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Grande Trail Serra D’ Arga – A Meca

Grande Trail Serra D’ Arga – A Meca

O Meu Primeiro Amor

Caminho para Dem, esse meu olhar, teu olhar. No primeiro encontro, caio numa atmosfera de exaltação, a tua candeia, o meu furor. A tua cristalina e emotiva beleza, a minha certeza. O primeiro amor, o meu. O teu. O nosso!
Este amor não se esquece, nunca se esquece…

VI Grande Trail Serra D’ Arga

Carlos Sá – Foto: Miro Cerqueira / Prozis

De frente para o espelho, do luar, na noite de 22 de Setembro, essa vaidosa Serra D’Arga e seus trilhos, estão aprontados e vestidos para receberem nos dias 23 e 24, o Grande Trail Serra D’Arga.

Presenteia-nos, a organização Carlos Sá Nature Events, com quatro provas competitivas, uma caminhada e um trail jovem.
Sábado, dia 23 de setembro, decorre os 53 km do ultra trail, prova do campeonato nacional e da taça de Portugal da referida categoria. No mesmo dia, ao final da tarde, foi a vez dos mais pequenos colocarem as sapatilhas à prova, o trail Jovem.

No dia 24, domingo, realizou as restantes distâncias. O trail longo de 33 km, integrado no campeonato regional zona norte. O trail longo de 21 km, o trail curto de 14 km e a caminhada de 7 km.

Este evento contou com o apoio da Desnível Positivo. E a colaboração das Câmaras Municipais de Caminha, Viana do Castelo e Ponte de Lima. Das Juntas de freguesias de Dem, São Lourenço da Montaria, Estorãos, Arga S. João, Arga de Cima e Arga de Baixo.

Dem

Chegamos a Dem, essa aldeia de Caminha, com o sol ainda perdido pela noite e embriagado pelas encostas da serra da Arga. São 7h50m, ambiente calmo e fresco. A flora, ainda húmida, recupera da ressaca do orvalho da noite, sem receita médica. Os minutos avançam, a aldeia está pronta para mais uma festa do trail.

A poente do sistema montanhoso da Peneda-Gerês, mora essa aldeia de Dem. Vivem cerca de 363 habitantes nesses verdes campos cultivados. O artesanato também marca forte presença.A 11 km de Caminha, fica uma rica gastronomia nos enchidos de porco, cozido à portuguesa e cabrito à moda da Serra d’Arga.

Foto: Miro Cerqueira / Prozis

A prova do Amor

Traje, trago no corpo. Sorrisos, abraços e cumprimentos, levo envolvidos na grelha da partida. Aos nossos olhos, bebemos um ambiente de gala, de sabor único e intenso. Acelera o coração afectivo e de larga paixão. Ai! Este nosso amor…

Toca o sino, sentimos as badaladas do nosso coração. Damos largos passos, e rapidamente subimos e abandonamos Dem.

Largamos o nosso amor, o nosso primeiro, e na procura doutros amores, traímos. Outras experiências e aventuras nos levam as sapatilhas, novas paixões.

Continuamos a subir, seguimos por esse trilho desenhado por Deus, mantido pela natureza e detestado pelo Homem. Amado pelos atletas e odiado pelas esposas.

Percorridos 3,24 km, atingimos os 707 metros de altitude, 387 metros positivos ultrapassados. Exigente, o primeiro degrau desmedido. Vencido. E o amor de Dem esquecido.

Foto: Miro Cerqueira / Prozis

Um Novo Amor…

Parem, suspendam os segundos. Dêem tempo aos minutos, e espaço às horas. Apreciamos o momento. Alcança a vista no horizonte o Minho, o Âncora e o Lima. Três amores num só momento. Encontramos um segundo amor.

Descemos, desço por esse caminho torcido, piso de pedra espelhado, rocha magmática polida. Antes da chegada à Arga de São João, o nosso primeiro abastecimento. Mas antes, vemos pequenas manchas cinzas, ainda feridas, e assistimos ao renascer do amor da flora e fauna. A diversidade da Arga mostra sinais de recuperação da fúria das labaredas. Foi inveja do fogo, a esse amor platónico.

A recuperar deste segundo amor, caminho destorcido. Sou jovem, adolescente ainda, sem saber construir o caminho. É como o trilho que sigo, entortado, inacabado, muito ainda a correr. Estão percorridos 8,68 km, e por ai a dentro, entro. Sigo esse atalho, esse caminho para a Capela São João da Arga.

Foto: Miro Cerqueira / Prozis

Amor na Adolescência 

Paro! Parei. Por breves segundos, desliguei-me deste amor. Em ponto morto sem saber o que fazer. É beleza soberana, é magia que não sei responder. Despida e pura, a verdura da vegetação. É um manto imaturo, arvoredo esverdeado, fechado.

