PORTUGAL FEZ A MELHOR CAMPANHA NOS EUROPEUS 2026
Pedro Pichardo, Fatoumata Diallo e Patrícia Silva em representação de Portugal subiram ao pódio em terras britânicas.
Uma participação recorde de 55 atletas convocados que devolveu a Portugal o seu melhor lugar na competição desde Amesterdão’2016.
A terceira melhor desde Helsínquia’2012, e deixou cinco novos recordes nacionais.
Portugal encerrou a sua participação na 27.ª edição dos Campeonatos da Europa em pista ao ar livre, disputada em Birmingham, com uma das prestações mais sólidas dos últimos anos.
Com três medalhas, 12 lugares de honra e uma comitiva recorde de 55 atletas convocados, a seleção nacional terminou no 14.º lugar do ranking por pontos.
A melhor posição portuguesa desde os Europeus de Amesterdão, em 2016 — e no 21.º lugar do medalheiro.
Foi ainda a primeira vez que um Campeonato da Europa ao ar livre se realizou no Reino Unido, com provas divididas entre o Alexander Stadium e o centro da cidade.
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Fonte: Federação Portuguesa de Atletismo
Três medalhas, três histórias diferentes
Pedro Pichardo voltou a mostrar-se ao mais alto nível no triplo salto, conquistando a medalha de prata com 17,76m.
É já a terceira medalha europeia consecutiva do saltador em grandes campeonatos ao ar livre — depois do ouro em Munique e da prata em Roma — e a sexta de Portugal nesta especialidade.
Com este resultado, Pichardo junta-se a Rui Silva no quarto lugar da lista de portugueses com mais medalhas em grandes campeonatos (Jogos Olímpicos, Europeus e Mundiais, indoor e outdoor), com 10 no total.
A primeira medalha portuguesa da competição chegou pela ‘mão’ de Fatoumata Diallo, que subiu ao pódio dos 400m barreiras com um bronze histórico.
A primeira medalha de sempre para Portugal nesta especialidade.
A barreirista, que já detinha o recorde de Portugal esta temporada.
Mas baixou-o ainda mais na final, com 53.55 segundos, tornando-se também na primeira portuguesa a descer dos 54 segundos.
Na última jornada da competição, Patrícia Silva fechou a contabilidade das medalhas portuguesas com um bronze nos 1.500 metros.
A atleta já se tinha apurado para a final com o melhor tempo.
É o feito mais importante da carreira da meio-fundista, que no ano passado já tinha subido ao pódio nos 800 metros nos Mundiais de pista coberta.
Há uma dimensão familiar neste resultado: o pai de Patrícia, Rui Silva, conquistara a sua última medalha em Europeus ao ar livre precisamente com um bronze, em Munique’2002.
Ocorreu 24 anos antes de a filha vencer a sua primeira.
Cinco recordes nacionais e onze melhores marcas de sempre em Europeus ao ar livre
Birmingham ficou também marcada por uma vaga de quatro recordes de Portugal, todos no setor feminino:
Fatoumata Diallo, nos 400 m barreiras (53.55s);
Joana Pontes, na maratona de marcha (3:41:46h);
Vitória Oliveira, na meia-maratona de marcha (1:36:10h);
e a estafeta 4×100 m — Lorène Bazolo, Tatjana Pinto, Beatriz Castelhano e Arialis Martinez —, com 43.06s.
A somar a estes quatro recordes absolutos, Eduardo Camarate estabeleceu a melhor marca nacional Sub-23 na meia-maratona de marcha (1:30:12 horas).
A competição trouxe ainda um total de onze atualizações nas melhores marcas e colocações portuguesas de sempre no evento.
Pedro Buaró alcançou a melhor posição e a melhor fasquia de sempre de um português no salto com vara (6.º lugar – 5,70m);
Gerson Baldé igualou a melhor colocação portuguesa de sempre no salto em comprimento, feito alcançado por Álvaro Dias em 1950, com uma nova melhor marca nacional (4.º lugar – 8,18m);
e Eduardo Camarate, com apenas 19 anos, foi o português mais bem classificado na estreia da meia-maratona de marcha no programa dos Europeus (18.º lugar – 1:30:12 horas).
