Ultra trail Aldeias do Xisto – És tu e o trilho!
Foto de Luís Fonseca
Ultra trail Aldeias do Xisto – És tu e o trilho!

Na ternura e carinho de meu avô, acordo. Narrado ontem, ainda sonho com o conto de meu avô, após a ceia. Junto à mesinha de cabeceira o relógio marca 5 horas. E à lareira da cozinha, minha avó prepara a chávena de leite com chocolate e o pão com manteiga. O paladar é sentido com o aroma, desse bolo de laranja. Fofo e quente.
Minha avó, de rosto cansado, mas de encanto sorriso. A felicidade bate por ser prestável, delicada, e de amor para com o seu neto. Para ela, não há melhor alegria. A servia, sempre foi o seu destino. Outros passados, vida dura e matreira. São as marcas do tempo, dos tempos da ditadura.
Meu avô chama-me, vamos a caminho da Lousã.
X AXtrail®series
Cumprindo a décima edição do AXtrail®series, nos dias 20, 21 e 22 de outubro, a Go Outdoor lançou-nos pelos trilhos da serra da Lousã. Com partida e chegada este ano, na Nave de Exposições, em plena Vila da Lousã.
De 6ª feira para sábado iniciou-se o Ultra Trail Aldeias do Xisto (UTAX) na distância de 110 km, a prova rainha.
Nesta vertente, os vencedores masculinos e femininos além de vencerem a taça de Portugal de ultra endurance, obtinham uma vaga na selecção nacional.
Dia 21, segue o (TSL) Trail Serra da Lousã com 55 km, o Trail do Xisto (TX) que percorre 24 km e o Mini Trail do Xisto (MTX) com 14 km.
Dia 22, foi a vez do AXTrail Kids, AXTrail da Inclusão e o Caminho do Xisto. Neste mesmo dia, é de igual forma entregue os prémios das provas competitivas, decorridas no dia anterior.

Lousã
Mora essa vila, no rés-do-chão da Serra da Lousã, a que dá nome à própria serra. Situada na zona centro do país, esta vila e concelho do distrito de Coimbra é sinónimo de duas cores, a cor branca predominante da maioria das suas casas. E a cor verde de tudo em seu redor. Habitam num jardim, entre o vale da Ceira e a serra da Lousã, cerca de 17 600 habitantes.
Lousã é rica no artesanato e nos produtos tradicionais. A cestaria, bijuteria, trabalhos em xisto e cerâmica é o exemplo do artesanato. Nos produtos tradicionais segue os seus licores, o licor de beirão, o mais conhecido. Há ainda, os seus vinhos, o mel DOP da serra da Lousã, a doçaria, e entre muito mais exemplos.

Trail Serra da Lousã
Olhamos para o céu, assistimos às nuvens embaraçadas que seguem o seu caminho. Vão embora. Ali, ao lado da Nave de Exposições, reparamos naqueles montes altos e verdes.
São 8:30 horas, de mão dada com o meu avô, partimos pelo seio da vila de Lousã e pouco mais de um quilómetro rompemos por esse vale de Arouce. É trilho de arvoredo pequeno e cerrado. Essa flora ondulada, sensação de surfar uma onda.
Rapidamente, chegamos ao Santuário da Nossa Senhora da Piedade e a torre do castelo da Lousã já nos espreita. Já algum tempo nos vem espreitando do seu porte alto. Em baixo, e passamos ao lado, corre a ribeira de S. João. À direita da ponte que atravessamos, desliza suas águas pelo baloiço. E à esquerda esticamos as pernas na toalha da praia fluvial da Nossa Senhora da Piedade.

