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Jogo Online, 39 Mil Portugueses pediram para ser banidos

Os números, revelados num recente relatório emitido pela SRIJ – Sociedade de Regulação e Inspecção de Jogos – são impressionantes. 39 mil pessoas em Portugal realizaram um pedido de auto-exclusão entre 29 de Junho de 2015 e 30 de Junho de 2019. Só nos últimos 4 meses, 3,2 mil jogadores online pediram aos sites de casinos virtuais e apostas desportivas para ser activamente banidos, naquele que se revela um forte indício dos vários perigos que estão associados ao jogo a dinheiro online.

A percentagem de jogadores auto-excluídos em Portugal ultrapassa os 2,5%, sendo que 87,2% destes pediram para ser banidos por tempo indeterminado, enquanto que 12,8% escolheram ser excluídos durante um período de tempo pré-definido.
Os preocupantes dados emitidos pela Sociedade de Regulação e Inspecção de Jogos são um resultado residual do aumento do número de jogadores no nosso país, que não deu mostras de abrandar mesmo com a entrada em vigor de novas legislações nacionais visando os serviços de jogos de sorte e azar e apostas desportivas online que resultou no encerramento – provisório e definitivo – de mais de 408 sites e serviços operadores considerados ilegais.

Apesar da diminuição do número de serviços do género disponíveis, a Sociedade de Regulação e Inspecção de Jogos revelou que foram emitidas 3 novas licenças para actividade de exploração de jogos online, registando-se neste momento um total de 11 operadores licenciados em Portugal.

Jogo online é cada vez mais popular em Portugal

A proliferação do jogo online em Portugal não é novidade, e qualquer cidadão estará já acostumado a uma nova vaga de anúncios, patrocínios, e estratégias de marketing que visam todo o tipo de público alvo e que nos chegam através dos nossos computadores, televisões, e telemóveis. Estas medidas são levadas a cabo por vários operadores licenciados que têm apostado de maneira forte no mercado nacional. E não é para menos: Portugal é um dos países europeus onde existe um mercado mais favorável de apostadores, sendo que se registam neste momento quase 2 milhões de jogadores online no nosso país.

O poker, e em especial o formato mais popularizado do Texas Holdem Poker, é um dos jogos favoritos dos portugueses. O nosso pequeno país tem mais jogadores de poker do que outros países europeus bem mais numerosos, como a Espanha ou a França, sendo que hoje em dia mais de 50 cidadãos portugueses se dedicam a tempo inteiro ao jogo de casino. Segundo o jornal Diário de Notícias, existiam mais de 150 mil jogadores de poker portugueses em 2009. 10 anos depois, os números são bem superiores, e o jogo tem potencial para crescer ainda mais. Para além de cada vez mais serviços online, os casinos têm apostado em torneios cada vez mais competitivos e com prémios cada vez maiores. O WPT DeepStacks 2019, que decorreu no Casino Vilamoura ainda durante o mês de Setembro, disponibilizou um saque total no valor de 250 mil euros em prémios garantidos.

Jogo Online

Mas o poker não está sozinho. As famosas apostas desportivas, cuja actividade foi em grande parte catapultada por serviços como o Placard ou a BetClic, e que parecem assentar que nem uma luva num país repleto de fãs de futebol, contribuem de forma decisiva para os números relativos ao aparecimento de novos jogadores. Além disso, as máquinas de sorte – conhecidas também como slot machines – têm apanhado de assalto o mundo do jogo virtual, sendo um dos serviços mais frequentemente escolhidos pelos jogadores portugueses. Os jackpots presentes nestas máquinas de jogos virtuais podem frequentemente ultrapassar os 30 mil euros e, em casos pontuais, chegar acima dos 100 mil euros.

O jogo online comporta riscos superiores?

A questão parece ter uma resposta óbvia. Num momento em que os casinos reais apresentam quedas anuais superiores a 1%, ainda que alguns procurem activamente novos funcionários, a nova ameaça do jogo encontra-se online. O jogo online comporta os mesmos riscos do jogo em casino, mas pode ser ainda mais perigoso. As estatísticas relativas a jogadores auto-excluídos parecem apontar para um número suficiente de jogadores que foram longe demais, mas que foram suficientemente responsáveis para negarem a sua própria actividade de jogo. No entanto, este pode não ser o caso da grande maioria dos jogadores, cuja faixa etária principal se situa fundamentalmente em jogadores entre os 18 e os 35 anos de idade.

Os casinos ou sites de apostas virtuais estão disponíveis a qualquer momento através de um ou dois cliques, permitem acesso directo e imediato à conta bancária do jogador, utilizam estratégias de marketing e campanhas publicitárias de forma bastante intensiva e ainda insuficientemente administrada pelas autoridades competentes, e oferecem ainda bónus de depósito inicial que podem chegar a valores aliciantes, por vezes mesmo superiores a 1000 euros. Com este tipo de facilidade de acesso, incentivos, e manobra de jogo, os serviços online de apostas e casino virtual chegaram ao nosso país para ficar, e existem motivos para que se edifiquem determinados sectores sociais de controlo e análise destes novos – mas já altamente capitalizados – modelos de negócio.

Para já, resta ao jogador ser responsável, e procurar evitar pelos seus próprios meios a necessidade de auto-exclusão.

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