Quenianos dominam a Meia Maratona do Porto

Quenianos

As margens do rio Douro nas cidades do Porto e de Vila Nova de Gaia engalanaram-se este Domingo (17) de colorido e animação para receberem a 11ª Meia Maratona do Porto Sport Zone.

Meia Maratona do Porto Sport Zone

A prova que já tem uma longa tradição no calendário de atletismo nacional com sua partida na Av. Paiva Couceiro (em baixo da Ponte do Freixo) teve sempre o rio Douro como companhia.

Ao longo do trajecto em Vila Nova de Gaia destacou-se a passagem no Cais de Gaia rumo à Afurada.

No percurso portuense, o destaque era da passagem no túnel da Ribeira, na Alfandega e no Cais das Pedras rumo à meta no Jardim do Calém (Fluvial).

A união entre estes percursos foi feita como é claro, através daquela que é ligação mais emblemática entre as duas cidades, a ponte D. Luís I.

A complementar a prova principal esteve ainda a tradicional mini maratona de seis quilómetros para aqueles que desejavam fazer uma atividade mais vigorosa e uma caminhada com a mesma distância para aqueles que queriam apenas se deliciar com a paisagem do rio Douro.

Prova com grandes nomes a nível nacional e internacional

Um evento de excelência como a Meia Maratona do Porto não podia deixar de apresentar um elenco de atletas de grande valia para a prova que se pode dividir em duas competições, a nacional e internacional

No que respeita aos talentos nacionais, a competição feminina tinha como destaque as presenças de Sara Moreira, do Sporting C. P., Catarina Ribeiro, Salomé Rocha, Vera Nunes e Mónica Silva do S.L. Benfica e Doroteia Peixoto dos Amigos da Montanha.

No sector masculino, o foco estava em Rui Pedro Silva e José Moreira do Sporting C.P., Daniel Pinheiro, do Maia A. C. Miguel Ribeiro do Olímpico Vianense e Jorge Santa Cruz do Sporting Clube de Braga.

A grande expectativa para a prova estava nos talentos internacionais que a organização iria apresentar e esta não deixou os seus créditos por mãos alheias e apresentou um bom naipe de atletas.

A nível masculino, apresentaram-se na linha de partida, cinco atletas com recorde pessoal abaixo da hora.

O marroquino Aziz Lahbabi (59:25) e os quenianos Matthew Kisorio (58:46), Abraham Kiptum, Joel Kimurer (59:36) e Emmanuel Mutai (59:52). O foco estava em Mutai que para além deste recorde tinha como credencial o quarto melhor tempo de sempre na maratona com 2:03:03 em Berlim, em 2014.

O objectivo destes atletas seria certamente bater o recorde da prova nas mãos de eritreu Zersenay Tadese com 59:30 obtido em 2011.

O elenco feminino internacional não foi tão elevado como o masculino e apresentava duas grandes candidatas à vitória com as quenianas Vivian Kiplagat (01:09:05) e Monica Jepkoech (01:09:12), O recorde da prova estava era de 01:10:23 que foi obtido pela queniana Alice Mogire em 2012.

Animação não faltou

Prova decorreu perante boa moldura humana e com boas condições atmosféricas

Ao contrário da edição do ano passado em que o calor se fez marcar de uma forma elevada, a prova deste ano decorreu numa típica manhã de final de Verão com a temperatura a rondar os 18 graus e com o sol a dar o ar da sua graça perante algumas nuvens. A prova decorreu sem vento o que ajudou em muito os atletas.

Correr por entre as margens do Douro e perante ruas que são património cultural da humanidade é sempre desafiante.

Alguns segmentos da corrida podem ser algo duros para os atletas de pelotão, os segmentos de pavé junto ao cais de Gaia e na zona da ribeira do Porto podem massacrar os pés, as subidas junto à Afurada de Gaia podem levar a quebras de ritmo.

A principal queixa do percurso por parte dos atletas é o facto de se ter de repetir a passagem na maioria do percurso mas no geral a Meia Maratona do Porto faz-se sem problemas de maior e sempre com alegria dado o grande apoio popular que toma conta de certas partes do percurso.

Atletas quenianos dominam pódio masculino

Como esperado, os atletas africanos dominaram a seu bel-prazer a prova e deram um grande espectáculo com a corrida a ser discutida até aos metros finais e em sprint final por três atletas quenianos Abraham Kiptum, Marius Kimutai e Leonard Langat que estiveram sempre juntos toda a prova.

O grande vencedor da prova foi Abraham (1:00:06). Na segunda posição ficou Marius Kimutai (1:00:07) e na terceira posição Leonard Langat (1:00:08). Ou seja apenas dois segundos a separar os três primeiros classificados.

Com esta marca, Abraham Kiptum obteve o segundo melhor resultado da carreira e é de ter em conta que é o seu primeiro ano a competir na distância.

Foco ainda para Marius Kimutai que obteve um novo recorde pessoal com esta marca obtida na Meia Maratona do Porto.

