Ricardo Dias, um Campeão na vida e no desporto

Ricardo Dias

OPraticante.pt entrevistou Ricardo Dias, um Campeão na sua carreira desportiva, que neste momento é um dos que luta diariamente contra o COVID-19.

Ricardo Dias um Campeão com objectivos por concretizar

Ricardo Dias, 35 anos de idade, militar de profissão, 1° Sargento do exército Português, a prestar serviço no Regimento de Transmissões do Porto, natural de uma freguesia chamada Forjães no concelho de Esposende, atualmente a viver na freguesia de Castelo de Neiva, freguesia vizinha mas do concelho de Viana do Castelo.

Militar de profissão, continua a trabalhar, como nos disse “A instituição militar também teve que se adaptar, sem deixar de servir os portugueses nesta altura de estado de emergência, como se tem visto na comunicação social.

Aliás nós os militares existimos para situações como esta, ir para a guerra e combater! Este inimigo é invisível, é mais difícil mas estamos na luta e empenhados a ajudar os soldados que somos todos nós a ganhar esta guerra.

Apesar de tudo, tenho que dizer que este pesadelo que apareceu nas nossas vidas vai fazer de nós muito diferentes, para melhor.

Vamos ter que definir melhor as prioridades, o futuro será diferente, e será visto com outros olhos devido ensinamentos adquiridos nesta altura, com esta pandemia.

 

Ricardo Dias que modalidades praticaste e praticas?

Ricardo Dias – Eu comecei a particar desporto de uma forma natural através do Desporto Escolar, nunca pensei ser atleta, mas a vida dá muitas voltas.

Fui federado, no futebol, no Basketball e depois atletismo, a primeira modalidade que pratiquei foi o futebol, tendo iniciado aos 11 anos de idade no Clube da minha terra ( Forjães Sport Clube), mais tarde pratiquei basketball.

Depois por incentivo de um professor que impulsionou o desporto escolar naquela altura na escola onde eu andava, comecei numa primeira fase dedicado ao lançamentos (peso e dardo), porque era gordinho e depois seguiram-se os corta-matos que se fazia na escola, onde comecei a obter bons resultados.

Por influência de alguns amigos, por variadíssimas razões, deixei de praticar futebol e escolhi em 1998 o atletismo até aos dias de hoje.

Rapidamente no desporto escolar, fui campeão distrital e nacional duas vezes pela minha escola e fui representar Portugal ao campeonato do mundo a Marrocos, Marraquech em 2000, e tudo começou aqui, a mudança na minha vida.

Considero que o desporto escolar na altura, foi fundamental para o meu crescimento enquanto pessoa, é fundamental as atividades extracurriculares para as crianças, porque no desporto aprendes valores fundamentais que nos vão ajudar para a vida toda, o desporto é uma verdadeira escola de virtudes.

Como foi a tua evolução no atletismo, que Clubes representaste ?

Ricardo Dias – A minha evolução, foi uma evolução natural.

Comecei a fazer as provas do calendário nacional. Iniciava a época em Setembro, e fazia a pré-epoca com treino direcionado para corta mato, depois pista coberta e Pista ar livre, nas distâncias de 800, 1500, e 3000. Fazia milhas e algumas provas de estradas do respetivo escalão.

Eu tive a felicidade de representar os melhores clubes portugueses de atletismo.

Comecei no desporto escolar e também fiz algumas provas por uma associação da minha terra ACARF (Associação Cultural Artística e Recreativa de Forjães), mas o meu primeiro clube oficial foi:

SIRA ( Sociedade Instrução Recreativa Aldreense) / CAOV ( Clube de Atletismo Olímpico Vianense) / Sport Lisboa Benfica / Maratona Clube de Portugal / Grupo Desportivo da Conforlimpa / CUAB (Clube União Artistica Benaventense) / Sporting Clube de Portugal;

Ricardo Dias em representação do SIRA – Sociedade Instrução Recreativa Aldreense

Atualmente, iniciei um projecto num clube da minha freguesia, onde sou residente já a alguns anos, o Grupo Desportivo Castelense.

Em todos os clubes por onde passei, ganhei títulos e consegui sempre ser útil, que é muito importante.

Qual foi o ponto alto da tua carreira e o que significou para ti?

Ricardo Dias – Na minha carreira, tenho alguns grandes objetivos, sonhos para o qual trabalho afincadamente todos os dias para os concretizar, e alguns já foram concretizados.

Ricardo Dias

Ser campeão Nacional colectivamente e individualmente são grandes feitos, principalmente com camisola do Sporting do qual me orgulho muito.

Tive o privilégio de estar nos 4 campeonatos nacionais de corta mato, e em dois na estrada pelo Sporting.

Ter ido ao pódio individualmente num campeonato nacional de corta mato, a prova mais importante do calendário nacional, ter passado e ter estado com muitos grandes atletas em todos os clubes por onde passei foi extremamente gratificante.

Ser campeão Nacional individual de 10.000m na pista foi extraordinário, recompensa do muito trabalho, muitos sacrifícios destes anos todos, esse título culminou com a possibilidade de representar Portugal num evento extraordinário que foi a taça da Europa em Londres com um ambiente extraordinário.

Ricardo Dias

Sempre acreditei que um dia ia chegar a minha vez.

 

Com o COVID-19 todos os atletas têm visto a sua prestação / treinos afectados, como estás a lidar com a situação ?

Ricardo Dias – O COVID-19, veio adiar e alterar muita coisa. Temos como toda a gente nos reinventar.

