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Coluna Dto
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Coluna Esq
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Trilhos de Mértola – A loucura das paisagens mediterrânicas

Realizou-se no dia 5 de março a segunda edição dos Trilhos de Mértola. O dia começou com um Check-in rápido e eficaz com quatro mesas de atendimento em função do número de dorsal. Quem não soubesse o número de dorsal, como eu, só tinha de dizer o nome e rapidamente aparecia o saco de material da prova.

Uma receção “de chorar por mais”

A prova teve início às 09h15 como previsto no Regulamento de Prova, mas antes, dentro do pavilhão tivemos direito a diversas mesas com comida variada: bolos caseiros, biscoitos, pão, chouriço (que era uma maravilha), queijo (de chorar por mais), pãozinho alentejano, café à discrição, sumos e água. Estive quase a ficar-me logo por ali com os pés debaixo da mesa e a deixar a corrida para outro dia. Mas pronto, já que tinha ido até ali…

Hora da partida, na meta faltava alguma animação – música gravada, grupo de Cante, bombos – enfim, alguma coisa que desse um ar mais festivaleiro à prova. Aparentemente foi dada prioridade à eficiência funcional da organização e da prova, o que foi plenamente conseguido, em detrimento da animação. O facto de a meta ser no exterior e tudo o resto no interior do pavilhão, fez que houvesse uma dispersão dos atletas perdendo-se o efeito de multidão do evento.

A Belíssima paisagem mediterrânica com mato rasteiro de meia altura, boas perspectivas sobre o Guadiana e Mértola.

O percurso tem início com uma passagem fugaz pelo núcleo urbano da vila com uma saída rápida para o Guadiana a que se segue um contorno da vila por Sul e Oeste em direção à EN 122 que atravessamos em direção ao morro da Ermida N. Srª Neves. É pena que o mesmo percurso genérico não se mantenha, mas dentro das belíssimas ruas da Vila com contorno pelo interior das muralhas nascente e Sul com subida à Igreja Matriz e então descida em direção ao atravessamento da EN122 pela Alves Redol. Ou, melhor ainda, e se viável, depois da Igreja Matriz uma entrada no Castelo com saída do mesmo pela porta poente junto à torre de menagem (ups, estou-me a esticar, não sei se esta porta está funcional nem sei o que há do outro lado… mas se em tempos lá puseram uma porta, deve haver qualquer coisa…). Este “pequeno” aquecimento vertical seria uma boa introdução ao que nos espera a seguir…

E a seguir subimos ao morro da Ermida para descermos em direção à ponte sobre o Guadiana. Até aqui fomos sempre recebendo indicações do pessoal da organização, facilmente identificáveis com os seus impermeáveis laranja Trilhos de Mértola (toque bonito) e corte de estradas feito pela GNR que também fez um excelente trabalho dentro e fora da Vila.

Do lado de lá do Guadiana começamos a subir. Até onde? até ao fim… enquanto os primeiros 5 km foram em 35 minutos, o que não é mau tendo em conta a subida para a Ermida, já os 5 km seguintes levaram 44 minutos a conquistar. E isto inclui 1 km de areia pela margem do Guadiana. Mas até aqui, tirando um rochedo que não se desviou à minha passagem (não se sabendo porquê, já que a coisa estava ali parada a ver-me em aproximação…) e que paguei com uma nódoa negra no braço, tudo a correr bem. A subida (já referi que havia muitas?) com que abandonamos a margem do Guadiana é feita ao longo de um barranco que desce (enquanto nós só subimos) até ao planalto da margem Leste. Esta passagem por barrancos diversos foi adoptado pela organização para evitar os estradões agrícolas (em zonas mais planas) e assim contribuir para a dureza da prova em adição a uma paisagem mais selvagem. Excelente portanto, parabéns ao pessoal de Mértola.
Pelo km 12/13 passamos pela aldeia de Fernandes em direção a Monte Alto… o nome não podia prenunciar nada de bom…
Aqui a única falha de marcação de percurso (que esteve a 250% em todo o resto do percurso): a marcação era feita no alcatrão com spray de tinta bordeaux que se via mal e que não estava indicado como pertencendo à prova. Valeu-nos um dos membros do Conselho de Administração da paragem do autocarro, que todas as nossas aldeias têm, que nos mandou em boa direção.

