O paradigma do exercício na Perda de Peso

Durante décadas o foco do estudo da perda de peso tem estado na procura da atividade ideal.

Texto: Frederico Abreu / Promofitness

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Luta contra a epidemia do excesso de peso

Que exercício? Que intensidade? Que volume?

Estas questões, com base no conhecimento da fisiologia humana, levaram-nos a crer em ideias que se têm provado falíveis e problemáticas na luta contra a epidemia do excesso de peso.

Permanece atual crença de que a forma ideal de diminuir a gordura corporal seria a adoção de exercício aeróbio de baixa/moderada intensidade e longa duração.

É um facto que a utilização de gorduras como fonte energética durante a atividade física com estas características (e até em jejum) aumenta dramaticamente, no entanto o que isso representa do ponto de vista crónico é contraditório.

O efeito real destas estratégias na diminuição da gordura corporal é quase nulo quando se considera uma dieta isocalórica.

A evidência emergente de exercícios de alta intensidade a mostrar resultados promissores redirecionou o ênfase para a análise do gasto pós-exercício através do EPOC (excesso post-exercise oxygen consumption).

Atividades de intensidade mais elevada, provocam um EPOC mais elevado, justificando potencialmente a perda de peso apesar do baixíssimo consumo de gorduras durante a realização destes exercícios.

No entanto, análises diretas deste consumo energético mostraram resultados muito pouco satisfatórios, isto é, acréscimos muito reduzidos à quantidade de kcal gastas nas horas seguintes à atividade.

Mais recentemente, o centro da investigação tem sido apontado ao estudo do Quociente Respiratório (QR) em repouso.

Este dado fisiológico é uma janela para a respiração celular no nosso organismo.

É possível com enorme exatidão conhecer qual o substrato energético a ser utilizado em qualquer instante, exercício ou repouso.

Apesar de ainda controverso, muita evidência tem surgido de que pessoas com um QR mais elevado em repouso (característico de maior consumo de hidratos de carbono) têm maior probabilidade de ganhar peso no futuro.

Foto: br.freepik.com

Desenvolvimento da obesidade

Muito recentemente uma equipa portuguesa mostrou, inclusivamente, que a capacidade de variar o seu QR com a alteração das atividades do dia a dia está associado com o desenvolvimento da obesidade.

Estes desenvolvimentos prometem um esclarecimento do papel do exercício e da prescrição do mesmo.

Atividades com capacidade de diminuir o QR em repouso (característico de um maior consumo de lípidos) de forma duradoura, têm o potencial de ser de facto um aliado poderoso no controlo do peso corporal, ou até na recomposição corporal (erradamente conhecida como “tonificação”).

Já conhecemos alguma coisa da relação dos diferentes tipos/intensidades de exercício com a diminuição do QR em repouso, resta-nos agora prescrever em conformidade e ajudar, mais ainda, a combater a prevalência do excesso de peso e obesidade.

Frederico Abreu

Bibliografia

1 – Laforgia, J., Withers, R. T., Shipp, N. J., & Gore, C. J. (1997). Comparison of energy expenditure elevations after submaximal and supramaximal running. Journal of applied physiology (Bethesda, Md. : 1985), 82(2), 661–666. https://doi.org/10.1152/jappl.1997.82.2.661

2 – Shook, R. P., Hand, G. A., Paluch, A. E., Wang, X., Moran, R., Hébert, J. R., Jakicic, J. M., & Blair, S. N. (2016). High respiratory quotient is associated with increases in body weight and fat mass in young adults. European journal of clinical nutrition, 70(10), 1197–1202. https://doi.org/10.1038/ejcn.2015.198

3 – Júdice, P. B., Sardinha, L. B., & Silva, A. M. (2021). Variance in respiratory quotient among daily activities and its association with obesity status. International journal of obesity (2005), 45(1), 217–224. https://doi.org/10.1038/s41366-020-0591-x

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