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Maratona de Lisboa um cenário único no mundo!

A EDP Maratona de Lisboa é já considerada como uma das mais belas maratonas do mundo por entidades internacionais como a Forbes, o Huffington Post e American Express, que elegeram a Maratona de Lisboa como uma prova a não perder.

Partida da Maratona de Lisboa

Maratona de Lisboa como uma prova a não perder

Com início Cascais e meta instalada na simbólica Praça do Comércio, a Maratona de Lisboa tem um percurso 100% à beira mar/rio, oferecendo aos seus atletas um cenário único no mundo.

Prova oficial do calendário da Federação Internacional de Atletismo (IAAF) que conta com a presença de alguns dos melhores maratonistas internacionais.

Maratona de Lisboa

Este evento desportivo teve também mais 3 provas: EDP Mini Campeões com distância de 1,5 km, EDP Luso Meia Maratona com distância de 21 km e EDP Mini Maratona com distância de 8,5 km.

A prova é organizada pelo Maratona Clube de Portugal, clube que nasceu em 1989 pela mão de Carlos Móia, um empresário natural de Ovar com ligações à política e, mais tarde, ao dirigismo desportivo, no Benfica. Manuel Matias foi o primeiro atleta do clube, e o facto de ter ganho, logo no ano de estreia, a Maratona de Fukuoka, no Japão, deu grande impulso e promoção à recém-criada sociedade e à contratação de mais atletas para participarem em provas de estrada e corta-mato.

A 17 de Março de 1991 realizou-se a primeira edição da Meia Maratona de Lisboa. Três anos depois, foi realizada em paralelo a minimaratona, iniciativa inovadora e importantíssima quer no sucesso da prova, quer na adoção, pelos portugueses, de hábitos saudáveis de atividade física.

A 22 de Outubro de 2000, foi a estreia da Meia Maratona de Portugal, com a travessia da Ponte Vasco da Gama.

Maratona Clube de Portugal

O clube radicado em Oeiras tem tido, ao longo dos anos, alguns dos melhores atletas nacionais de meio-fundo e fundo nas suas fileiras, “fornecendo” muitos atletas à Seleção Nacional. António Pinto, Albertina Dias, Paulo Guerra, Ezequiel Canário, João Campos, Carla Sacramento ou, mais recentemente, Ana Dulce Félix, Sara Moreira, Jéssica Augusto que levantaram alto o nome de Portugal.

A Taça dos Clubes Campeões Europeus, de estrada e corta-mato, tem sido palco dos maiores sucessos, com presença permanente nos três lugares do pódio.

Em relação à edição desde ano, os vencedores foram:

Maratona de Lisboa

Maratona de Lisboa

• Andualem Belay Shiferan – 02:06:01
• Samuel Ndungu Wanjiku – 02:06:02
• Stephen Chemlany – 02:06:23

Maratona de Lisboa
Andualem Belay Shiferan

• Sechale Dalasa – 02:29:52
• Helen Jepkurgat – 02:29:58
• Gedo Sule Utura – 02:32:17

Sechale Dalasa

Meia Maratona de Lisboa

• Titus Ekiru – 01:00:13
• Timothy Toroitich – 01:00:54
• Thomas Ayeko – 01:00:57

Maratona de Lisboa
Titus Ekiru

• Peres Jepchirchir – 01:06:54
• Vivian Kiplagat – 01:06:56
• Dorcas Kimeli – 01:07:44

Maratona de Lisboa
Peres Jepchirchir

Meia Maratona de Lisboa

Ontem fui à missa noutra cidade, Lisboa. Participei na EDP Meia Maratona de Lisboa, 21 km, rumo à Maratona di Valencia – Travelmarathon!

Tudo começa com a viagem para Lisboa no sábado. De camioneta, debaixo de um dilúvio como não via há anos. A saída do Porto pela ponte do Infante fez-se debaixo de chuva torrencial, sem se ver nada e contente por estar ali dentro no quentinho e não lá fora no chuveiro.

Maratona de Lisboa
Andreia Ribeiro e Olinda

Foram 4 horas, com paragem em Aveiro e Figueira da Foz, alternando sol e chuva. Vinha descontraída a ouvir música e a ler. Cheguei a Lisboa eram 17h05 e já tinha à espera o meu “uber particular“, a minha amiga Olinda que me foi buscar.

