Manuel Mendes “Sozinho posso ir mais rápido, mas juntos chegamos mais longe”

Manuel Mendes na Taça do Mundo de Maratona IPC

Manuel Mendes

Manuel Freitas Mendes, de 45 anos, atleta do Vitória Sport Clube, foi o primeiro vimaranense a participar nos Jogos Paralímpicos, que se realizaram no ano passado, no Rio de Janeiro, entre 07 e 18 de setembro, estando convocado para participar na prova da Maratona (Classe T46), especialidade onde conquistou o ano passado o 4º lugar no Campeonato do Mundo IPC, realizado em Londres, com um tempo que lhe permitiu estar naquela que é a maior competição desportiva do mundo, os Jogos.

O atleta natural de Nespereira, Guimarães foi o terceiro classificado na maratona T46 com o tempo de 2h49m57s, ganhando a quarta medalha de bronze para Portugal, nos Jogos Paralímpicos do Brasil.

Com as quatro medalhas alcançada no Brasil, Portugal superou o número de medalhas obtido nos Paralímpicos de Londres 2012.

Manuel Freitas Mendes “Sozinho posso ir mais rápido, mas juntos chegamos mais longe”

– De onde surgiu esta vontade de correr?

R: A vontade de correr surgiu por influência de um tio da minha esposa que também corria, o Sr. José Pacheco Joalheiro.

– O que se passou quando tinha 9 anos? Esse incidente levou-o a ver a vida de forma diferente?

R: Infelizmente ou felizmente, aos 9 anos tive um acidente numa máquina agrícola, fruto disso a minha vida sofreu muitas alterações. O que na altura pareceu uma tragédia fez de mim aquilo que sou hoje. Quando olho para trás não sei se a minha vida estaria melhor ou pior.

– É atleta do Vitória Sport Clube há quanto tempo? Qual o peso do clube no seu percurso?

R: Sou Atleta do Vitória Sport Clube há 7 anos. Sinto o peso de representar um grande Clube como o Vitória, só quem sente o Clube como eu sinto é que percebe a sua grandeza.

Manuel Mendes na Gala Conquistadores do Vitória Sport Clube e na foto ao lada a medalha conquistada nos Jogos Paralímpicos.

– Sendo o primeiro vimaranense a participar nos Jogos Paralímpicos e por toda a visibilidade que tem dado à cidade de Guimarães, a mesma tem um enorme carinho por si. Como foi ser homenageado pela Câmara Municipal de Guimarães no mês de agosto de 2016?

R:  Para mim representar o clube e a Cidade de Guimarães foi uma sensação única. Eu costumo dizer que em Guimarães nem somos mais nem menos que os outros, somos diferentes porque amamos o que é nosso com todas as forças.  Senti que o clube e a cidade estavam ao meu lado enquanto corria no Rio de Janeiro, eu sentia essa força.

– Onde vai buscar força para enfrentar as grandes competições a que se submete?

R: Quando gostamos daquilo que fazemos a força surge naturalmente. O atletismo é um complemento da minha vida, da minha felicidade, é, portanto, muito fácil treinar com motivação e alegria.

– Foi de facto ter ficado em 4º lugar no Campeonato do Mundo IPC em Londres e com um bom tempo, que garantiu o seu lugar nos Jogos Paralímpicos. O que sentiu nesse momento?

R: Em Londres quando terminei a Maratona senti uma frustração muito grande porque julgava ter terminado em terceiro lugar, quando na realidade fui quarto. Mas depois de conversar ao telefone com o meu treinador Ricardo Ribas que me felicitou pelo lugar e marca alcançada, fiquei mais sereno porque afinal tinha garantido a ida para os Jogos do Rio de Janeiro 2016.

– Foi o terceiro classificado na maratona T46 nos Jogos Paralímpicos no Rio de Janeiro. Como foi a sua prestação? Se fosse hoje, faria algo diferente?

R: Ser terceiro medalhado nos meus primeiros Jogos Paralímpicos foi uma sensação incrível e indiscritível. Julgo que foi uma prestação recheada de sucesso e que correu como foi planeado com o meu treinador. Se fosse hoje voltaria a fazer tudo da mesma forma.

Foto de: Carlos Alberto Matos

– Qual a sensação de trazer a 4ª medalha de bronze para Portugal?

R: Para quem vai aos primeiros Jogos e termina a maratona com uma medalha, fica com uma sensação para a vida, nunca vou esquecer aquele 18 de setembro de 2016 porque foi um dia inacreditável.

– Sabia que ajudou a superar o número de medalhas obtidas por Portugal nos Jogos Paralímpicos de Londres em 2012?

R: Sim, sabia! Poder realizar algo pelo nosso país e fazer parte da historia é muito gratificante para mim.

– Sabemos que o Ricardo Ribas é o seu mentor. Como surgiu esta relação?

R: O Ricardo Ribas já não é só o meu treinador é também o meu amigo que desde o primeiro momento foi incansável, aconselhando-me e mostrando-me o que realmente tinha de fazer para me superar. Esta medalha é tanto minha como dele e também pertence ao meu grupo de treino que nunca olharam a esforços para me ajudar a preparar para as maratonas que tenho feito. “Sozinho posso ir mais rápido, mas juntos chegamos mais longe” este é o nosso lema e nossa força.

– Em que consistem os seus treinos e qual a duração dos mesmos?

R: Os treinos à base é “meter quilómetros” e fazer series. Quando me preparo para uma maratona treino todos os dias, mas quanto “ao número de quilómetros isto é segredo”.

– Já começou a treinar para a meia maratona de Amarante? Quais as suas expectativas para a mesma?

R: Bem! Já estou a treinar para campeonato do mundo IPC em Londres. A meia-maratona António Pinto – Cidade de Amarante insere-se no meu plano de treinos.

– Sente pressão por ir competir lado a lado com o seu mentor Ricardo Ribas e com a conceituada Dulce Félix?

R: Claro que não! Sinto é uma alegria muito grande por poder treinar com estes dois “monstros” do atletismo.  É muito gratificante poder treinar e aprender com estes fantásticos atletas e seres humanos, mas o meu grupo de treino também está recheado de pessoas incríveis

Grupo de Treino de Manuel Mendes

– Quais os seus sonhos e objetivos para o futuro?

R: O meu sonho é continuar a ser feliz junto da minha maravilhosa e compreensiva família que me apoia de corpo e alma. Nunca passei por cima de ninguém para fazer este trajeto de que me orgulho e é assim que quero continuar com tranquilidade, dedicação e uma paixão grande pelo atletismo. Penso que o meu livro ainda tem páginas em branco que eu quero continuar a escrever com coisas engraçadas.

Manuel Mendes e a sua família

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Texto de: Vera Pereira e Davide Pinheiro

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