CORREDORES O QUE COMEM NA VOLTA A PORTUGAL?

Foto: FPC

A alimentação é uma parte essencial da estratégia de corrida e ajuda os corredores a manter a energia, a concentração e a capacidade de recuperação ao longo de quase duas semanas de competição.

Com a ajuda de Pedro Meirinhos, nutricionista especializado em desportos de endurance e fundador do projeto Fuel the Excellence®, fomos perceber como se alimentam os corredores ao longo da maior e mais exigente prova do ciclismo português. 

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Fonte: Site oficial – Volta a Portugal

Corredores menos cansaço, o mesmo desempenho

Os treinos são fundamentais.

Mas disputar uma Volta a Portugal, com mais de 1.400 quilómetros percorridos ao longo de quase duas semanas, exige também uma estratégia nutricional rigorosa e adaptada ao esforço de cada etapa. 

Durante a prova, os corredores precisam de manter elevados níveis de potência, resistência e concentração, recuperando diariamente para voltarem a competir poucas horas depois.

Neste contexto, comer deixa de ser apenas uma necessidade básica: passa a fazer parte da própria estratégia de corrida. 

O objetivo da alimentação durante a corrida não é propriamente aumentar a força do ciclista.

Mas sim atrasar a fadiga e preservar a capacidade de produzir energia até ao final da etapa.

Em termos simples:

menos cansaço, o mesmo desempenho. 

O princípio não é muito diferente daquele que se aplica a qualquer pessoa que pratique ciclismo durante várias horas.

O que muda no alto rendimento é a quantidade de energia necessária, o grau de planeamento e a precisão com que tudo é executado. 

Uma quebra de rendimento nos quilómetros finais nem sempre significa falta de preparação física.

Muitas vezes, como explica o nutricionista Pedro Meirinhos, a quebra resulta de uma ingestão insuficiente de energia (nomeadamente, alimentos ou produtos fornecedores de hidratos de carbono) ou de líquidos ao longo da etapa. 

Corredores
Foto: FPC

Comer antes de ter fome 

Durante a corrida, os corredores alimentam-se e hidratam-se regularmente, muitas vezes em intervalos de 20 a 30 minutos, mesmo quando ainda não sentem fome ou sede.

O objetivo, segundo o nutricionista, é evitar que as reservas de energia (principalmente, glicogénio muscular) diminuam excessivamente.

Garantir que o organismo continua a receber combustível ao longo de toda a etapa. 

Nas provas de longa duração, acima das três horas, as recomendações habituais situam a ingestão de hidratos de carbono à volta das 90 gramas por hora, podendo variar consoante a duração e a intensidade do esforço.

No ciclismo profissional, alguns corredores podem ultrapassar os 90 gramas por hora, chegando a consumir 120 ou até 150 gramas por hora.

Mas apenas através de estratégias individualizadas e previamente treinadas. 

Hidratos de carbono em diferentes formatos para os corredores

Ao longo de uma etapa, os corredores combinam alimentos sólidos, semissólidos e líquidos, escolhidos de acordo com o momento da corrida, a intensidade do esforço e a tolerância individual. 

Entre as opções mais frequentes encontram-se os géis de hidratos de carbono, as bebidas desportivas, as barras e gomas energéticas, fruta.

Mas também outros alimentos de digestão fácil como os purés de fruta, rice cakes, marmelada e aletria, por exemplo. 

Nas primeiras horas da etapa é habitual existir maior recurso a alimentos sólidos.

À medida que a intensidade aumenta e a meta se aproxima, ganham importância os géis e as bebidas com hidratos de carbono, por serem mais fáceis e rápidos de consumir. 

Cafeína, eletrólitos e hidratação 

A cafeína pode ser utilizada através de géis, bebidas, barras, gomas ou cápsulas, para ajudar a manter o estado de alerta e apoiar o desempenho em momentos específicos da corrida.

A sua utilização é planeada em função do corredor, da etapa e do momento competitivo. 

Os eletrólitos, sobretudo o sódio, ajudam a repor parte dos minerais perdidos através da transpiração.

Mas são particularmente relevantes em etapas longas ou disputadas sob temperaturas elevadas.

A hidratação deve, contudo, ser ajustada às condições meteorológicas, à duração da etapa, à taxa e ao tipo de transpiração de cada corredor. 

Nada é deixado ao acaso.

A quantidade e o tipo de alimentos e bebidas são definidos pelos nutricionistas e pelas equipas.

Sempre tendo em conta o percurso, o clima, a intensidade prevista e as características de cada ciclista. 

O intestino também se treina 

Os corredores não começam a ingerir grandes quantidades de hidratos de carbono apenas durante a competição.

Ao longo da época, treinam o sistema digestivo para tolerar alimentos, géis e bebidas durante esforços prolongados e de elevada intensidade. 

Este processo, frequentemente designado por “treino do intestino”, permite aumentar a capacidade de absorção de hidratos de carbono e reduzir o risco de desconforto gastrointestinal durante a corrida. 

Na Volta a Portugal, cada gel, cada bidão e cada alimento entregue na zona de abastecimento fazem parte de um plano cuidadosamente preparado.

Tal como a escolha da bicicleta, a estratégia da equipa ou o momento de atacar, a alimentação também pode fazer a diferença entre chegar ao fim do grupo da frente ou perder contacto nos quilómetros decisivos. 

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