Até as pedras dessa cor se vestem. Antipatia e ciúme tenho da fauna que por ali vive. Um terceiro amor por descobrir.

O que posso dizer? Deste lugar… Sigo seus passos, ao lado da Capela passamos e continuamos. Continua meus olhos deslumbrados e apaixonados, é assim até à Arga de Baixo, o segundo abastecimento. Cumpridos 15,61 km, caminhamos para abandonar o mundo da adolescência. Procuramos outras loucuras, outros mundos, outras verdades. São tempos, que não queremos perder momentos, nem a tenra idade. Pela Arga de Cima atravessamos e continuamos. Beijo aqui, beijo ali, e avançamos. Compromisso não quero.

O Amor de Eulália

Adolescente, fantasia deixei, e no mundo adulto entrei. A caminho de Cerquido, galgamos trilho. O botão da blusa estava aberto e pelo seio da Arga entramos. O que descobrimos desta serra, no seu interior, leva-nos a recordar o reinado do rei Evígio. Conta a lenda que a filha, Eulália, do trono visigótico da Península Ibérica, após ter fugido com o seu amor, o jovem Egica, ter-se-á casado na serra D’Arga.

Seu pai ter havido prometido a Remismundo a mão de sua filha. A princesa, corre, foge, cavalga com o seu amor em dia de tempestade até aos pés desta serra, acolhida por um monge. O temporal passou, em dia seguinte, e a princesa e seu cavaleiro descobrem este resplendor de serra e suas envolventes. Deu o nome de agro. Tendo o povo atingido, Arga. Não tenho dúvidas que corro na procura do amor, e a paixão que a Arga me dá.

Foto: Marco Barbosa

Amor Louco

Abandono Cerquido, e ficam nas costas 23,27 km. Rompemos o alcatrão e descemos rápido. Somos ainda jovens e não medimos o que sucede. Loucas paixões. Viramos à direita, inclina a cabeça para cima por breves momentos, e nos perdemos por essa mulher imponente, enormes loucuras. Ficamos cegos sob a sua energia escrupulosa. Safada, por entre 3 lençóis (kms) de meu corpo abusa. Rasga-me a roupa, palpita enfurecido o coração. Transpiro, fico sem fôlego e ela adora. Essa, de quilómetro vertical que me leva abraçar o céu, às portas da Senhora do Minho.

São 28,51 km, o relógio não engana, e não há hora para saciar esta mulher, este amor louco. Rompe-me as forças todas, pelo planalto da Arga devaneio. Semimorto, atordoado, tolo sou… Em boa hora descemos para São Lourenço da Montaria. Descida vertical, desço e caio em mim. Recupero, digo o que quero.

Foto: Miro Cerqueira / Prozis

Sereias no rio Âncora

Restaurado, largo São Lourenço da Montaria, percorridos 33,95 km. Rolamos, é tempo de me recompor, de reflectir sobre o futuro, de pensar no pretendido. Ao encontro do rio Âncora vamos, outrora de nome rio Amora.

Contamos com 38,30 km, maturo caminho. Cheguei, a esses teus frescos e húmidos lábios, as margens do rio Âncora. De batom esverdeado, terra, pedra, te beijei. Perde os olhos por essas águas, cascatas e pequenas lagoas. O relógio não pára, mas eu paro e pisco o olho à cascata do Pincho. Em contramão às virgens águas do Âncora seguimos, e avançamos por este paraíso, em faixa certa. Até as raízes deste lugar majestoso, abandonam a terra, espreitam e respiram o perfume desta deusa, sublime lugar.

Cruzamos o parque de merendas de São Lourenço da Montaria, e ao lado do Âncora seguimos, temos Pedrulhos à nossa espera. Não olho para o relógio, não quero. Apenas quero namorar este lugar, seu enamorado. Esse trilho que rasga por forte arvoredo, esta mulher monumental que me rompe o coração. Aos olhos enfeitiçados é trilho divino, serpenteado e venenoso. Soberbo bosque que atravessamos à luz das velas, o sol não tem autorização para este amor. Parem o tempo.

Foto: Miro Cerqueira / Prozis

O Reencontro

Solitário fiquei, em pequeno planalto, deserto estou e dou por mim. Estou só, sem floresta, sem uma mulher para amar. É assim, confuso levo o corpo a Pedrulhos. Vem à memória o nosso primeiro amor.

Temos 45,05 km, abandonamos Pedrulhos e duma certeza havemos, é o primeiro amor que queremos. Vamos à luta, há que sofrer, e por essa subida nos perdemos. Ansiedade nos bate à porta do coração. Vamos, sofremos. Sofremos em busca desse amor inicial perdido, esse amor nunca esquecido e sem igual. Impar.

