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Ser solidário no sobe e desce de Gandra

Mais um fim-de-semana na zona do grande Porto que ficou marcado pela corrida de São João que este ano se transferiu para a marginal de Vila Nova de Gaia. Para os atletas que quisessem se afastar de uma prova tão concorrida havia outras provas de menor dimensão e uma delas foi a corrida cidade de Gandra. A equipa OPraticante.pt esteve presente no evento e agora apresenta as notas sobre esta manhã desportiva.

A corrida cidade de Gandra aconteceu em Gandra, Paredes e foi uma organização da Junta de Freguesia de Gandra. A completar o evento estava uma prova cronometrada na extensão de dez quilómetros e ainda uma caminhada com sete quilómetros. Parte dos valores de inscrição na corrida e na caminhada reverteram a favor do Centro Social e Paroquial de S. Miguel de Gandra.

 

Percurso duro + Calor = Sofrimento

Quem conhece Gandra e a sua área envolvente sabia de antemão que porventura o percurso desta prova não seria de todo acessível. Conhecida por ser uma zona de muita prática de trail running, é certo que uma prova de estrada teria certamente um bom desnível acumulado.

Podemos dividir o percurso desta prova em duas partes. Os primeiros cinco quilómetros eram acessíveis e onde o desnível positivo era pouco e onde por vezes até se conseguia acelerar. Mas, num percurso circular, tudo que desce, acaba por subir.

O que se desceu nos primeiros quilómetros acabou por ter de se subir e foi quase de rompante entre os quilómetros cinco e oito. Muitas foram as subidas nestes três quilómetros e a que se juntou uma sinuosa descida em empedrado que fez tomar atenção para evitar quedas. De facto, estes quilómetros requeriam muito trabalho e alguma preparação para os ultrapassar convenientemente. Os dois últimos quilómetros eram acessíveis em estrada em asfalto com uma ligeira subida até à meta.

Em termos de altimetria, o percurso da corrida cidade de Gandra foi dos mais difíceis que se tem visto nas corridas da zona do grande Porto.

Para complicar ainda mais a vida aos atletas esteve o forte calor que se sentiu no dia. Na hora a que decorria a prova, os termómetros marcavam perto dos trinta graus. Os quilómetros finais da prova que decorreram em estradão de asfalto foram um verdadeiro suplício.

Vencedores

Carlos Daniel vence competição masculina

O grande vencedor da corrida cidade de Gandra foi Carlos Daniel do Maia AC com um tempo de 33:45minutos. O atleta do clube maiato venceu de forma isolada a prova deixando na segunda posição Vítor Barbosa do Grupo Dramático e Recreativo da Retorta (34:05) e na terceira posição João Almeida (34:22).

TwinRunners dominam competição feminina

Na vertente feminina da prova, as irmãs Mariana e Sónia Barros dominaram a prova e ficaram nas duas primeiras posições da prova. Em jeito de brincadeira na cerimónia do pódio, Mariana que ficou em primeiro lugar (44:42) afirmou que a irmã, Sónia (44:43) a deixou ganhar. A fechar o pódio ficou Marta Marques do MaiaRunners com 46:39min.

A prova teve vencedores no escalão de veteranos e no plano masculino o vencedor foi Filipe Martins e na competição feminina foi Helena Gomes do MoinhosRun-ADRM.

OPraticante.pt

A equipa OPraticante.pt esteve representado por Patrícia Silva (9ºSenior/68º geral) – 01:01:34 e Nuno Fernandes (20ºSenior/69º geral) – 01:01:35.

Prova solidária mas com organização de grande valia

A corrida cidade de Gandra tinha um objetivo solidário e o facto de ser uma prova de menor dimensão não impediu que esta prova tivesse uma excelente organização. Já se torna costume que provas deste cariz são as provas com melhores organizações.

Chegando cedo a Gandra já era o notório o aparato dos voluntários a preparar o espaço junto à igreja local com a colocação de gradeamento, isolamento de áreas, etc. O levantamento do dorsal era feito junto ao local e o atendimento foi feito de forma rápida e com um atendimento simpático por quem estava a atender os atletas.

