PORTUGAL LANÇA RAÍZES NO CORTA MATO PARA 2025

Corta Mato

Ruben Amaral - Foto: Sportmedia/FPA

A seleção nacional que participou nos Campeonatos Europeus de Corta Mato, que se realizaram em Bruxelas (Bélgica), lançou as bases para a representação portuguesa nestes campeonatos em 2025, ano em que Lagoa (Algarve) acolherá a competição.

Numa manhã que acabou por se apresentar em boas condições para as corridas, mas sem melhoria no piso (as provas de veteranos na véspera ainda tornaram o terreno mais pesado e a anulação das provas jovens durante a manhã não foi suficiente), os atletas portugueses, tal como muitos outros dos habituais atletas da frente, acusaram bastante a dureza do percurso e acabaram por não se destacar muito.

Ainda assim retemos dois nomes, que atingiram o top-15 da classificação: o sub-23 Ruben Amaral e a sub-20 (que ainda é sub-18!) Lara Costa.

Em termos coletivos, a equipa sub-23 masculina obteve um honroso sétimo lugar, prometendo bastante para o futuro, especialmente para Lagoa’2025, uma organização que teve alguns elementos em visita de trabalho neste Europeus.

Vejamos a prestação dos atletas portugueses, prova a prova.

Corta Mato
Lara Costa – Foto: Sportmedia/FPA

Lara Costa no top-15 das sub-20

A primeira prova da manhã foi destinada às atletas Sub-20, uma corrida que praticamente abriu a observação ao percurso e mostrou o que poderia suceder.

E, apesar de ser a primeira das corridas, o piso estava também já muito pesado.

Logo após o tiro de partida a britânica Innes Fitzgerald mostrou ao que ia. Com uma passada larga, cedo ganhou vantagem, que manteve e alargou até ao final, cortando a meta isolada, em 18m19s.

Mais para trás as portuguesas lutavam pelos melhores lugares e quem melhor se adaptou ao percurso foi mesmo a jovem Lara Costa (a campeã portuguesa sub-18).

Lara Costa conseguiu fazer uma corrida de trás para a frente, galgando lugares a cada volta, para terminar em 15º lugar, uma excelente posição para a atleta que em Portugal representa o Várzea.

Para ela “o objetivo era ficar muito perto das primeiras, melhorando o 47º lugar do ano passado.

Mas este 15º lugar é que eu não esperava. Consegui fazer esta prova, adaptar-me ao percurso, mas escorreguei várias vezes, especialmente na partida, em que quase caí”, afirmou Lara Costa.

Acrescentando que esta foi uma “boa aprendizagem, pois tenho ainda mais dois anos neste escalão e sei que vou ficar mais à frente no futuro.

Hoje tentei controlar a minha corrida, porque era 5 km e não estou muito habituada e o percurso era mesmo muito duro”.

A portuguesa cortou a meta em 15º lugar, com o tempo de 19.52 minutos, liderando a equipa, que terminou em 12º lugar.

Quanto às restantes portuguesas, Petra Santos foi 57ª (20.54), Stela Fernandes foi 60ª (21.16) e Diana Fernandes foi 69ª (21.57).

Lourenço Rodrigues – Foto: Sportmedia/FPA

Lourenço Rodrigues destaca-se entre os sub-20

A segunda prova da manhã foi a dos sub-20 masculinos.

Ao contrário da prova anterior, houve emoção mesmo até ao final da corrida com três atletas a lutarem pelas medalhas até praticamente ao final.

Houve mesmo um sprint final com o dinamarquês Axel Van Christensen a conseguir ultrapassar o neerlandês Niels Laros, um dos favoritos, para triunfar com um segundo de vantagem.

Quanto aos atletas portugueses Lourenço Rodrigues acabou por ser o melhor, em 34º lugar.

O meu objetivo era fazer o meu melhor para o coletivo, era esse o meu principal pensamento, não ser o melhor português.

Queria chegar na melhor classificação possível e na minha estreia acho que ficar no top-35 é bom e acaba por estar dentro das expetativas.

O percurso é muito duro, como se pode ver pela minha figura, todo enlameado.

Não era duro pelos declives, mas por esta lama alta, que nos obrigou a ter bicos mais compridos, num terreno ao qual não estamos muito habituados em Portugal”, disse o português que representa a Juventude Ilha Verde.

Portugal terminou em 13º lugar na classificação coletiva, para a qual contaram o referido Lourenço Rodrigues (34º, com 17m29s), Rui Mineiro (67º, em 18.28) e André Geada (79º, em 19.00).

André Barbosa nunca se sentiu bem, queixando-se das costas, sendo a segunda baixa da equipa, já que João Pedro Santos, adoentado, não seguiu para Bruxelas.

Inês Borba – Foto: Sportmedia/FPA

Solitária Inês Borba

A prova feminina dos sub-13 foi dominada integralmente pela britânica Megan Keith.

Campeã sub-20 há dois anos, vice-campeã sub-23 no ano passado, Keith não deu hipóteses às suas adversárias e venceu com a maior margem de sempre (quase um minuto e meio, sobre as restantes atletas).