49,15 km vencidos. É hora de descer, de nos compor, reflectir sobre os erros e procurar esse amor e não voltar a errar. Junto ao átrio de Dem chego, as pernas estremecem, braços pedem para não mexerem e o coração bate fora do peito. Os olhos são espelhos, reflectem… Encontro a minha luz, é o reencontro do meu primeiro amor.

Foto: Miro Cerqueira / Prozis

Ultra Trail (53 km)

Geral Masculina
1º Mário Fonseca (Dr. Merino/4moove) – 04:54:06;
2º André Rodrigues ( Dr. Merino/4moove) – 05:00:16;
3º Hélio Fumo (EDV-Viana Trail) – 05:01:08.

Geral Feminina
1ª Fernanda Verde (EDV-Viana Trail) – 06:15:23;
2ª Ester Alves (Salomon Suunto Portugal / CMOF – 06:17:54;
3ª Sara Brito (CA Barreira) – 06:18:05.

Coletivo – Equipas
1ª EDV-Viana Trail
2ª Satecnosol Outdoor / La Sportiva
3ª Dr. Merino/4moove

Trail Longo (33 km)

Geral Masculina
1º Joaquim Fortes (Emicela Team Cabo Verde) – 02:58:27;
2º Nuno Alves (ORALKLASS-AMIGOS DO TRAIL) – 03:00:06;
3º António Braziela (Oralklass – Amigos do Trail) – 03:02:21.

Geral Feminina
1ª Carla Sousa (EDV-Viana Trail) – 03:43:32;
2ª Susana Echeverría (Coimbra Trail Running) – 03:50:05;
3ª Mariana Machado (OS Santa Apolónia) – 04:02:46.

Coletivo – Equipas
1ª Oralklass – Amigos do Trail
2ª Emicela Team Cabo Verde
3ª Gaia Trail

Trail Longo (21 km)

Geral Masculina
1º Jadirson Ribeiro (Emicela Team Cabo Verde) – 01:41:03;
2º Kueny Miranda (Emicela Team Cabo Verde) – 01:41:47;
3º Eliseu Morais (Emicela Team Cabo Verde) – 01:43:17;

Geral Feminina
1ª Daniela Russo (Oralklass – Amigos do Trail) – 02:16:05;
2ª Maria Gonçalves (Cerveira Team Running / Clube Celtas do Minho) – 02:32:49;
3ª Helena Gomes (Moinhos Run-ADRM) – 02:33:11.

Coletivo – Equipas
1ª Emicela Team Cabo Verde
2ª Padela Natural Team – FisioFreixo
3ª Minho e Lima Trail

Trail Curto (14 km)

Geral Masculina
1º Wilson Cabral (Emicela Team Cabo Verde) – 01:02:12;
2º Pedro Pontes (Clube Desportiva da Póvoa) – 01:14:49;
3º Bruno Santiago (Gaia Trail) – 01:15:20.

Geral Feminina
1ª Edena Lima (Emicela Team Cabo Verde) – 01:23:14;
2ª Hortense Tenda (Gaia Trail) – 01:28:19;
3ª Marisa Rodrigues (Sport Clube Beira-Mar) – 01:30:39).

Coletivo – Equipas
1ª Emicela Team Cabo Verde
2ª Fridão Sem Limites
3ª Minho e Lima Trail

Arga
Homenagem a Analice Silva – Foto: Miro Cerqueira / Prozis

Oralklass – Amigos do Trail

A equipa da Oralklass-amigos do Trail mais uma vez marcou presença neste evento. Na prova ultra trail esteve representada pelos atletas Vítor Pinto, Miro Moreira, José Santos e Nuno Sousa.

No trail longo dos 33 km, a equipa esteve em maior representação, tendo obtido o primeiro lugar por equipas. Em destaque o atleta Nuno Alves, segundo classificado, António Braziela fechou o pódio, terceiro lugar. O Paulo Conde obteve um espectacular sexto lugar. A nossa atleta Rita Loureiro ocupou um excelente quarto lugar no sector feminino geral.

Participaram ainda, os nossos atletas Fernando Neves, José Neto, Sérgio Suzano, Ivo Dias, Orlando Nogueira, Gilberto Pimenta e José Costa.

No trail longo de 21 km, estivemos representados pela nossa fantástica dupla, o casal, Daniela Russo e Francisco Figueiredo. Tendo a nossa Daniela obtido o primeiro lugar geral feminino.

Bravo a todos.

Visualize aqui o artigo de 2016.

Texto: Nuno Sousa
Fontes: Carlos Sá Nature Events / Grande Trail Serra D’Arga / Viana, António Manuel Couto “Lendas do Vale do Lima”, (2002) Edição Valima – Associação de Municípios do Vale do Lima, Ponto de Lima. Pp.82. Ilustração – António Vaz Pereira
Fotos: Miro Cerqueira / Prozis e Marco Barbosa

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