No local havia placas a indicar a localização dos balneários e casas de banho que eram numa escola perto do local. Neste aspecto só há uma critica a fazer, no final quem usou os balneários para tomar banho, teve de tomar banho em água bem fria.

Com o aproximar da hora da prova foi perceptível que a prova teria uma reduzida participação na corrida mas pelo contrário, a caminhada teria uma boa moldura humana. Convenhamos que com a temperatura que se fazia a vontade de correr não era muita e a mostrar isso foi o facto de a faltar cinco minutos para a hora da prova, a linha de partida estar deserta.

Animados pelo speaker de serviço, os atletas lá se posicionaram na box de partida e lá se fizeram à estrada após o tiro de partida dado pelo padrinho da prova, o treinador do Futebol Clube do Porto B, Rui Barros.

Prova com preço convidativo e bons abastecimentos

A prova tinha um preço de inscrição na corrida de apenas seis euros e aos atletas era entregue uma t-shirt alusiva à prova e uma garrafa de água. Após a prova, para além da medalha finisher, os atletas tinham à disposição um bom abastecimento final com águas, frutas, sumo de laranja, bolos e ainda fêvera assada no pão. E diga-se, fêveras assadas na hora num fogareiro ali colocado de propósito. E tudo entregue com grande simpatia por parte dos voluntários presentes.

Se há algo que os presentes no evento não se podem queixar é dos abastecimentos. Para além do abastecimento final, os atletas tiveram ao longo da prova um bom abastecimento de água, principalmente na segunda metade do percurso com águas à passagem do quinto quilómetro, a passagem do sétimo e ainda alguns abastecimentos feitos por elementos da organização em carros aos atletas mais atrasados do pelotão. Este foi um gesto que mostra bem a forma atenta e preocupada como a organização da prova se mostrou para com os atletas que marcaram presença na prova.

Isolamento do percurso deixou algo a desejar

O principal ponto negativo a apontar a esta prova está no isolamento do percurso da corrida. Muitos foram os episódios em que os atletas se tiveram que desviar de carros que circulavam na via pública. Viu-se muitos carros a não respeitar as fitas sinalizadoras. Correr nestas condições requer sempre mais cuidado.

O percurso estava quase todo ele sinalizado por fitas sinalizadoras, embora em alguns cruzamentos, os voluntários presentes talvez devessem ser mais expeditos a indicar a direção da prova.

A prova teve em toda a extensão placas a indicar a cronometragem.

Em termos de público presente a assistir à prova, este foi escasso. Também dado o calor que se fazia sentir na hora da prova não é de recriminar. De recriminar é o facto de se passar junto a uma esplanada de um café cheia de pessoas e nem um incentivo se ouvir. Nada a que não se esteja acostumado neste canto à beira-mar plantado. Um cumprimento especial a algumas pessoas que estavam nas suas casas e que iam refrescando os atletas aquando da sua passagem.

Corrida cidade de Gandra, um bom desafio de corrida mas muito condicionada

A corrida cidade de Gandra como mencionado no inicio desta escrita estaria muito condicionada pela grande prova que aconteceu em Vila Nova de Gaia. Seria muito difícil ter uma grande adesão de atletas na prova mesmo com prémios monetários em disputa. A verdade é que a adesão foi muito curta com apenas 84 atletas a terminarem a prova. A caminhada, essa sim teve uma grande adesão.

O facto é que para a além da data ter sido mal escolhida, as condições climatéricas também não ajudaram. Se na semana anterior estava de chuva, nesta o sol queimava e bem. A sugestão é para que na próxima edição pensem numa data mais adequada, provas no mês de Junho são sempre complicadas de colocar no calendário mas algo que não podem mudar é a simpatia com que receberam os atletas que diga-se foi cinco estrelas.

 

Uma última palavra é para indicar que o objetivo de toda esta manhã desportiva foi atingido com o Centro Social e Paroquial de S. Miguel de Gandra a receber um total de 556 euros.

Texto: Nuno Fernandes
Fotos: Junta de Freguesia de Gandra

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