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Maratona do Porto …adoro superar os meus limites

Mais um fim de semana cheio de emoções, receio e curiosidade da minha primeira maratona, na Maratona do Porto, apesar de ser um ultra, este desafio seria diferente.

Desta vez, o meu desafio pessoal seria participar numa maratona!!! E já agora, fazer um tempo inferior a 4h.

Estrada, algo que não adoro, mas adoro superar os meus limites… e para superar… auto proponho-me a desafios, para tal, que seja na cidade do Porto, pela história da cidade e paisagens dessa tão emblemática cidade, assim é também, a Maratona do Porto, já na sua 15ª edição.

Maratona do Porto

Este ano contou com cerca de 16.000 participantes nas diferentes distâncias… mas eu… eu gosto sempre da maior distância… seja qual for a prova!!! Trail ou de estrada.

Ao chegar ao Porto, desta vez, o tempo estava um pouco instável, com chuva e frio. No entanto, as emoções de quem participava estava ao rubro, como se fossem crianças no intervalo escolar. Ouvi as mais diversas línguas, o site da organização refere a participação de 75 países… UAU!!! Isto é mesmo grande!!!

Lá fui… guarda roupa… deixar a mochila que foi uma má escolha, no final farei a devida referência.

Siga para a partida… preparado? …não sabia o que me esperava… estava receoso…j á fiz muitas provas… mas maratona… estrada… tantos km’s… só depois de vividenciar… conseguimos perceber e opinar… por isso… siga para a loucura!!!

 

Linha da partida… lá reencontro malta destas andanças, das corridas, trail ou estrada, vamos fazendo amizades!!!
Não ouvi a contagem, mas tinha percebido… o pessoal já rolava, passando a linha de partida… iniciar a contagem do relógio… siga… agora sim, estava em prova!!!

Pessoas a apoiar… com palavras de incentivo… uns conhecidos, outros nem por isso!!! Isto sim!! É o norte, Porto caloroso como sempre!!! E até miúdos a vibrar com a prova!!!

Mantenho o ritmo, o qual me sinto confortável, 5:45/Km… ok ok, sou lento, mas o objetivo era terminar bem, antes das 4h… ia na frente dos “balões” das 4h, não os queria ver, mas dava por mim com um ritmo mais rápido do programado mentalmente, cerca de 5:15/km!!!

Muro dos 30 kms

Ao km 7, mais ou menos, lá encontro a “ultramummy”… uma amiga que conheci em prova já faz um tempinho, cheia de motivação e com muito andamento, duas três palavras de motivação… decido… ficar para trás, no meu ritmo, porque estava com receio do famoso, “Muro dos 30 Km”, os experientes falavam nisso!!! Eu, ia pensando… gostaria de lá chegar, bem!!!

De facto sentia-me muito bem, apreciava o mar, a malta que se debatia com os seus objetivos. Mais água agora do céu, para molhar a prova e refrescar a malta. Que bem que estava a saber!!!

 

Iniciei a prova a ouvir musica. Mas desde cedo, cerca do Km 15, resolvi retirar os auscultadores, sem música, queria sentir a maratona!!! A música, vai aparecendo, quem se propôs lá estar, com aquele tempo, a tocar para estes atletas, desportistas… pessoas que se motivam por algo, para realizar esta prova.

A primeira, mais uma, superação pessoal… todos tínhamos algo para demonstrar a nós mesmos!!! Só não queremos ficar parados e deitados nos “sofás domingueiros“, ok ok, também sabe bem. Mas temos tempo para tudo!!!

Focado na prova, apreciando toda a paisagem e espírito de uma Maratona… km 21, menos de duas horas para esta distância, não estava mal, sentia-me confortável, esta paisagem é parte do circuito da Meia Maratona, por isso, já não era novidade para mim, bonita a baixa de Gaia, o cheiro a comida no ar, fritos ou sei lá… nesta fase, era incomodativo!!!

Passaram os primeiros, a “voar”

Não sei o Km exacto que ia, lá passaram os primeiros, a “voar” em direção contrária… malta da prova, ao meu lado, no meu ritmo… aplaude estas máquinas… Como é possível? Tanta velocidade e parece que não se passa nada com eles. Como eu digo em tom de brincadeira… a tempestade!!! Porque são todos escuros!! Uganda, Kenia e outros atletas de países africanos… até fazem lume!!! Impressionante e admiráveis, a capacidade destes atletas!!!

Lá continuei eu na minha passada, quando me distraía, dava conta que estava a ir num ritmo mais rápido, fui deixando fluir… e aproveitar toda a envolvente paisagística e o espírito da maratona!!!

Km30, não senti o muro… foram só mais 5Km, pumba, já doí-a tudo, a nível muscular, rotulas, sei lá o que doí-a… acho que tudo… tentava não parar… sentia-me bem… apesar das dores… continuava a esforçar-me para correr e manter o ritmo… e lá passaram os que marcavam o “Timming” das 4h, fiquei desapontado por ver eles a passar, tentei acelerar e acompanhar… já não dava… sem treino… esquece… mas parece que quando parava, ainda doí-a mais!!! Ritmos?

Só queria terminar… mesmo com chuva…

Já nem olhava… só queria terminar… mesmo com chuva… pessoal nas ruas, por todo o lado, bicicleta… a pé… há porta dos cafés… nas paragens dos autocarros… a música ao vivo em determinados Km’s. UAU!! Que ambiente!!! Zona marítima… olhava o mar… mas só pensava na meta… depois do km 38, foi muito doloroso… outros colegas desta aventura a passo… pensava… força nisso!!! E sempre a tentar correr e em simultâneo perguntava-me… mas porque raio não treinaste???

