PORTUGAL FAZ HISTÓRA EM ATENAS
Foto: FPB
Portugal fez história em Atenas e assinou uma das maiores vitórias da sua história recente no basquetebol.
Num ambiente exigente e perante uma das seleções mais conceituadas da Europa, os comandados de Mário Gomes derrotaram a Grécia por 63-56, alcançando um triunfo inédito. Nunca antes a Seleção Nacional tinha vencido os gregos, terceiros classificados do último EuroBasket. Contudo, quando tudo estava em jogo, Os Linces responderam com personalidade, maturidade e uma exibição coletiva de enorme qualidade.
Além disso, depois da derrota frente a Montenegro, Portugal entrou em campo consciente de que apenas um triunfo permitiria continuar a sonhar. O selecionador Mário Gomes classificou a partida como um verdadeiro “jogo de tudo ou nada” e a resposta dos seus jogadores foi exemplar, mantendo vivo o objetivo de seguir em frente na qualificação.
Uma entrada sem medo
Desde o apito inicial, Portugal mostrou que não tinha viajado até Atenas apenas para discutir o resultado.
Pelo contrário, a Seleção Nacional entrou concentrada, agressiva e determinada, impondo um ritmo elevado e uma intensidade defensiva que surpreendeu a formação helénica.
Ainda que a Grécia tenha conseguido assumir a liderança a meio do segundo período, essa vantagem durou pouco. Portugal respondeu de imediato, recuperou o controlo do encontro e fechou a primeira parte em vantagem, depois de vencer os dois primeiros parciais por 19-15 e 19-8.
A partir daí, a equipa nacional geriu a vantagem com inteligência. Mesmo nos momentos de maior pressão, nunca perdeu a serenidade nem deixou fugir o controlo da partida.
A defesa que fez a diferença
Se houve um fator verdadeiramente decisivo nesta vitória histórica, foi a organização defensiva portuguesa.
Portugal limitou a Grécia a apenas 56 pontos, o registo ofensivo mais baixo da seleção helénica durante toda esta fase de qualificação.
Além da pressão constante sobre o portador da bola, a equipa portuguesa destacou-se pelas excelentes ajudas defensivas e pela capacidade de disputar cada posse como se fosse decisiva.
Os números refletem essa superioridade: seis roubos de bola, cinco desarmes e uma entrega coletiva irrepreensível.
No final da partida, tanto Mário Gomes como Diogo Brito apontaram precisamente a defesa como a principal razão para um triunfo que ficará para sempre na história da Seleção Nacional.
Brito brilhou, mas venceu o coletivo
Embora Diogo Brito tenha sido eleito o MVP da partida, esta foi, acima de tudo, uma vitória do coletivo português.
O internacional português terminou o encontro com 17 pontos, nove ressaltos e 21 de valorização, assumindo um papel determinante nos momentos mais importantes do jogo.
Por sua vez, Rafael Lisboa voltou a comandar o ataque nacional, contribuindo com 16 pontos e cinco assistências.
Já Travante Williams somou 15 pontos, oito ressaltos e três assistências, confirmando, uma vez mais, toda a sua influência nos dois lados do campo.
Além das exibições individuais, Portugal apresentou ainda 32% de eficácia nos lançamentos de três pontos, um dado importante que premiou a boa circulação de bola e a criteriosa seleção de lançamento.
Ainda assim, o maior destaque pertence ao grupo.
Todos defenderam.
Todos lutaram.
E todos contribuíram para uma vitória construída com enorme espírito de equipa.
Portugal segue em frente
Entretanto, a derrota da Roménia frente a Montenegro por 65-64 acabou por completar uma noite perfeita para a formação lusa.
Dessa forma, Portugal terminou a primeira fase no segundo lugar do Grupo B, atrás de Montenegro e à frente da Grécia.
Com um registo de três vitórias e três derrotas, a Seleção Nacional garante a presença na ronda seguinte da qualificação, transportando esse mesmo registo para a próxima fase.
Agora, Portugal terá pela frente Espanha, Geórgia e Ucrânia, defrontando cada uma dessas seleções em duas ocasiões.
A primeira janela competitiva realiza-se já no final de agosto, com deslocação a Espanha, no dia 28, e receção à Geórgia, no dia 31.
Uma vitória que reforça a ambição
Mais do que quebrar um tabu frente à Grécia, Portugal deixou em Atenas uma demonstração inequívoca da evolução que tem vindo a protagonizar nos últimos anos.
A Seleção Nacional voltou a evidenciar uma identidade muito própria, assente numa defesa intensa, numa forte cultura coletiva e numa competitividade que lhe permite discutir qualquer jogo frente a qualquer adversário.
Assim, esta vitória representa muito mais do que um resultado histórico.
Representa a confirmação de que Portugal continua a crescer no panorama europeu e de que Os Linces estão preparados para enfrentar os próximos desafios com a mesma ambição, personalidade e confiança que os conduziram a uma noite inesquecível em Atenas.