Castelo da Lousã
Temos 3,39 km, assaltamos o Castelo de Arouce e conta-me o avô, a lenda, da princesa Peralta. Libertação consumada, conquista arrumada e seguimos.
Continuamos pelo vale de Arouce, tudo é verde. Tudo é puro e exuberante. Distraídos, fácil é, encontramos uma levada no submerso mundo das aldeias do xisto de Talasnal, Vaqueirinho e Catarredor. E pela muralha da levada corremos, em faixa contrária a água não corre, está parada.
Perguntamos à flora, sem o avô escutar, o que se passa? É greve! Greve pela seca e pelos incêndios que o país atravessa.
Triste pelo sucedido, deixamos essa levada e a greve. Seguimos por trilho divino, abraçado à ribeira do Candal, na cave da estrada nacional 236. Noutrora, era o caminho dos cantoneiros da estrada, gente que vivia nas veias da serra da Lousã.
Antes da aldeia, ainda ouço, uma orquestra afinada. É uma cascata, e não me permite a densa folhagem visualizar a sua trama. Adiante, avistamos a aldeia do Candal e também vemos junto a nossos pés as águas adolescentes, namorando com recantos de xisto.

Candal
518 metros vencidos, 612 metros de altitude, 8,29 km percorridos e chegamos à aldeia serrana mais contemporânea, Candal. Alertamos os sentidos, pisamos calçada de xisto, olhar na fachada e escutamos o cantar da pedra. Não quero, nem queremos, perder nenhuma parede medieval. Nenhum recanto de vida.
Subimos, essa escadaria estreita, íngreme, toda ela calçada e vestida de xisto. Folia, com ar de amores. Atingido o alto da aldeia de Candal, é tempo de recuperar o folgo. É tempo, de espreitar o vale que melancolicamente abandonamos, há momentos.
Partimos, limpo no canto do olho a lágrima que há em meu avô. Temos a aldeia da Cerdeira à nossa espera. Corremos por trilho majestoso, é assim até à próxima aldeia.

Cerdeira
Ali chegar, é magia que me descortina. Neste lugar pitoresco, paraíso, impera a natureza. É retrato, com certeza dum renome, pintor paisagista.
Galgamos, esse corredor de ardósia. Sentimos a flora a invadir esta pequena aldeia, em convívio permanente vivem. Aqui, temos o primeiro abastecimento, mas nem queremos perturbar. O silêncio em mim reina. A paz em meu avô comanda.
Desce, a correr, pois o terreno é inclinado. Essas transparentes águas que atravessam esta aldeia, Cerdeira, e seu nome ao ribeiro baptiza. E alimentam, os pequenos terrenos planos para a agricultura.

Trevim
Largamos Cerdeira, já transpiramos 11,05 km, temos 740 metros positivos ultrapassados. E, é hora de subir. Chegou o tempo de alcançar Trevim, o ponto mais alto da serra da Lousã, a 1204 metros de altitude.
Por entre os pinheiros bravos escalamos. É de bravura que se requer o momento. E Usufruímos de pinheiros de meio porte dos dois lados. Só o trilho teve autorização de pertencer a este lugar. Mais acima, há descoberto, faz-se sentir o vento, frio. Olhamos em nosso redor para descobrir a montanha, mas o nevoeiro nos acompanha.
Agora, assiste-nos pequeníssimos pinheiros, o pinheirinho. Fala meu avô, por lábios saudosos e palavras lacrimais. Noutros tempos, vésperas natalícias, era o enfeitar junto ao presépio. Chegou o artificial, ainda bem. Há que pertencer à montanha, junto dos seus, o pinheirinho.
14,44 km, e o ponto mais alto da serra vergado.

Poços de Neve – Santo António das Neves
Antes de iniciarmos a subida para o Santo António das Neves, descemos com o nevoeiro a querer fugir. Agarrado, com as duas mãos, a uma calça de meu avô e por detrás Dele, estou tímido e envergonhado. De olhos arregalados, vou espreitando. É assim que está o sol, por detrás do nevoeiro, dá sinais que quer aparecer. Está inibido e intimidado, talvez.
Antes de descermos para Coentral, passamos pelo Santo António das Neves. Local de trabalho de dureza nos poços da neve. Desses homens, Neveiros que armazenavam gelo, e transportavam por entre trilhos no verão para as grandes cidades. Profissão extinta, foi dor dos equipamentos artificiais de fazer frio, após a revolução industrial.