Tinha grandes objetivos para mês de março, um foi cumprido, que foi o nacional militar de forças armadas e forças de segurança, que tive a felicidade de voltar a ganhar que foi logo no inicio de março.

Aquele que mais tive pena de não fazer foi o nacional de corta mato, estava em super forma. Sempre fui atleta de querer estar nas grandes competições com os melhores e os nacionais são as grandes competições em Portugal.

Tenho um grande sonho que é continuar a lutar pelo título de campeão nacional de corta mato, que apesar de estar num clube com menor dimensão só aumentou a minha ambição em o concretizar.

Imaginem se acontecer com a camisola do Grupo Desportivo Castelense

Ricardo Dias – Às vezes digo, ser campeão com a camisola do Sporting foi extraordinário, imaginem se acontecer com a camisola do Grupo Desportivo Castelense, acima de tudo será um prémio todos aqueles que me apoiam. Eu acredito!

Mas falando deste período, não tem sido fácil, contínuo a treinar com regularidade, sempre seguindo os conselhos e diretrizes da DNS, que passa por treinar sozinho na área da minha residência.

Tenho o privilégio de viver numa zona fantástica, perto da praia com muitos campos agrícolas onde tem permitido continuar a treinar.

Claro que não treino com mesmo qualidade e quantidade, porque nesta fase não é necessário porque não sabemos quando vamos voltar a competir, e mais importante tempos de proteger a nossa saúde, e treinar muito faz de nós pessoas mais débeis e propícias a ficar doentes, que nesta altura temos que evitar ao máximo.

Essencialmente, treino o mínimo para me manter ativo. Aproveito nesta fase para fazer outros tipos de treino que até aqui não fazia por falta de tempo, ( Reforço Muscular, treino de Core).

Para me manter motivado no treino, uma vez por mês tenho planeado testes para simular a competição. No íncio do mês fiz um teste de 5000.

Como têm sido conciliares a tua profissão e o desporto ?

Ricardo Dias – É muito difícil, só consigo com a ajuda da minha família.

Mas eu escolhi ser militar com um objetivo, ter a oportunidade de poder ser atleta. Nem tudo foi um mar de rosas, mas ainda bem que fiz esta escolha. Tenho uma vida muito cansativa mas estável, quando quero preparar grandes objetivos meto as minhas férias para preparar as competições.

A vida militar no início é complicado mas com o tempo construímos o nosso próprio estatuto. Faço a minha função, aliás já estive numa missão militar e paralelamente, já fui campeão do exercito 11 vezes, e campeão nacional militar das Forças Armadas e forças de segurança, tanto em estrada como no corta mato 7 vezes.

Ricardo Dias

Ricardo Dias “A maior experiência desportiva que alguma vez estive”

Tive a oportunidade de estar num mundial militar de corta mato, e numa corrida da Nato, a representar as Forcas Armadas onde fui 2º classificação.

O ponto mais alto foi por ter estado nos Jogos Mundiais Militares na China, na cidade de Whuan, em outubro de 2019, a cidade onde esta pandemia começou, foi a maior experiência desportiva que alguma vez estive.

Os chineses a organizar eventos não facilitam, e estes foram absolutamente brutais, há imagem dos jogos de Pequim, estiveram 109 países e 10000 atletas.

Ricardo Dias

A nível de instalações e infraestruturas foi tudo construído de propósito para estes jogos, aldeia dos atletas, campos de futebol…etc etc. Foram investidos muitos milhões de euros nestes campeonatos. Em termos de qualidade e quantidade foram os melhores campeanatos militares da história.

Nem nos meus sonhos pensei que alguma vez estaria num evento destes. Depois estiveram lá muitos dos melhores atletas dos mundo porque muitos são militares. Foi absolutamente brutal.

Isto tudo, dá um certo estatuto, que acaba por me ajudar no dia a dia na minha unidade, onde consigo fazer pelo menos 1 treino na hora de treino físico da unidade. Consigo conjugar as minhas funções com os meus treinos, tenho que me adaptar, e nunca prejudicar o meu trabalho.

Depois tenho uma família fantástica, determinante neste processo, que muito ajuda para conseguir os meus objetivos, corra bem corra mal, estão sempre lá para me apoiar, e isso é um grande conforto.

Ricardo Dias

Que objectivos tens a médio e longo prazo ?

Ricardo Dias – A curto prazo, desejo que está situação passe, com o maior sucesso possível, com poucas mortes acima de tudo.

Na vertente desportiva, tive a sorte de conviver com pessoas que me incentivaram e educaram que a vida sem objetivos é como um jardim sem flores. Como tal, tenho muitos objetivos, e é isso que me alimenta, e não é só no desporto.

A curto prazo no desporto tenho alguns, um já foi referido que é ser campeão nacional corta mato, o outro é poder estar na luta pela qualificação Olímpica na distância da maratona. Tenho as pessoas certas a meu lado, e mais importante tenho uma enorme vontade de lutar por esse sonho, vamos ver o que acontece.

De uma coisa é certa, não vou deixar de lutar.

Ricardo Dias

Aprendi que na vida nada é fácil e tudo é possível. Sou fruto do trabalho e de muita dedicação, a mim nunca ninguém me deu nada, foi tudo conquistado a pulso. Passei por momentos duros e difíceis, mas também por momentos bons e felizes, no qual me orgulho e que fazem de mim uma pessoa muito feliz.

Quero aproveitar para agradecer ao vosso projeto por esta oportunidade de poder falar da minha humilde carreira, o meu obrigado.

Página de Ricardo Dias.

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Texto: Henrique Dias – OPraticante.pt
Fotos: Cedidas pelo Ricardo Dias

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