Gostaria de agradecer toda a hospitalidade que me ofereceu em sua casa, paciência e amizade. A Olinda é atleta do Sporting, corredora como eu e medalha de bronze nos campeonatos europeus de veteranos, no seu escalão. Ela tem 79 anos, um exemplo!

Olinda Ivars

O levantamento do kit de participação era no Centro Cultural de Belém. Não tinha muita gente por isso foi rápido. Dorsal 11189. Escolhido o tamanho da t-shirt passo por uma banca com barras e géis vegan, a MuleBar Portugal. Fico curiosa, converso com os senhores e provo. Delicioso! Optei por levar um gel de limão e gengibre para experimentar.

Não deu tempo para passear em Lisboa por isso jantei cedo. Massa com frango, água, e duas bolachas como miminho. Já sei que atleta que se preza não bebe água, mas eu não gosto de álcool, que fazer?

Deitei-me cedo com o meu saco de cerejas quente para relaxar o pescoço. O doping ao seu melhor nível!

Foto: RUN 4 FFWPU

Toca o despertador

Domingo, 07h, toca o despertador. A missa era só às 10h30, mas quem cedo madruga Deus ajuda, pelo menos é o que diz o povo! Desta vez não houve indecisão de material a levar, optei pela bolsinha de cintura. Os abastecimentos seriam de 3 em 3 km por isso água não ia faltar. Comigo levei figos, tâmaras, marmelada e o gel de limão e gengibre. Tudo como dantes no quartel de Abrantes! O pequeno-almoço também não varia muito: pão com mel e queijo, uma banana, um copo grande sumo laranja e outro de água.

A Olinda foi-me levar ao Parque das Nações, de onde partiam as camionetas que levavam à partida. Sei que tudo tem que ser feito com antecedência, mas para uma prova que começa às 10h30 o último transporte ser às 09h, parece-me muito cedo. Perto das 09h30 já estava na Ponte Vasco da Gama. No autocarro meti conversa com 3 atletas que iam a conversar sobre se inscreverem na EDP Meia Maratona do Douro Vinhateiro. Parabéns Rita Santos e Elsa Silva pela companhia e pela prova.

Foto: RUN 4 FFWPU

Tiro de partida

Nem dei pelo tempo passar na conversa com elas! E assim, num ápice, ouço o tiro de partida. 2ª vez que faço esta prova, a minha 25ª Meia Maratona! Embora seja a 2ª vez nesta meia maratona é a 1ª vez que corro na Ponte Vasco da Gama pois no ano passado partimos do IC2.

Os primeiros 6 km são realizados na ponte. O 1º km tranquilo, a aquecer motores, entre o 2 e o 3 km a subir para testar o coração e as pernas e depois até aos 6 km a descer até ao 1º abastecimento.

Maratona de Lisboa
Equipa RUN 4 FFWPU – Foto: RUN 4 FFWPU

Lá pelo km 5 vejo o letreiro a indicar a A1 Norte e ainda penso “Hum, sigo para o Porto?” Mas não, continuei. Aos 6 km, o 1º abastecimento líquido, como uma tâmara, bebo toda a garrafa e sigo. Daqui a 3,5 km já há outro! Olho para a esquerda e vejo uma criança com um cartaz a dar força lembrando o Eliud Kipchoge e que não há limites para o ser humano. Não tenho as pernas dele, mas a vontade e a resiliência são as mesmas.

Passo a Estação Oriente, o Centro Comercial Vasco da Gama e mais uma criança a dar força. Confesso que estive para ignorar porque tinha o cachecol do Benfica, mas deixei a minha cor de parte e deixe-lhe mais 5!

Foto: RUN 4 FFWPU

Nem todos fomos talhados para correr

Chego ao 2º abastecimento, aos 9,5 km. Cubo de marmelada e mais uma garrafa de água. Os km vão passando e também os atletas. A cada obstáculo ultrapassado tenho mais consciência, que nem todos fomos talhados para correr e muito menos correr 21 km. Desde a ponte que encontro gente a andar, com dificuldade, a respirar em esforço, com excesso de peso. E quantos mais km faço, mais ficam para trás.

