FIM DO SONHO PORTUGUÊS NO CAMPEONATO DO MUNDO

Foto: IHF / Kloktiff

Portugal falhou a passagem histórica aos Quartos de Final do Campeonato do Mundo após derrota por 32-30 frente à Suécia, atual Campeã Europeia, em Gotemburgo.

Quinta participação em Campeonatos do Mundo para Portugal, sempre em crescendo e um duelo com a Suécia, atual Campeã da Europa, a separar os Heróis do Mar dos Quartos de Final, com acréscimo de ser disputado em território sueco, com 12 mil vozes a puxar no sentido contrário.

Era este o cenário que Portugal tinha pela frente para tentar fazer história, em que um empate seria suficiente.

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Profunda resiliência e inteligência defensiva por parte dos lusos

Duas bolas aos ferros nos primeiros ataques da duas equipas, uma defesa de Miguel Espinha correspondida por outra de Mikael Appelgren e uma exclusão madrugadora para Francisco Costa, marcaram os primeiros 5 minutos de um duelo que se perspetivava intenso entre os ambiciosos portugueses e os Campeões Europeus em título.

Em situação de inferioridade, o jovem promissor Eric Johansson deu à Suécia as primeiras vantagens (1-0 e 2-1) até Portugal voltar a ficar completo em campo.

Nessa altura, aos sete minutos, Victor Iturriza e António Areia, sem resposta contrária, contribuíram para o 2-3, colocando Portugal na frente pela primeira vez.

Seguiu-se um período de parada e reposta, pautado pela eficácia na sua maioria e com a equipa lusa a segurar a dianteira até aos 18 minutos.

Isto porque um parcial de 3-0 voltou a trazer os suecos para o topo do placar (9-8), o que motivou o primeiro pedido de time-out no jogo, em mais um momento de inferioridade de Portugal.

Foto: IHF / Kloktiff

Heróis do Mar saíram da paragem motivados

Os Heróis do Mar saíram da paragem motivados e então surgiu o empate a nove, pela mão do capitão Rui Silva que, por esta altura, levava já três golos e três assistências – curiosamente era esse o número de exclusões que Portugal já contabilizava no encontro, face a nenhuma da Suécia.

À entrada para os 10 minutos finais da primeira parte, duas defesas seguidas de Miguel Espinha (que igualava Mikael Appelgren com três intervenções), impulsionaram os Heróis do Mar na busca pelo golo da reviravolta… mas tal não aconteceu no imediato.

Uma decisão controversa fez com que Portugal ficasse a jogar com menos dois jogadores em campo, mas com uma profunda resiliência e inteligência defensiva por parte dos lusos, o que parecia fácil para a Suécia, virou o contrário e aos 24 minutos, festejava-se em português uma nova vantagem de dois golos (10-12).

No entanto, não fosse a Suécia a atual Campeã Europeia, os nórdicos recompuseram-se e voltaram a colocar tudo a zeros, ao 12-12, em cima dos 26 minutos e, sem grandes incidências de relevo até ao final, as duas equipas recolheram aos balneários com o marcador favorável a Portugal em 13-14.

Portugal falhou o objetivo do empate e de continuar no Campeonato do Mundo

Para a segunda parte as duas seleções trocaram os guarda-redes (entraram Manuel Gaspar e Tobias Thulin) mas os segundos 30 minutos não foram felizes para Portugal.

O primeiro golo luso aconteceu quatro minutos após o recomeço e foi a Suécia a entrar mais confiante e a voltar à liderança (17-16), aos 38 minutos, pela primeira vez desde o 10-9.

A tarefa dos Heróis do Mar começou a complicar-se pouco depois, quando os nórdicos assinaram um parcial de 4-0, finalizado aos 43 minutos, o que deu uns inéditos quatro golos de vantagem à Suécia (22-18), na sequência de um período de menor eficácia, ataques curtos e alguma precipitação, por parte de Portugal.

Paulo Pereira solicitou novo time-out e lançou o 7×6, que não viria a ter o efeito desejado: a margem de quatro golos passou a ser de seis (25-19), com algum azar à mistura nos ataques portugueses e com os jogadores suecos cada vez mais confiantes.

Mas o jogo não acabou sem que Portugal se transcendesse na busca pelo tão ambicionado empate e com uns impressionantes sete golos marcados, contra apenas dois sofridos, o marcador regressou ao mínimo, aos 54 minutos (27-26), quando apareceu o time-out sueco.

A reação lusa, no entanto, ficou condicionada por novo período de inferioridade à entrada para os últimos 10 minutos, traduzindo-se na sexta exclusão para jogadores portugueses e com a Suécia ainda com a folha em branco.

Até ao final, Portugal sentiu dificuldades e ressentiu-se do cansaço nos últimos minutos, falhando o objetivo do empate, que ficou à distância de dois golos, com o resultado final de 32-30.

“Só faltou mesma a vitória” Paulo Pereira

Paulo Pereira, selecionador nacional, não escondeu o orgulho na exibição dos Heróis do Mar contra – frisou – o atual Campeão Europeu e que, segundo o técnico, tem tudo para lutar pelo título mundial:

Eu acho que hoje falhou pouca coisa. Jogámos com o campeão da Europa, em casa, com este ambiente, só faltou mesma a vitória.

De resto, jogámos de forma excecional. Lutámos até ao fim e nunca perdemos de vista a possibilidade de, pelo menos, conseguir o empate para poder aceder [aos quartos de final].

Desta vez ficámos a dois golos, por vezes a um golo, nunca sabemos muito bem o que é que se passa, temos que continuar a procurar onde é que está o golo que falta.

Para mim o que conta e eu tenho que me centrar nisso, é que estamos a combater contra o campeão da Europa, em casa, e conseguimos fazer um jogo de um altíssimo nível.

Simplesmente não conseguimos vencer tendo em conta o valor que tem esta equipa da Suécia, que provavelmente vai ser campeã do mundo ou, pelo menos, vai andar a lutar por isso”.

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