O litro de água que eu tinha levado às costas estava a acabar, o isotónico estava a 3/4 mas como estávamos a chegar ao Ponto de Abastecimento dos 15 km, tudo estava como previsto… menos o PA dos 15 km que só apareceu aos 17 km (já o PA dos 6,5 km estava lá matematicamente no local previsto).
Não sei se já mencionei alguma subida que tenha havido no percurso até aos 15 km… é que a partir daqui vai ser sempre a subir. Mesmo quando estávamos a descer… uma olhada no Google Earth mostra que o terreno entre os 5 e os 15 km tem algumas zonas razoavelmente planas, que a organização laboriosamente evitou. A partir do km 15, a norte da EN 265, a coisa muda de figura. Peguem numa folha de papel, amachuquem-na numa bola bem redondinha. Agora ponham a percorrer todas as rugosidades da bola de papel uma formiguinha. Ponham na formiguinha umas sapatilhas de cores faiscantes e uma mochila de hidratação às costas. Somos nós nos Trilhos de Mértola entre os 15 e os 25 km.

Em termos de tempos, dos 15 aos 20 km demorei 45 minutos (um tempo honesto para o bípede em causa) mas dos 20 aos 25 km demorei 1h06… o que só é um tempo honesto porque o bípede em causa já não conseguia fazer melhor. Entre os 20 e os 25 km estivemos sempre a ver a meta. Até ouvíamos o speaker e tudo. Era “já ali”. Do outro lado do Guadiana. “O acesso à ponte deve ser já depois desta subida”… não era. Nem da próxima. Nem da próxima… durante 5 longos quilómetros… do melhor.

E, cereja no topo, ainda consegui subir 6 lugares na classificação nestes últimos 5 km (não, não atirei ninguém da ravina abaixo, eles estavam mesmo mais derreados que eu).

Ao km 25 lá apareceu a tão desejada ponte sobre o Guadiana (se estivesse nevoeiro eu era capaz de lhe chamar Sebastião) onde, “hélas”, perdi 2 posições na classificação. Eles (na verdade ele e ela) tiveram mais perninhas que eu.

“As melhores marcações que já vi”

As melhores marcações que já vi. Tirando dentro de Fernandes e Monte Alto em que a tinta no asfalto não foi grande ajuda, se para o ano utilizarem só metade da fita ainda consegue ser uma marcação exemplar.

Os abastecimentos

Primeiro PA cientificamente posicionado aos 6,5 km anunciados.
Segundo PA anunciado para os 15 km mas estava aos 17 km.
A distância real entre eles (10,5 km) é perfeitamente aceitável para uma prova destas, o desvio de 2 km do 2º PA é que é excessivo.
Uma nota para os participantes: 10 km entre postos é normal numa prova de trail em semi autonomia como esta. O que não é normal é não se levar abastecimento de água, isotónico, gel, barra energética ou sandes de presunto e couratos, o que vos souber melhor, e depois reclamarem que os abastecimentos estavam muito afastados. A distância entre os PA está indicado no Regulamento da Prova, ninguém pode alegar desconhecimento.
Se vão fazer uma prova destas em mais de 2 horas, pelo menos levem ÁGUA. Sem o resto podem passar, mas sem ÁGUA o corpo PÁRA e podem lesionar-se seriamente ao nível dos órgão internos (nesta altura as cãibras por desidratação vão ser o menor dos problemas). Se fazem uma prova destas em menos de 2 horas provavelmente não são humanos e não sei o que vos sugira.

Abastecimento bastante honesto na variedade: laranjada, cola, água, barra energética, marmelada, fruta, isotónico (não deu para todos os atletas) e é possível que houvesse mais coisas mas não me lembro.
Apenas a nota menos positiva de o isotónico ter acabado antes dos atletas

Prova excelente, diverti-me à brava, pena não ter chovido, para o ano quero mais!

O vídeo da prova por Luís Gouveia

Classificações aqui

Texto: Filipe Campêlo
FotosCâmara Municipal de Mértola

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