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Coluna Dto
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Esquece o que conheces, isto é outra vida, outro evento

Esquece o que conheces, isto é outra vida, um evento diferente, 4 dias, bicicletas, amigos e companheiros das lides, 3 serras com paisagens deslumbrantes e com excelentes condições para o BTT, uma organização de excelência…que mais podemos pedir?!?!??

Amarante

Amarante, cidade situada a Norte de Portugal no distrito do Porto e parte integrante da região do Douro, Douro este que serviu de palco para a realização do Douro Bike Race que desde 2009 tem feito o seu percurso ascendente, sendo neste momento, e tal como pela organização descrito como “uma das provas por etapas mais exigentes da Europa”, contribuindo para isso a orografia e relevo natural virgem das três serras percorridas pelos atletas de 6 a 9 de Setembro, a saber, Serra do Alvão, Serra do Marão e Serra da Aboboreira.

Durante a semana em que decorreu o DBR, na cidade de Amarante foi de imediato possível observar e constatar que algo diferente ali iria ocorrer, pelo facto de alguns dos participantes aproveitarem e acorrerem mais cedo à cidade para umas mini ferias na zona e aproveitarem para um reconhecimento do local, e até dos percursos delineados pela organização do Douro Bike Race a cabo da Nexplore.

Douro Bike Race – DBR

Na 5ªf, bem cedo se notou um aumento do número de pessoas no local em virtude de se iniciar neste mesmo dia a edição 2018 do Douro Bike Race.

Nesta edição, foi alterado o local do Prólogo inicial do DBR do centro da cidade, como nos anos transatos, para a freguesia de Lufrei, mais precisamente Moure, local onde se afirma ter sido dado inicio ao BTT em Amarante, e assim prestada uma homenagem a esses mesmos que têm lutado pelo crescimento da modalidade na região.

Prólogo

Cerca das 16h foi dado início ao Prólogo dos atletas que participaram no desafio EPIC do DBR, fosse em duplas ou individual.

Para este Prólogo estavam previstos 14 km de percurso com cerca de 550d+ sendo que apenas 11 km eram cronometrados. As partidas foram dadas do Campo de Futebol de Moure com atletas a partir espaçados de 30 em 30 segundos.

Este Prólogo, tal como as restantes etapas do Douro Bike Race, foram guiados por GPS tendo a organização optado em certos locais pela marcação igualmente com fitas ou cal.

Foram 11 km de um percurso duro fisicamente e com necessidade de destreza técnica apurada, o que servia de mote para o que seria este DBR.

Finalizado o Prólogo por todos os atletas, foi movimentada toda a logística de Moure para o centro da cidade de Amarante, mais precisamente para as Piscinas Municipais.

Nessa mesma noite foram entregues os prémios deste primeiro dia, assim como feito um briefing do que seria a 1ª Etapa deste DBR edição 2018.

1ª Etapa do Douro Bike Race

A manhã de 6ªf começou cedo com o normal corrupio de bicicletas no centro de Amarante para se dar início à 1ª Etapa do Douro Bike Race.

Ainda se sentia nas pernas a dureza do Prólogo do dia anterior, mas aquando da inscrição para o DBR os atletas sabiam que não seria uma prova de 1 dia, mas sim de 4 longuíssimos dias e em que a recuperação de etapa para etapa era fundamental, sem esquecer o trabalho de casa feito nos dias, semanas, meses anteriores à prova.

Apontada que estava a partida para as 8h, foi de novo feito um briefing pelo diretor de prova Fernando César junto à partida, tendo sido indicado aos atletas que a etapa de 94km deste dia teria cronometragem entre os km 12 e 60, sendo contudo obrigatória a conclusão do percurso total pelos atletas.

Partida dada com a normal volta pelo centro da cidade em direção à partida real e cronometrada a 12km de Amarante.

Aqui foi possível verificar diferentes estratégias. Ora uns decidiram impor ritmo forte de início, outros menos forte, sendo que a poucos metros do km 12 até paragens alguns fizeram para abastecer, necessidades fisiológicas e afins, até que deram início à prova após passagem do tapete de cronometragem.