Não há vergonha nenhuma em não correr ou correr poucos km, mas há muitas vezes um sentimento de inferioridade que as pessoas sentem, se não conseguem realizar os feitos que outros concretizam. É tal a banalização de uma meia maratona que o importante não é chegar bem e pronto para um novo desafio meses depois, mas, sim, ostentar a medalha nas redes sociais, no trabalho, com os amigos, mesmo que para isso seja colocada em jogo a sua integridade física. O importante é ter escrito na testa “superação”, mesmo que nunca mais se volte a correr. 21 km pode não ser uma maratona, mas exige o mesmo respeito.

Foto: RUN 4 FFWPU

Sempre ao longo o rio chego aos 12,5 km e novo abastecimento. Há pouca gente a assistir. É pena que eventos desportivos que envolvem tantos atletas não inspire e motive mais pessoas a sair do sofá e fazer alguma coisa.

Nesta fase opto por experimentar o gel novo que trouxe. Não senti desconforto, é fácil de tomar e tem um sabor muito bom.

Vou passando mais atletas, alguns em visível sofrimento e ainda faltavam 9 km. Ao longe vejo a estação Santa Apolónia e a minha amiga Olinda a torcer por mim. Mais um abastecimento e aproveito a fruta para comer uma banana.

Foto: RUN 4 FFWPU

Já só faltavam 6 km

Já só faltavam 6 km por isso quase que sentia a meta. Chego ao Terreiro do Paço, muita gente a assistir, e ainda atletas da Maratona a chegar. Sigo em direção à Praça da Figueira, Rossio e Restauradores onde estava o penúltimo abastecimento.

A partir daqui e até aos 19 km era a subir. Quem vai de carro parece uma subida tranquila, mas para quem vai a correr e já leva 18 km nas canetas é puxado. Confesso que quebrei um pouco. Ia com 2 horas de prova e senti um pouco a subida.

Tive que andar uns metros para recuperar folego. Olho para o marquês ao longe e vou, a estátua fica cada vez mais perto, até que chego ao retorno. A descer, ganho um novo ânimo e alívio nas pernas. Faltam 2 km.

Não paro no último abastecimento, aos 20 km, e sigo, novamente pelo Rossio, Rua do Ouro e a meta está já ali.

21,30 km – 02h22, menos 10 minutos que no ano passado.

Andreia Ribeiro

25ª meia maratona que faço, mas sinto uma emoção como na 1ª vez que cortei a meta depois de 21 km no Porto. O coração bate forte, as pernas tremem e o orgulho não cabe numa medalha.

De medalha ao peito recebo um gelado. Mas estou de olho na banca da Mimosa que oferece Mimosa Proteína, o meu snack de eleição depois dos treinos. Tiro algumas fotos, ainda a pensar como correu esta prova. Bem até aos 16/17 km, quebra por volta dos 18 e ânimo renovado nos últimos 2 km.

Exagerei no ritmo nos primeiros km e paguei no fim. É importante esta consciência para fazer cada vez melhor. Na maratona não há 2ªs oportunidades!

Parabéns à organização pela prova.

Parabéns à organização pela prova. Uma das coisas que mais me agrada é haver abastecimentos de 3 em 3 km, é uma forma extra de motivação. Eu penso sempre numa prova longa em blocos e quanto mais pequeno for o caminho entre blocos melhor!

Obrigada Água de Luso pelo dorsal!

Não, não faço uma maratona abaixo de 3 horas, nem abaixo de 4 horas, mas faço uma maratona e chego ao fim! 42 km, uma distância que não está ao alcance de todos. E se faço em 5 horas, continua a ser um motivo de orgulho por todo o meu trajeto desde o sofá até às sapatilhas.

Maratona de Lisboa
Andreia Ribeiro

Pain makes you stronger, fear makes you braver and failure makes you better

Será que sou assim tão fraquinha? Fica a boca para o barulho e pensamento para reflexão!

Próximo desafio: ainda por decidir! EstrelAçor Ultra Trail Endurance ou Trail Santa Catarina – Famarunners, que dizem?

Texto: OPraticante.pt / Andreia RibeiroSapatilhas Pensadoras
Fotos: Maratona Clube de Portugal / RUN 4 FFWPU

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