Até que… começo a ouvir o speaker da meta… acelerar? Não conseguia!!! Mas parar… não queria!!

Lá consegui cruzar a meta, tempo de 4:03:07 (Tempo Líquido) e as lágrimas saltaram sem eu contar!!! Porra… que esta foi dura… mas o prazer da conclusão é brutal!!! Primeira reacção de um amigo habituado a trails… “Não gosto disto e não irei repetir!!!”, respondi… deixa-me esquecer que depois opino.

Tal como estava escrito algures, citando: “As dores são temporárias, mas a glória é eterna!”

CONSEGUI!! Mais uma para o CV, Medalha de finisher…é super gira!!! T-Shirt de Finisher!!! Uma cerveja preta para acalmar, se tivesse calor… uma não chegava!!!

E sobre os vencedores da Maratona do Porto

Um ugandês faz história no evento, quenianos fora do pódio

Um ugandês, Robert Chemonges, pela primeira vez na história do evento, impôs-se nas ruas do Porto, Matosinhos e Gaia, com o excelente tempo final de 2h09m05, e assim ultrapassou largamente o melhor registo produzido na Invicta, obra do queniano Philemon Baaru na edição de 2011 (2h09m51s).

Os quenianos, por uma vez única, não tiveram qualquer lugar de pódio, já que o segundo lugar foi para o estreante Oliver Irabaruta, do Burundi, com um tempo mais que promissor de 2h09m48s, também abaixo do anterior recorde do percurso, e o terceiro para etíope Fikadu Kebede, com 2h10m41s.

No lado feminino triunfava a etíope Abeba Gebremeskel, com 2h30m13s, Meskerem Hunde foi segunda, com 2h33m49s, muito longe finalizou em terceira Elvanie Nimbona, em estreia na distância, com 2h44m21s.

Trio vencedor do Campeonato Nacional

Vencedor surpresa no Campeonato de Portugal da Maratona

No campeonato de Portugal da distância, aqui houve um vencedor surpresa. Durante muito tempo José Moreira e Carlos Costa foram andando sós na frente, na companhia um do outro, e tudo indicava que o triunfo seria decidido entre ambos.

Porém, com uma recuperação espetacular já bem depois do 30º quilómetro por José Sousa, que esteve muito tempo a 700 m do duo, viria a permitir-lhe alcança-los; Carlos Costa seria o primeiro a perder contacto e para algum espanto o atleta do AR Casaense acabaria mesmo por se desenvencilhar da presença do rotinado José Moreira para se tornar no primeiro português na meta, com o oitavo lugar da geral.

Com o título nacional, José Sousa obtinha na sua primeira maratona logo menos de 2h20m, com 2h19m25s, algo muito interessante nos tempos que correm a nível nacional. Treinado agora por Ricardo Ribas, Sousa fora o vencedor da meia-maratona da Nazaré no final do ano passado, e pensa fazer “em breve” uma nova experiência na maratona.

José Moreira – Sporting Clube de Portugal foi segundo entre portugueses, no nono lugar geral, com 2h19m43s, Carlos Costa – Clube Desportivo São Salvador Campo acabou como terceiro luso, em 10º na geral, com 2h19m48s, um novo recorde pessoal igualmente.

Rosa Madureira

Rosa Madureira mais uma vez se sagrou campeã nacional

Rosa Madureira, do FC Penafiel, mais uma vez se sagrou campeã nacional, com 2h50m06s, seguida de Lídia Pereira – GDR da Granja – 3:01;47 e Susana Vilela – ACD São João da Serra – 3:09;58.

OPraticante.pt

Sandra Oliveira terminou em 2642 da geral, 31ª F35 – 4:01;04 e Artur Basílio em 2731 Geral / 564 M40 – 4:02;56

Tempo indeterminável na fila para recolher os sacos do guarda-Roupa

Uma prova que tem a minha recomendação, no entanto algumas falhas, em que sugiro uma melhor reorganização!!!
Quem após terminar uma corrida, só quer um banho quente!!! O tempo indeterminável na fila para recolher os sacos do guarda-Roupa, com aquele frio e chuva, não foi agradável!! Vi pessoal a tremer de frio, lábios a mudar de cor, pessoal a vomitar… naquela fila que não andava nem por nada!!!

Os sacos ficaram há chuva, tinha a minha roupa molhada dentro do saco, também aprendi como se deve guardar o saco quando não é impermeável. Recomendo, dentro de um saco enorme de plástico bem fechado!!!

E para tomar banho, mais uma eternidade!! Apesar de a temperatura da água estava excelente!!!! E o frio lá passou!!!

Ligação da estação para a prova, não li qualquer informação sobre isso, fui de boleia com um amigo, no regresso… decidi vir de comboio, como já referi, sou lento e não gosto que esperem por mim. No entanto, não vi qualquer ligação / transporte para a estação. Nem aquando do levantamento de dorsais o stand da CP sabia dar essa informação. Algo também a melhorar.

Se vou repetir? De momento, apenas penso que adorei participar!!! E espero recuperar rapidamente!!
Depois…penso no resto… mas quero fazer um melhor tempo… subentende-se não será a última, até porque:
Nunca melhor que ninguém, apenas melhor que ontem!

Siga… para outra qualquer loucura!!!

Até breve!!

Classificações completas.

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Texto: Manuel Carlos Martins
Fotos: Runporto

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