Trilhos e caminhos da serra do Alvão

Os atletas nesta 1ª Etapa percorreram os trilhos e caminhos da serra do Alvão, percorrendo aldeias de beleza única, e onde o espetáculo da prova foi feito pelas suas gentes, seus costumes, sua simplicidade, seu amor pelos seus e sua terra, ascendendo aos 900 metros de altitude sendo que para isso tiveram nos 94km um acumulado de 2900d+ tendo sido maioritariamente efetuado nos 48km cronometrados.

Foram percorridos essencialmente trilhos e caminhos de pedra, denominados pela organização de Rock Garden, que aliás, caracterizou esta etapa como a etapa da Pedra, que carinhosamente chegou a ser intitulada por alguns participantes como Douro Bike Rock…

 

Os 34km finais e não cronometrados desta etapa serviram para em percurso descendente em direção à cidade de Amarante criar laços de amizade e confraternização entre os atletas e ainda aproveitarem para “rolar perna” em modo recuperação já a pensar no dia seguinte que seria igualmente exigente a nível físico.

À chegada a Amarante, no quartel general montado nas Piscinas Municipais, era unanime o sentimento de dever cumprido e etapa “ganha”, sendo que o resto da tarde foi para preparar bicicletas e físico para o dia seguinte.

A organização, no final de todas as etapas, teve à disposição dos atletas uma refeição recovery à base de hidratos de carbono assim como bebidas frescas.

Em todos os dias cerca das 20h30 foi feita a entrega dos prémios assim como um briefing do que se passou nesse dia assim como o que esperaria os atletas no dia seguinte.

2ª Etapa do DBR

Para o terceiro dia de competição, 2ª Etapa do DBR, juntaram-se aos atletas do desafio EPIC os do desafio ADVENTURE.

Tal como no dia anterior, a partida estava igualmente apontada para as 8h.

Nesta 2ª Etapa, a organização levou os atletas até à Serra do Marão e ao alto dos seus 1400 metros junto às antenas, onde seriam dois os segmentos cronometrados entre o km 0 e o km 51 e entre km51 e km 78, com um balizamento de 30 minutos no ponto de abastecimento ao km 51.

Era subir e subir e que fez lembrar uma musica de Manuela Bravo que se adapta a 100% a esta etapa, e que diz “Sobe, sobe, balão sobe, Vai pedir àquela estrela, Que me deixe lá viver e sonhar, Levo o meu amor comigo, Pois eu sei que encontrei, O lugar ideal para amar”…e que lugar para amar!!! E penar, mas com estilo e prazer.

Novamente feito o percurso para a meta descontraidamente e em grupos, concluindo assim aos 93km esta etapa com cerca de 2600d+ de acumulado de subida.

Dava-se assim por terminado este terceiro dia de DBR, estando já no horizonte o 4º dia de competição e última etapa.

3ª etapa do Douro Bike Race – DBR

Para esta 3ª Etapa juntou-se aos atletas que até aqui fizeram parte do desafio DBR os atletas RIDE.

Para esta última etapa que foi abordada com uma sensibilidade e cuidado especial por parte do diretor de prova, em prol da segurança e integridade física dos atletas, estava delineado o percurso até aquele que pelo Pedro Marinho e Fernando César foi apontado como “O Paraíso dos Single Tracks da Europa e sem igual”.

No briefing inicial foram apontados os pontos críticos da etapa, apontado como ponto crucial o single track final de cerca de 12 km em que o mínimo descuido na atenção e concentração poderia ser “fatal” para os atletas.

Para esta etapa, foi dada a partida dos atletas RIDE, seguidos dos ADVENTURE e por fim dos EPIC, com espaçamento entre atletas de 30 segundos ao estilo de contrarrelógio por ordem inversa da classificação geral do Douro Bike Race.

Dos 52km desta etapa, seriam 48km cronometrados pela Serra da Aboboreira, por entre single tracks a subir, a descer, um mundo de diversão, “kit de unhas” necessário, mas que com a devida adaptação de ritmo e velocidade de cada um, o sorriso na cara era uma realidade.

