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Pela nossa saúde consultamos um médico ou um treinador?

Muito frequentemente, aparecem pessoas nos ginásios, academias e clubes, com indicações muito concretas dos seus médicos de família, sobre a modalidade que podem praticar e até, quais os exercícios que podem executar e como.

• Será que a prescrição de exercício físico é um ato médico que pode ser realizado nos centros de saúde e aplicado no nosso dia-a-dia?

• Serão os médicos de família habilitados para analisar o estado de saúde do paciente, prescrevevendo o que praticar e como?

• Que instrumentos de orientação e aconselhamento existem nos centros de saúde e nos diversificados locais de prática, para garantir prescrição e prática adequada a cada pessoa?

Hábitos sedentários deterioram a nossa saúde

Todos sabemos que hábitos sedentários persistentes deterioram a nossa saúde e bem-estar ao longo da vida, que o ritmo de vida é cada vez mais “acelerado” e exigente. Cada vez temos menos tempo de recupe-ração física e psicológica com repouso ou lazer ativo.

Segundo as estimativas obtidas para Portugal, no âmbito do estudo Global Burden of Diseases (GBD) os riscos de perda de anos de vida saudável estão associados a hábitos alimentares inadequados (hipertensão arterial, índice de massa corporal elevado e tabagismo). As doenças com maior impacto na população portuguesa em geral, são as doenças do aparelho circulatório, neoplasias, músculo-esqueléticas, mentais e aparelho urogenital.

Exercício físico no combate ao sedentarismo

Integrar o exercício físico na prescrição médica pode ajudar a diminuição os elevados níveis de sedentaris-mo da população em geral e, verdade se diga, os médicos de família por se encontrarem numa posição privilegiada podem ser fundamentais na mudança de comportamentos. Mas, não são os “treinadores” habilitados para prescrever tipologia de aulas ou treinos. Frequentemente são indicadas como adequadas as aulas de hidroginástica para pessoas com “problemas de coluna” mas que acabam por “andar aos saltos” dentro da piscina, por vezes agravando o que já têm ou acabando por desistir. Outro dos exemplos mais comuns é o incentivo de alguns médicos à prática de aulas de pilates sem na realidade conhecerem se a metodologia deste tipo de aulas é a mais adequada para “aquela” pessoa.

A prescrição de exercício físico deve ser um procedimento de recomendação de um programa de atividade física que se pratica de forma sistemática e individualizada, segundo as necessidades e preferências de cada pessoa, deve contribuir para se obterem os melhores benefícios com os menores riscos possíveis. À semelhança de como se faz com qualquer outro tipo de prescrição, é necessário especificar os aspetos quantitativos e qualitativos do exercício físico para aquela pessoa.

Benefícios do exercício físico

Mas importa novamente reforçar que os benefícios do exercício físico são indiscutíveis e estão totalmente comprovados. A Organização Mundial da Saúde, recomenda para adultos saudáveis, com idade entre os 18 e os 65 anos:

• Pelo menos 30 minutos de exercício físico de intensidade moderada, 5 dias por semana;

• Pelo menos 20 minutos de exercício físico de intensidade vigorosa, 3 dias por semana;

Esta “quantidade” de exercício físico para adultos, pode ser acumulada por sessões de 10 a 15 minutos diários, combinando períodos de diferentes intensidades, não esquecendo a importância dos exercícios de flexibilidade, força e equilíbrio. Esta metodologia mais simplificada de atividade, pode ser aplicada durante o período de trabalho porque apenas vai ocupar um pequeno intervalo de pouco tempo no nosso longo período de trabalho.

Jovens em idade escolar

Também os jovens em idade escolar devem ter diariamente 60 minutos, ou mais, de atividades de intensi-dade moderada a intensiva, sob formas divertidas e diversificadas para um enriquecimento motor.

Em geral, a grande maioria das pessoas está disposta a ser fisicamente mais ativa e se o seu médico as aconselhar, sendo ele próprio ativo e saudável, será mais credível e motivador conseguir dando exemplo, ajudar as pessoas a modificarem os seus comportamentos pela sua saúde. O aconselhamento individuali-zado implica uma avaliação do nível de condição física, motivação e preferências pessoais, conhecimento dos riscos de saúde relacionados com o exercício físico e acompanhamento da evolução prática, não pelo médico mas pelo técnico de exercício físico, que orienta e conduz a atividade.

As razões da falta de exercício

As razões da falta de exercício e desistência continuam a ser as mesmas de sempre: falta de tempo pelos horários de trabalho e sobrecarga, os custos das mensalidades, o receio das lesões, a reduzida autocon-fiança e a falta de um local adequado perto de casa.

• Será possível criar um programa de aconselhamento à prática de atividade física em geral e de exercício físico em específico para toda a população portuguesa?

• Será que uma equipa nacional multidisciplinar poderia criar um programa nacional a ser divulgado e aplicado nos ou pelos centros de saúde, câmaras municipais, juntas de freguesia, escolas e outras entidades com responsabilidade na saúde, educação e desporto? (à semelhança do que se verifica noutros países)

• Será que os médicos de família estão capacitados para integrar um novo tipo de aconselhamento e prescrição, que engloba duas vertentes importantíssimas da sua prática clínica: A promoção da saúde e a prevenção da doença?

A mudança de comportamentos é fundamental
– As pessoas devem rever as prioridades da sua vida;
– Os médicos devem rever o seu papel na prevenção e cura das doenças;
– Os técnicos de exercício físico devem chamar a sí a prática do exercício físico.

Texto / Fotos: Fernanda Marta – Consultório do Treino

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