinal de partida pelas 9:30, seguimos ordeiramente pela zona urbana, cerca de 1,3 km, com uma saída controlada num ritmo por volta 6 minutos por quilómetro. Desta forma foi possível manter os participantes todos juntos, tendo em conta que era um ritmo aceitável para todos os atletas em prova. No meu caso em concreto, serviu para ser um excelente aquecimento inicial.

Após este pequeno aquecimento, veio a primeira prova de fogo, “Uma subida”. Foi nessa subida que aconteceu a verdadeira partida, no qual a maioria dos atletas aumentou a velocidade, estabelecendo um novo ritmo na competição. Este ritmo tornou-se mais complicado para os outros atletas acompanhar começando a criar um maior espaçamento entre os atletas da frente. Não era só uma questão de ritmo, existia a agravante de ser uma subida com alguma inclinação.

Nesta fase era muito importante não esquecer que não se podiam esticar mais do que estavam habituados, pois quem se esticou acabou por pagar mais frente, e acabou por finalizar a subida a andar. Esta foi uma subida complicada, pois tinha uma inclinação muito generosa e com uma extensão grande.

Eu fui daqueles que tentou dar um pouco mais, e este pouco mais custou-me bastante, pois fiquei exausto e ainda estava no início de prova de 18km. Mas valeu a pena esse esforço, tendo em conta que se ficasse mais atrás teria de ficar à espera na entrada para o single track. De forma a não pensar na subida e do quanto estava a custar manter aquele ritmo tive de mudar para o mind set da prova, e aí nunca a expressão “Esta prova é para Duros” fez tanto sentido na minha cabeça.

Uma subida seguida de single track

Finalmente cheguei ao single track. Os batimentos cardíacos já estavam ao rubro, só pensava que agora não podia parar e por isso tinha que continuar, pé ante pé, lá consegui meter as pernas a estabelecer um ritmo aceitável para recuperar um pouco o folgo e não criar entraves para quem vinha atrás.

Saindo do single track já não pensava em controlar a respiração ou mesmo naquela subida horrível que tinha feito anteriormente, mas sim em aproveitar aquele ar puro que existia naquela zona da Arrábida. O percurso estava muito bem marcado, por isso era fácil colocar as pernas em piloto automático sem pensar muito, e ir apreciando as vistas. Pois participar sem aproveitar o esplendor que a Arrábida é, não fazia sentido.

Foto: Elvino Gonçalves

“ Brutassauros ”

Já estava meio perdido na distância percorrida, pois estava a aproveitar para desfrutar dos trilhos escolhidos pela organização, quando aparece uma placa a dizer “ Brutassauros ”. Nesse momento, apenas pensei “MAUUUU, dar nomes a trilhos não é nada bom sinal”. Mas, mantive o pensamento positivo, pois este nome não tinha as palavras mágicas que gostam de dar quando o percurso é muito agressivo, como “cai” ou “parte” qualquer coisa, por isso, poderia ser que não fosse muito mau. Mas foi, não era difícil tecnicamente, mas era interminável e com uma boa inclinação.

Foto: Elvino Gonçalves

O “ Brutassauros ” fez homenagem ao nome do evento, e já que é para ser duro tínhamos de o fazer. Mas para mim o pior não foi subir, mas sim, nunca saber quando é que seria a última curva, pois todas pareciam ser a última e nunca eram. Mas no final do “ Brutassauros ” somos deslumbrados com uma vista indescritível que compensa o sacrifício.

Após o “ Brutassauros ” o ritmo cardíaco estava ao rubro novamente, e mais uma vez, pé ante pé, com as pernas a comandar, o ritmo voltou a ser estabelecido. Mais subidas, mais descidas e o verde envolvente era constante.

Praia de Albarquel

A prova estava a ser fantástica, até que quase no final mais um tipo de piso “areia solta”, tinha chegado à praia de Albarquel, era de esperar que houvesse um troço de praia tendo em conta a localização da prova, mas as pernas já estavam a começar a sentir os quilómetros.