35km com 1900d+

Neste dia subiu-se até aos 950 metros da Serra da Aboboreira sendo que neste mesmo ponto os atletas já tinham amealhado nas pernas 35km com 1900d+, tendo aqui iniciado os já referidos 12km de single tracks até perto de Amarante, mas não sem ante voltarem a aquecer as pernas com um topo de 1,5km com medias a rondarem os 20% de inclinação média… mas é isto mesmo o Douro Bike Race.

Terminados que estavam os quatro dias da edição 2018 do Douro Bike Race, era bem patente na face dos atletas o sorriso, o orgulho, a satisfação pelo feito de concluir e poder exibir em seu poder a tão ansiada medalha de finisher e esse sim é o maior prémio, sem esquecer as amizades criadas, os sorrisos lançados nas etapas, os momentos de dor, a entreajuda que foi muito visível nos quatro dias, o saber lutar por superar desafio a desafio, km a km, isto sim volto a repetir…é o Douro Bike Race.

Impossível seria a elaboração deste artigo sem mencionar outra das pessoas chave deste Douro Bike Race, uma personagem, um alento, um orgulho para todos no final de etapa após etapa vê-lo anunciar o seu nome à chegada, o que demonstra o profissionalismo e dedicação que impõe à sua função, falo sim de Emanuel Gomes o speaker de serviço do Douro Bike Race e que foi incansável no apoio e animo dos atletas fosse à partida fosse à chegada da etapa e que com sua humildade e amizade nos obriga igualmente a dizer…OBRIGADO.

David Maltez e Ricardo Miguel – OPraticante.pt com Emanuel Gomes

OPraticante.pt: Emanuel foste um dos animadores do dbr e um incentivo aos atletas pelo apoio que deste no início e final de etapas. Como viste na tua perspetiva o lado não competitivo do DBR?

Emanuel Gomes:Ricardo, ser o speaker oficial do DBR é tão desafiante como entusiasmante, naturalmente, com uma carga emotiva subjacente, pela ausência física do seu mentor (João Marinho), que é lembrado a cada momento e que traz uma força extra a cada um dos participantes.
A edição de 2018, acrescentava inovação e tenacidade, características bem relevantes e à imagem do diretor de prova, Fernando César.

A expectativa e algum descrédito pela forma como a organização ousou planear a vertente competitiva do evento, rapidamente, se transformou num coro de vozes rendidas à excelência do plano, na medida em que favoreceu o convívio entre os atletas, permitiu a observação das idílicas paisagens e, ainda, permitiu que os riders confraternizassem em pleno track, nomeadamente, nas zonas de abastecimento, onde há anos muitos deles não paravam, e os quais não eram cronometrados.

Na zona de meta sucediam-se relatos de inegável satisfação e nem os momentos de bom humor, incluindo na flash interview, deixaram de existir.
Na aldeia DBR, o ambiente era deveras salutar, com momentos de partilha e convívio, sempre ao som de boa música adequada aos momentos de diversão e relaxamento respetivamente.
O DBR culminou com a cerimónia protocolar do pódio, que fechou a preceito este DBR 2018, com riders de Portugal, Espanha e Itália a ouvirem os respetivos hinos nacionais e a demonstrarem fair play, trocando efusivos abraços e saudações desportivas.

David Maltez e Ricardo Miguel – OPraticante.pt

OPraticante.pt: Deu para notar a sinergia que existiu entre ti e a dupla de OPraticante.pt. Que levou a tal sentimento?

Emanuel Gomes:Nesta edição do DBR surgiram riders de vários países e alguns nomes sonantes do btt nacional, como o caso de Daniel Ferreira, Nélson Sousa, José Oliveira, Tiago Clamote, André Filipe e entre as senhoras destacaram-se Paula Pita e Patrícia Rosa.
Entre os objetivos de vitória, surgiam aqueles que pretendiam ser finisher dos desafios Epic, Adventure e Ride.

Um evento de excelência

De entre os participantes houve uma dupla que se destacou por dois motivos, a saber: a dupla constituída pelo cubense David Maltez e o seixalense Ricardo Miguel, em representação do Praticante.pt, e que, para além de proporcionarem espetáculo, espalharam sempre simpatia, promoveram um ambiente “cool” e demonstraram total disponibilidade para colaborar com a assessoria de comunicação do evento, quer nas entrevistas que foram dando às chegadas, fazendo exímias narrações das sensações vividas no percurso e sínteses fidedignas dos factos ocorridos, que mais tarde seriam publicadas em O Praticante.pt contribuindo para a divulgação daquele que consideramos ser um evento de excelência.