No setor feminino, além dos recordes já mencionados, destaque para:
Jéssica Barreira, que bateu os melhores registos portugueses no heptatlo (12.ª – 6210 pontos);
para Tatjana Pinto (11.28s nos 100m);
e Laura Taborda (9:37.96 minutos nos 3.000 m obstáculos), ambas “apenas” com as melhores marcas portuguesas de sempre em 26 edições de participação nacional.
A estafeta 4x100m mista, disciplina estreante no programa, terminou em 5.º lugar na sua primeira aparição em Europeus, com 40.90s, consequentemente a melhor de sempre.
Comitiva recorde de Portugal e duas presenças históricas
Portugal apresentou-se em Birmingham com a maior comitiva de sempre: 55 atletas convocados, superando o anterior recorde de 50, estabelecido em Roma’2024.
Destes 55, 50 chegaram a competir — 26 homens e 24 mulheres.
O grupo incluía 25 atuais recordistas nacionais e 22 atletas estreantes em Campeonatos da Europa ao ar livre de seniores, dos quais 18 chegaram mesmo a competir.
Os mais jovens do grupo eram Pedro Afonso (2007) e Clara Martinha (2006).
Dois nomes destacaram-se ainda pela longevidade:
o marchador João Vieira tornou-se no atleta masculino com mais presenças na história europeia da competição (8);
enquanto a lançadora Irina Rodrigues se tornou, isoladamente, na atleta portuguesa com mais participações em Europeus (7).
A seleção nacional foi liderada por Domingos Castro, presidente da FPA, com Rui Ferreira e Ricardo Vale como Team Leaders e Pedro Pinto, Diretor Técnico Nacional, como responsável técnico.
Rui Silva, campeão do mundo em Lisboa’2001 e medalhado olímpico em Atenas’2004, integrou a comitiva no apoio operacional.
Portugal esteve ainda representado pelos árbitros Luís Abegão e Rui Loução.
Um balanço histórico para Portugal
Com esta participação, a 26.ª da sua história em Campeonatos da Europa ao ar livre — Portugal só falhou a edição de Oslo’1946 —, o país chegou às 45 medalhas e 123 lugares de honra acumulados na competição.
Domingos Castro: “Uma prestação que nos deixou orgulhosos e otimistas”
O presidente da Federação Portuguesa de Atletismo traçou um balanço muito positivo da participação portuguesa em Birmingham:
“Encerrámos estes Campeonatos da Europa com um sentimento de grande orgulho. Esta foi, sem dúvida, uma prestação que nos deixou orgulhosos e otimistas.
Três medalhas, outros nove lugares de honra e onze melhores marcas nacionais de sempre em Europeus ao ar livre traduzem o trabalho sério que se tem feito em Portugal, desde os clubes às seleções nacionais.
Quero destacar o feito histórico de:
Fatoumata Diallo, a primeira medalha de sempre para Portugal nos 400 metros barreiras;
a consistência de Pedro Pichardo, que continua a escrever a sua história ao mais alto nível;
e a medalha de Patrícia Silva, com todo o significado que tem para o atletismo português e para uma família que tanto deu a esta modalidade.
Fico também muito satisfeito com o facto de termos trazido a Birmingham a maior comitiva de sempre e de termos visto tantos jovens atletas a estrearem-se e a baterem recordes pessoais e nacionais nesta competição.
É um sinal claro de que o futuro do atletismo português está bem entregue.
Terminamos no 14.º lugar do ranking, a melhor posição desde 2016.
Isso é o reflexo de um trabalho coletivo que envolve atletas, treinadores, equipa técnica, famílias, associações regionais e distritais e toda a estrutura federativa.
Vamos continuar a trabalhar para que estes resultados sejam ainda melhores nas próximas competições.”