No entanto mantive o pensamento positivo, e segui em frente pois já faltava menos de 5km para o final, era só mais um esforço. Passei o areal e subi o estradão sempre a pensar na descida que vinha aí até à meta. Mas não podia ser tudo fácil, afinal tinham dito que era uma prova para duros, por isso descer até à meta não podia ser assim tão linear quanto isso.

E aí aparecem as escadas, não eram muitas, mas eram escadas. A sorte é que a descer não custa tanto, por isso degrau a degrau, fui aumentando o ritmo, a meta ia aparecendo lá ao fundo, e assim que entrei na reta final ganhei um animo adicional, corri mais um pouco, nessa altura parecia que estava nos primeiros quilómetros. Aumentei o ritmo e consegui passar a meta dentro do tempo que tinha pensado, por isso considerei o objetivo cumprido e senti uma grande satisfação por estar a correr em casa.

No final da prova houve tempo para os banhos e para um bom momento de convívio com os outros atletas, aproveitando a refeição que foi muito reconfortante enquanto era anunciado o pódio.

Foto: Bernardete Morita Photography

Em termos gerais a organização está de parabéns pelo excelente trabalho realizado, bem como a simpatia e amabilidade que teve em receber todos os atletas. A salientar as excelentes marcações e os trilhos escolhidos, e não esquecer o “ Brutassauros ”imagem de marca do evento.

Trail Longo 32km

Luís Semedo – AC Portalegre / UTSM – com 02h32m54s foi o vencedor, seguido no pódio de Pedro Ribeiro – Caracol Trail Team – 02:32:55 e Diogo Baena – U.F. Comércio e Indústria Atletismo – 02:33:01

A vencedora feminina Susana Rodriguez Echeverría do Coimbra Trail Running percorreu a distância em 03:11:51, Vanda Jerónimo – TopGym – 03:17:36 obteve o segundo lugar e o terceiro lugar foi obtido por Tuxa Negri – Gin. Qtª do Valbom – AAAlcochete – 03:23:01

Colectiva

U.F. Comércio e Indústria Atletismo foram os vencedores coletivos, com a equipa da AMCF – Arrábida Trail Team e do Clube de Praças da Armada a obterem respectivamente o 2º e 3º lugar.

Foto: Elvino Gonçalves

Trail Curto 18km

Em femininos venceu Estela São Martinho – individual – 01:48:36, com Aline Correia – individual – 01:54:36 e Eugénia Martins – individual – 01:54:53 a completarem o pódio.

Fábio Fontoura – individual – 01:23:31 a ser o primeiro, em segundo Davide Marques – Nutrimania Sports Nutrition – 01:27:02 e em terceiro Jorge Santos – Clube Desportivo e Cultural da Nave – 01:27:40

Colectiva

Venceu o Clube Desportivo e Cultural da Nave, seguido da equipa das Lebres de Domingo e e da AMCF – Arrábida Trail Team

Vencedores dos 18 kms

Mini Trail 12km

Marcos Ourives – individual – 01:14:59 venceu, seguindo-se no pódio Florival da Silva Lucas – Os Coxos e o Miguel – 01:21:42 e Francisco Calvo – U.F. Comércio e Indústria Atletismo – 01:21:53

Tânia Freitas – FitRunners – 01:26:08 foi a vencedora feminina, Arlete Rego – individual – 01:27:29 e Maria Tatiana Antunes – individual – 01:28:07, obtiveram respectivamente o segundo e terceiro lugar.

Colectivas

Fit Runners foram os primeiros, relegando para o segundo e terceiro lugar as equipas do Clube Novo Banco e Talentos Team

António Soares – OPraticante.pt

Prestação de OPraticante.pt

A equipa OPraticante.pt foi representada pelo Bruno Bernardo no Trail Curto (18 km) que conseguiu o 86º lugar da geral e o 34 º lugar do seu escalão com o tempo de 02:02:04 e pelo António Soares no Trail Longo (32 Km) que obteve o 86º lugar da geral e o 7º lugar do seu escalão com o tempo de 03:26.36.

Foto: Bernardete Morita Photography

Classificações totais.

Texto: Bruno Bernardo
Fotos: Alexandre Cantiga / Bernardete Morita Photography / Elvino Gonçalves

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