No final foram atribuídos os prémios finais do DBR, seguindo depois os atletas em direção às suas casas e para o seio de suas famílias.

Nesta edição, além dos portugueses e tal como Emanuel Gomes já havia dito, foi possível verificar a adesão à prova por parte de atletas espanhóis, italianos, cubanos, franceses, o que diz muito sobre esta prova alem fronteiras.

Tudo vai na linha de fazer crescer a prova

Foi possível colher junto do diretor da prova Fernando César emocionadas palavras:

Foi uma edição na que queríamos testar coisas, coisas que já tínhamos prontas no ano passado, mas uma queda que tive eu em Itália estragou os planos.
Tudo vai na linha de fazer crescer a prova, de continuar a fazer crescer a sua identidade de puro BTT, mas também de partilha e aventura.
É um plano que marcamos no 2016 quando voltamos a impulsar a DBR logo de um ano de ausência por causa do acidente do João.

Ricardo Miguel e David Maltez – OPraticante.pt com Fernando César

Mountain Quest e DBR caminham agora na mesma linha de novidades que fazem delas provas diferentes.
Não queremos ser “os melhores” nem penso que isso seja mais do que uma valoração subjetiva que pode fazer qualquer uma das coisas que faz.
Mas sim somos diferentes, sentimos orgulho da nossa identidade e orgulho de ver como atletas vivem uma experiência diferente.
Por isso quando este ano mudamos as coisas e alguém disse “não é assim como se faz” nem nos importamos, porque se calhar “não é assim como se faz, mas é assim como queremos fazer”.

Em 2020 a prova faz 10 anos

E os atletas gostaram! Portanto vamos seguir nessa linha e temos 12 meses para que tudo aquilo que agora testamos, seja ainda melhor em 2019.
Em 2020 a prova faz 10 anos, vamos trabalhar para que nessa altura esteja no primeiro nível.
Não por número de atletas, essa é mais uma coisa errada que lei por aí.
O sucesso não tem a ver com o número de atletas (há provas limitadas a 100 que são mesmo incríveis) o sucesso é fazer que cada atleta sinta que está a viver uma experiência diferente na que ele é importante.
Acho que ainda com algum erro, em 2018 conseguimos, e estamos orgulhosos disso.

DBR 2018 foi como regressar à DBR 2012

Na sequência destas palavras, Pedro Marinho da organização e um dos impulsionadores do DBR afirmou que:
DBR 2018 foi como regressar à DBR 2012, mas numa versão mais reduzida de participantes, mas ao nível de convívio entre atletas similar… a DBR é um dos 3 sonhos criados pelo João… curiosamente ele organizou 3 e nós em 2018 foi também a 3 edição. consolidou-se o sorriso e o convívio entre atletas e staff como imagem de marca da DBR.

Aproveitámos ainda a oportunidade para tocar num ponto chave, embora emocionante, da existência e continuação do Douro Bike Race.

Ricardo Miguel e David Maltez – OPraticante.pt com Pedro Marinho

OPraticante.pt: Pedro, todos sabemos quem era o João Marinho, teu irmão e fundador do DBR. Para ti que estás a continuar o seu legado, como o podes descrever?

Pedro Marinho:O legado do João, é muito mais que qualquer prova… mas também faz parte o DBR… O DBR não continua apenas por mim, mas sim por um conjunto de pessoas que conheceram o João e acharam por bem abraçar o desafio de continuar com a DBR.
Curioso que existem até pessoas que não o conheceram, mas que se envolveram nos eventos…outros que o conheceram e que se envolveram profundamente na organização das provas, como o Fernando Cesár à cabeça…
O João será sempre mais que toda e qualquer prova por ele idealizada e simbolizará a paixão pelas pessoas, pelos animais e pela natureza.

Além destes dois elementos cruciais do DBR, os verdadeiros heróis do pedal deram o seu ponto de vista da prova.

