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Free Trail Aindaina Laroucofest

Vemos carvalhos que afundam as suas raízes sob lareiras que aquecem cem invernos, espécies que se alimentam de contos que um dia se ouviram ao lado do fogo, raposas, cervos e lobos que agora habitam nos recantos e caminhos misteriosos.

Duas aldeias unidas no tempo

Estamos na Roussia e em Santa Isabel, duas aldeias unidas no tempo e na história da raia.

 

Não perguntem pelas pessoas que aqui viveram, as suas memórias perderam-se há muito no tempo.

Talvez, as águias, falcões, milhafres e pombos que aqui assentam os ninhos, as possam cantar, histórias da quase impossível vida no vale. Se não entendes os seus cantos, pergunta a um esquilo ou um javali, porque desapareceram as famílias, afinal são eles donos e habitantes deste recanto do Larouco.

Contam aqueles que os entendem, lendas sobre o fim trágico de um eterno conflito com os vizinhos do outro lado da fronteira, lendas sobre exércitos de formigas que arrasaram com o pão, com os animais, por fim, com as mulheres e com os homens.

Neste vale, na fronteira entre Larouco e Castro de Montecelo, a viçosa floresta recupera espaço e vai enterrando o passado de gerações.

Um paraíso que agora ganha vida

Esquecida no tempo e na história, é um paraíso que agora ganha vida por um dia e por umas horas para portugueses e galegos, numa manhã desportiva.

A proposta foi feita no âmbito do Festival de musica tradicional, LaroucoFest.

Vigiados nos ares pelos nossos engenhos voadores, no pré europeu de Parapente, os atletas fizeram uma corrida de dezassete misteriosos quilómetros, passando por moinhos, gravuras rupestres, calçadas romanas e vistas espantosas, onde Manzaneda, Pitões da Júnia e Gerês são confidentes imponentes e memórias que cada um dos participantes jamais esquecerá.

Laroucofest

Sobre o resultado da prova de corrida apenas sabemos que o cenário terá enfeitiçado dois dos primeiros participantes, levando-os a terminarem de mãos dadas, partilhando o que alguém tentou separar.

Deus Larouco, na Laroucofest

Contará a história que em tempos existiu uma corrida em Baltar que culminou na vitória de um português e um galego, em simultâneo, venerando o Deus Larouco, também ele dividido por uma falsa fronteira.

A festa prolongou-se até ao dia seguinte num festival de musica dança tradicionais chamado Laroucofest, uma boa desculpa para comemorarmos a vida!

Texto: Mauro Fernandes
Fotos: Sandra Campo

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