2020 O ano em que não se correu na estrada

Todos os anos, a Runporto leva para a estrada milhares de atletas que, cada um a seu ritmo, enfrentam o desafio e cortam a linha de meta orgulhosos pela sua conquista, em 2020 não aconteceu.

O desporto, neste caso o atletismo, é uma atividade que permite a manutenção de um estilo de vida saudável e contribui para o bem-estar dos seus participantes.

Texto / foto: Runporto

2020, o ano em que não se correu na estrada

No início do ano 2020, o mundo deparou-se com um novo desafio, a exponencial propagação do vírus SARS-CoV-2.

Sem outra opção, a Runporto viu-se forçada a adiar para 2021 dezoito dos seus eventos.

Numa entrevista com o objetivo de fazer um balanço deste ano atípico, Jorge Teixeira, diretor da Runporto, admite que desde o início sempre se preservou a segurança de todos e, preventivamente, sabendo de todos os prejuízos que se iria ter, os eventos que tinham data marcada para março, a ISAG Corrida Dia do Pai e a Caravela Seguros Meia Maratona de Braga, foram logo adiadas para julho e setembro, respetivamente.

Posteriormente, foram os dois adiados para o ano seguinte e, mais tarde, “percebemos por volta do mês de abril que todos os eventos que nós tínhamos para 2020 teriam de ser, de facto, todos eles adiados e alguns deles tornados virtuais”.

Porto Virtual

Corridas virtuais, a nova realidade e solução para 2020

A Runporto adaptou-se a esta nova realidade e, para contornar a situação e “não perder o contacto com a comunidade de corredores, patrocinadores e até as câmaras municipais, começamos por colocar eventos de forma virtual, as chamadas corridas virtuais”.

Ao longo de 2020, a Runporto organizou vários desafios virtuais para comunidade.

Para além destes eventos, foram lançados treinos “para ajudar todos os atletas que estão neste momento a treinar, para a manutenção da sua forma física”.

Para os meses de verão foi ainda possível estar envolvido em dois programas, o Matosinhos em Forma e o Porto Saudável.

O primeiro foram “treinos de 10 km e 5 km cronometrados em Matosinhos e em Leça da Palmeira”.

Para a cidade do Porto, “estivemos a organizar umas caminhadas com alguma história da cidade”.

Este último programa está neste momento suspenso devido à pandemia.

2020
Jorge Teixeira – Runporto

“Corremos sós, vencemos juntos” este é, neste momento, o lema da Runporto.

Interrogado sobre como a situação afetou a modalidade, o organizar de corridas descreveu que “falando do atletismo de alta competição em Portugal, os atletas estão completamente parados, não têm provas, não têm forma de poderem competir uns com os outros”.

Até a nível financeiro, a paragem forçada destes eventos traduziu-se na impossibilidade dos atletas ganharem dinheiro nas provas, “porque não existindo os prémios das provas, eles estão completamente a zero e já vai a caminho de um ano”.

Segundo Jorge Teixeira, “neste momento não conseguimos colocar na estrada uma prova nem que seja com 20 pessoas”.

2020

“O desporto tem sido muitíssimo prejudicado, a nossa modalidade sobretudo”

Os eventos para os mais jovens também foram cancelados, nomeadamente o Vitalis Kids Challenge by Hyundai, o que coloca em causa a formação das crianças e “a perda de um juventude que é promissora na área desportiva, o que pode criar danos irreversíveis na sua formação enquanto pessoas”.

Esta é uma das preocupações de Jorge Teixeira, que ao longo dos últimos anos tem apostado em eventos inclusivos e dedicados aos mais novos.

Questionado sobre o futuro das corridas em formato virtual, Jorge Teixeira afirma que “as corridas virtuais não têm futuro, as pessoas querem as corridas normais, como nós as conhecemos, querem conviver, querem fazer turismo desportivo”.

No entanto, face à incerteza que ainda se vive sobre a situação que iremos estar a viver até ao final deste ano, o diretor da Runporto acredita que “alguns estrangeiros vão querer participar no evento de forma virtual porque pode ainda existir algum receio de viajar”.

As corridas virtuais são neste momento a solução, poderão continuar a ser uma parte da solução, mas logo que possamos regressar à estrada, as corridas virtuais morrem, obviamente

Analisando a recetividade dos atletas a esta alternativa, Jorge Teixeira revela que “por ser virtual há gente que nem sequer se inscreve, mas nós temos muitos milhares de pessoas que se inscreveram”.

Divulga ainda que é para essas pessoas que a Runporto continua a trabalhar.

Para terminar, Jorge Teixeira espera que seja possível o mais brevemente possível a realização dos eventos e “fazer milhares de pessoas felizes, porque as pessoas nos nossos eventos são, de facto, felizes”.

Visualize a entrevista.

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