Hugo Rocha – Foto: Eduardo Campos / Ciclismo + TV

OPraticante.pt: Hugo, sendo tu um homem do Norte e habituado a estes relevos, que achaste dos percursos apresentados este ano no DBR?

Hugo Rocha:Como deves imaginar foi o meu primeiro DBR. No entanto estando habituado a terreno do Norte foi uma prova dura a nível físico e mental com trilhos de cortar a respiração.
Na minha opinião acho que este ano a nível de trilhos foi menos exigente.
Acho bem mais aceitável pois não somos profissionais e sim amadores o que por si só já é um grande feito e aceitar uma prova deste tamanho.

De entre os participantes, um dos mais acarinhados na Aldeia do Douro Bike Race era o “estrangeiro” vindo do arquipélago dos Açores.

Foto do facebook do atleta

OPraticante.pt: Paulo, em todos os momentos deu para notar que todos têm por ti um carinho especial ou não fosses tu um “estrangeiro”, como sentiste por dentro este DBR?

Paulo Silva: “Epá, que responsabilidade!!
Apesar de viver na maior ilha dos Açores, a dimensão das serras do Alvão, Marão e Aboboreira fazem-me sentir pequeno e transmitem um respeito avassalador.
Douro Bike Race – Epic Sendo uma prova de renome, bem solidificada no plano de provas nacional, fazia parte da minha lista de desafios a completar.

O Staff, que dizer desta gente, que se desdobra em esforços para que nada nos falhe, sempre com uma atenção e preocupação ao atleta, de quem sabe o esforço que vamos fazer ou que acabámos de fazer na etapa.
Os percursos. Já tendo participado em 4 edições do Mountain Quest e 2 edições do Douro Ultra Trail, pensava que já sabia ao que ia.

Esquece o que conheces, isto é outra vida

““ Esquece o que conheces, isto é outra vida ”, ouvi na aldeia DBR.
Não podia ser mais verdade.
Rampas com muita inclinação, interrompidas por descidas em Single-tracks que faziam as delícias dos atletas.
Muita técnica teve de ser usada, para manter a minha integridade e a da bicicleta.
No fim de cada etapa, comida da boa, bebidas à descrição, muito convívio, grande ambiente.
Fui finisher, recebendo a medalha do Diretor de prova, Fernando César, um atleta, amigo, e organizador dedicado.
Voltarei de certeza à Douro Bike Race, pois é uma prova em que nos excedemos, muito aprendemos, e que nos mostra que se quisermos, somos capazes. Até 2019, abraços.

Dada a presença de Tiago Clamote, um dos rostos mais conhecidos das provas por etapas que de norte a sul ocorrem neste nosso Portugal, aproveitámos para lhe fazer umas perguntas.

Foto: Armando Vieira

OPraticante.pt: Tiago, sendo tu um dos habitues neste tipo de provas por etapas, que tens a dizer acerca do DBR’18 no conjunto geral dos 4 dias de prova?

Tiago Clamote:Quando vou para Amarante, lembro-me sempre do livro de Miguel Torga “A Cidade e as Serras”…
No caminho aprecio a paisagem e começo a sorrir quando fico rodeado pelo Marão, pelo Alvão e mais à frente pela Aboboreira, porque gosto destas serras, são desafiantes numa prova organizada pelos experientes maduros da Nexplore.
O DBR 2018, pessoalmente era um reencontro necessário com o ambiente de festa que se vive nestas provas e a festa é tanto maior quanto nós quisermos!

Já me lavaram a bicicleta com cerveja em Amarante, já assei febras depois de andar 12 horas de bicicleta num dia em que só dormi duas ou três, este ano no DBR 2018, festejei pouco, cansaço, compromissos com amigos, estive mais recatado (mas isso fui eu!).
Por isso meus amigos introspeção por vezes é necessária.
Na última aventura que fiz antes desta em Vila do Conde até estranhei por vezes a frieza no relacionamento de alguns comparsas, possivelmente pelo facto de ter ganho a prova e passar automaticamente de Clamote, o brincalhão, o rei dos beijinhos, da leitura por GPS e das conquistas em duplas com o Michel, a um potencial extraterrestre que ninguém sabia como estava a andar tanto!!!