José Moreira – Sporting Clube de Portugal

No que toca ao “campeonato nacional”, o grande vencedor foi José Moreira do Sporting C. P. (01:07:14) que terminou em 14º lugar, sendo seguido por Miguel Ribeiro do Olímpico Vianense (01:07:16) e Daniel Pinheiro do Maia A. C. (01:07:20).

Recorde feminino da prova batido por um minuto

Como mencionado em cima, a presença de atletas femininas africanas de valia não era tão extensa como a de atletas masculinos mas as que marcaram presença faziam crer que o resultado final seria de enorme valor e de facto isso confirmou-se.

O recorde feminino da Meia Maratona do Porto foi batido.

A disputa da vitória foi entre as quenianas Monica Jepkoech e Vivian Kiplagat que a partir do quilómetro quinze de prova se marcaram até à recta final da meta e aí a mais forte foi Monica Jepkoech (01:09:23) que bateu por três segundos Vivian Kiplagat (01:09:26).

Em abono da verdade, as duas primeiras classificadas bateram o recorde da prova.

A fechar o pódio feminino esteve Antonina Kwambai, (01:11:52).

Monica Jepkoech volta a vencer a prova que já havia ganho em 2015.

No que diz respeito à competição feminina nacional e devido ao menor número de atletas africanas, obteve melhores resultados que os atletas masculinos.

Carla Salomé Rocha

Carla Salomé a melhor portuguesa

O destaque vai para o sexto lugar de Carla Salomé Rocha (01:14:45), seguida por Ana Mafalda Ferreira do Sporting C. P. (01:14:59) e Vera Nunes do S. L. Benfica (01:15:12).

Foco ainda para a décima posição de Mónica Silva do S. L. Benfica, Doroteia Peixoto dos Amigos da Montanha na décima primeira e Solange Jesus do Sporting C. P. em décimo quarto lugar.

Em resumo, os atletas quenianos tanto a nível masculino como feminino dominaram por completo a 11ª edição da Meia Maratona do Porto Sport Zone e preencheram por completo os dois pódios.

Acrescente-se ainda que no setor masculino todo o top 10 da prova foi para o Quénia e no sector feminino os quatro primeiros lugares.

Vencedores por escalão

Quanto aos vencedores por escalão, na vertente masculina estes foram Abraham Kiptum (M20), José Moreira do Sporting C. P. (M35), José Carvalho do Clube Académico De Mogadouro (M40), Antonio Sousa (M45), António Fernandes do Acr Vale De Cambra (M50), Joaquim Silva do Isag (M55) e Pedro Terra do Campismo S. João Da Madeira (M60).

Na vertente feminina foram Monica Jepkoech (F20), Vera Nunes do S. L. Benfica (F35), Paula Rios Marques (F40), Lucinda Moreiras do Amigos Do Campo Redondo (F45), Lídia Pereira do Gdr Da Granja – Trutas Do Mau (F50), Rosa Pinto do K.M.A. (F55) e Conceição Grare do Porto Runners (F60).

Prova com alguns pormenores de organização que terão de ser corrigidos

A 11ª Meia Maratona do Porto Sport Zone teve um total de 4756 finalizadores, um valor inferior aos dos dois últimos anos que tiveram 5.285 e 5.196 respectivamente.

Esta foi a Meia Maratona do Porto Sport Zone com a sua terceira melhor afluência de atletas.

A entrega dos dorsais aconteceu nos dois dias anteriores à prova na Alfandega do Porto e onde teve lugar uma exposição com marcas desportivas e outras marcas associadas ao atletismo.

A organização da exposição esteve impecável sem grandes demoras para se levantar os dorsais e sempre com staff simpático e atencioso.

Para os atletas que querem participar na prova e não tem como se deslocar para a partida a organização disponibilizou transportes a partir do centro da cidade do Porto e a partir do local de chegada.

Os transportes facultados pela organização

No local de chegada funcionou ainda o serviço de guarda-roupa.

Neste último local, as filas para os transportes tinham alguma extensão.

Principal ponto negativo na organização

O principal ponto negativo na organização foi reduzido número de WC`s na partida.

Numa prova com uma envergadura deste tamanho ter pouco mais que dez WC`s não é compreensível e assim longa foi a espera para quem queria usar essa valência e não foi de estranhar ver em muitas ruas e becos adjacentes muitos atletas a fazerem as suas necessidades contra a parede.

Os abastecimentos da prova que aconteceram a cada cinco quilómetros foram adequados e suficientes com água, isotónico, marmelada e gel.

Porém em algumas foi notória a descoordenação de quem estava nos abastecimentos.

Em suma, organizar uma prova com esta envergadura requer uma grande exigência de meios e portanto nem sempre se pode agradar a todos os presentes, mas no geral foi uma prova que decorreu sem grandes falhas e é o que se exige a uma prova do gabarito e reconhecida internacionalmente como é a Meia Maratona do Porto!

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Texto: Nuno Fernandes
Fotos: Runporto

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