Nesta prova Portugal só contava com Inês Borba, que terminou em 48º lugar (29m33s).

Para a atleta estudante nos Estados Unidos e que representa o Sporting, “senti-me um pouco sozinha, é verdade.

O crosse é muito de equipa. Como é muito exigente, o trabalho de equipa ajuda a manter-nos motivados.

Também o percurso é duro, mas é para todas.

Não estou habituada a tanta lama, não no sul da Europa nem nos Estados Unidos, por isso alterei a minha tática, começando mais atrás em corridas com muitas atletas.

Hoje acho que comecei muito para trás, mas ganhei muitos lugares até ao final e isso motivou-me para continuar”.

Corta Mato
Etson Barros – Foto: Sportmedia/FPA

Surpresas portuguesas nos sub-23 masculinos

A prova de sub-23 masculinos também foi emotiva até ao final com três atletas a lutarem pelas medalhas em disputa.

Apesar do francês Valentin Bresc (bronze no ano passado) ter dominado grande parte do percurso, o britânico Will Barnicoat acabou por se classificar na primeira posição graças ao sprint final muito forte.

Mais para trás a equipa portuguesa, que até começou muito bem nas primeiras voltas, especialmente com o campeão nacional Etson Barros no top, acabou por ter algumas reviravoltas no decorrer de competição.

De facto, Etson Barros quebrou bastante, perdeu muitos lugares, recuperou na última volta, mas tarde para um lugar de maior relevo.

Houve Ruben Amaral na falta de Etson Barros

Não houve Etson, mas houve Ruben Amaral. O atleta da Amadora, que representa o Sporting, acabou por ser o melhor português, integrando o top 15 (14º lugar).

Não estava à espera de ser o melhor elemento da equipa portuguesa, uma vez que estavam aqui bons atletas, especialmente o Etson, que habitualmente luta por medalhas.

Mas a verdade é que eu trabalhei muito este inverno, cheguei a ter treinos em Monsanto tão duros que eu olhava para os olhos do meu treinador e não via ali bondade, via apenas exigência, e isso acabou por resultar nesta posição e nesta classificação.

Posicionei-me bem no princípio da corrida, mas depois fui perdendo alguns lugares, porque estava com muito medo de cair e se isso sucedesse não tinha possibilidade de recuperar.

Felizmente mantive um ritmo certo, fui ganhando lugares até ao final.

Estou muito satisfeito”, afirmou o atleta no final, da corrida com Portugal a classificar-se em sétimo lugar, igualando a melhor classificação de sempre no escalão (obtida em 2009, 2010 e 2021).

Para este resultado de Portugal, para além de Ruben Amaral (14º, com 24m23s), pontuaram Etson Barros (31º, 24.50) e João Pais (32º, com 24.49).

Pedro Amaro não terminou.

Corta Mato
André Pereira – Foto: Sportmedia/FPA

Uma experiência que não ajudou os seniores

Antes da corrida masculina de seniores, na prova feminina, a norueguesa Karoline Grovdal destacou-se cedo e conseguiu o seu terceiro triunfo consecutivo, derrotando, com bastante avanço, a italiana Nadia Battocletti, a campeão sub-23 no ano passado.

Em masculinos, a prova desenrolou-se de forma diferente, e também foi decidida nos metros finais, com o francês Yann Schrub a derrotar o norueguês Magnus Tuv Myhre e o belga Robin Hendrix, com muitos dos favoritos a ficarem nem para trás.

Mais para trás, os portugueses tentavam a melhor classificação possível e André Pereira chegou a andar muito tempo no top 20.

Hoje a experiência que tenho nestas provas não me ajudou. Subestimei um bocado o percurso.

Arrisquei um bocado no início, porque me sentia bem e acreditava que era possível manter-me assim.

Contudo, houve uma altura em que não me senti bem e tive de abrandar o ritmo para voltar a sentir-me capaz.

Isso permitiu-me recuperar e ter mais forças para o final”, disse-nos André Pereira o melhor dos portugueses na competição.

André Pereira “A experiência não esteve do meu lado”

A experiência não esteve do meu lado. Deveria ter-me ficado pelos lugares entre o 25 e o 30 e depois estar mais forte no final, onde poderia ter conseguido um top 20, mas não foi assim”, disse-nos o atleta que, como mais experiente dos portugueses, afirmou estar contente com os resultados de uma forma geral.

Tivemos alguns resultados surpreendentes, de jovens que se prepararam bem, num corta-mato muito difícil, em percurso e dureza à qual estamos pouco habituados, muito diferente do que encontramos em Portugal”.

No final, em termos coletivos, Portugal fechou em 10º lugar.

André Pereira (28º, com 31m15s), Miguel Moreira (34º, com 31.25) e Alexandre Figueiredo (57º, com 32.23) pontuaram para a equipa portuguesa.

De fora da pontuação ficaram João Pedro Pereira (58º, com 32.28) e Duarte Gomes, que não terminou a corrida.

Resultados completos na página oficial da prova.

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