Lição de sobrevivência

Férias, tinha sido a solução. Dormir muito e amor!
Fui ao DBR, então porque não consegui ir ao Moutain Quest (porque o meu terceiro filho não quis nascer…).
Sabia que ia ser uma prova diferente quatro dias a fundo tipo Portugal Tour MTB, mas num chão consideravelmente mais agressivo, com muita inclinação, muita pedra e a dureza implícita das montanhas… em Amarante aprendemos a respeitá-las…

Já me perguntaram se estava a falar a sério quando disse que em 2017 no Moutain Quest Quest, espremi a bosta de uma vaca para sugar o líquido, sim é verdade e a culpa foi do Fernando César, esqueceu-se de colocar um carro com água devido ao calor os pontos de água estavam secos e ele no final assumiu…

Ainda hoje lhe agradeço por essa lição de sobrevivência que me tornou mais humilde e mais forte, o hálito mantenho, pois até a bosta estava seca!!!
Nos dias das provas as pessoas transformam-se, o stress, a falta de tempo, o estar a pensar em imensas coisas em simultâneo é terrível e pode gerar subjetividade na interpretação do que é amabilidade, dedicação.

Uns gostaram, outros não, é sempre assim

Sendo preciso posso dizer que a organização em prova esteve incrível, abastecimentos, cronometragem no meio do monte, passagem por sítios míticos… Fisgas do Ermelo, Túnel do Marão, etc… Uns gostaram, outros não, é sempre assim.
DBR é uma das provas com capacidade logística e localização para ser uma das melhores em Portugal.
Seja etapas contínuas, sem cronometragem, como eu gosto, sejam cronometradas, seja por GPS ou com fitas a marcar o percurso, todo o bttista que se preze, tem que passar por lá.
Eu não ganhei, os meus amigos da frente nos segmentos cronometrados apertavam muito e eu pensava só em atacar perto dos 100 kms, mas, entretanto, as etapas acabavam.

Acho que o facto de haver quem possa fazer os 4 dias, ou apenas alguns gera alguma confusão e depois é cada um a puxar a brasa à sua sardinha… e a medir o tamanho do falo, mas isso depois passa.
Adorei ter furado e meter fita americana. Adorei respirar o ar nas Fisgas do Ermelo enquanto dava ar a meio do segmento cronometrado.

Nuno Silva e Tiago Clamote

 

Banhoca que tomei no Marão

Não me esquecerei da banhoca que tomei no Marão, nem do pequeno convívio que tive no almoço final com pessoal da velha guarda.
Não se vão esquecer das brincadeiras do Clamote no último dia quando houve as saídas invertidas no Crono, falei a todos e a cada um… Foi bom sentir o apoio do pessoal ao ver passar os “craques”.
O prólogo por GPS foi problemático, mas olhar para o GPS no rockgarden do Alvão ou a descer a Aboboreira acho que não foi muito mais fácil… mantenham isso, bom e barato.

Ah e já me esquecia de dizer o DBR 2018 começou semanas antes nas redes sociais, toda a brincadeira, comentários e imensa cumplicidade que se criou fez-me bem ao espirito… já nem precisava de lá ir, mas fui… porque vale a pena, nem que seja para me meter com os espanhóis, não é Dani Herraez e companhia?
Sou acolhido em Amarante como se fosse da família e acreditem… todos nós encontramos lá o nosso spot especial.
Obrigado Marinho. E como todos já sabem… eu sou o lírico do BTT, não me calo… faz parte, pelo menos quando vão ao pé de mim costumam SORRIR, aqueles senhores que andam MUITO! Só até a montanha os domesticar…

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Prólogo

1ª etapa

2ª etapa

3ª etapa

Não deixe de desfrutar as belíssimas fotos efectuadas por Elisabete Ribeiro.

Penso que está tudo dito e assim com este relato de quem sabe dá-se por terminada esta edição, esquece, ou melhor não te esqueças da ânsia de todos para a edição 2019.

Bem hajam.

Texto: Ricardo Miguel
Fotos: Armando Vieira (Foto de capa) / Ciclismo + TV (Eduardo Campos) Elisabete Ribeiro

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