Coentral
Descemos, feito loucos e esgazeados. Desafiante esse trilho a caminho de Coentral. Batemos, forte numa pedra. Dói-dói, ar preocupado de meu avô, e o melhor, é a avó nem saber. Chegamos ao segundo abastecimento a andar. Spray frio, só o dedo grande dorido.
O relógio marca 20,04 km, fugimos de Coentral. Deparamos, com uma senhora de idade, só. Na sombra de castanheiros, no trilho, na apanha às castanhas. Numa mão, segura fiel e equilibrada bengala, na outra vai colhendo as castanhas para o bolso do avental. Nos derrete e contagia essa imagem, vamos embora de sorriso confortante.

Catarredor
Após encosta sul a sofrer, é lado norte a descer por trilho na floresta. Aqui sou eu, sim! Eu e o trilho… Nos juntamos ao trail do xisto e vamos por esse trilho maravilhoso. Do nosso lado direito vemos o alto da serra, Trevim, é assim até à próxima aldeia.
Os quilómetros marcam 27,69. Encaramos a aldeia de Catarredor. Páramos, observamos suas paredes e muros, de rostos consumidos pelo tempo. São, também, marcas duma cultura, duma arquitectura tradicional, dum povo medieval e não só.
Meu avô, parado no centro da aldeia, repara. Vê o trabalho árduo nestas construções. Estas pedras, sobre pedras, as mãos que não teve. Essas mãos repletas de passados, se elas falassem seriam narradas inúmeras histórias, da história.
Encalçamos novamente o trilho. Trocamos passos, fintamos árvores e driblamos pedras. Jogo à bola com o meu avô.

Vaqueirinho
Aconchegamos a outra aldeia, Vaqueirinho, bem próximo da anterior. Percorridos 28,65 km. Aqui, temos o mesmo sentimento de Catarredor. Caminhamos, por entre corredores sinuosos e estreitos. Não temos presa, tentamos passar para não incomodar a calma e paz da natureza envolvente.
Tranquilidade, ar puro, tudo aqui à mão. É só meter ao bolso, sem pagar bilhete ou imposto. E à sombra desses elegantes castanheiros, belas cerejeiras bravas, e rica fauna. Ficávamos.
Era isto que precisava, que mais eu queria!? Exclamando levianamente, sussurrou o avô.

Talasnal
Acelero para os braços da próxima aldeia, Talasnal. Foram 31,14 km nas pernas de ansiedade. Temos o terceiro abastecimento, mas nem quero aproveitar.
Talasnal, seus becos são um segredo. Suas ruelas, é uma descoberta que nos leva de olhar curioso a descobrir. Aprecia, meu avô, seu neto entretido.
Saímos da trilha da prova. Há tempo, e vamos ao bar d’ “O Retalhinho”, tenho de recordar. Pela porta, agachamos para entrar, é assim entre divisões. De frente temos um balcão antigo com imensos produtos artesanais. Somos servidos, mas numa outra sala, aonde temos uma pequena varanda, esplanada. Com Trevim lá no alto, imperioso, assistimos a este magnífico vale da ribeira de S. João. Verde espanto, ao sabor dum café e desse soberbo pastel de castanha e amêndoa. Os minutos que corram, eu não corro.

Casal Novo
Felizes, e já de rosto saudoso, abandonamos Talasnal. Descemos até essa linda ribeira da Vergada. Dirigimos a subir para uma nova aldeia, e do nosso lado direito temos Talasnal, paisagem soberana.
Entramos, com 32,68 km nas pernas, e subimos essa avenida, escadaria, da aldeia de Casal Novo. Damos lentamente passos, não queremos perder nada.
À esquerda, há fonte de água mágica e de sabedoria. Essa água que escorre pela encosta da montanha e que descobre os segredos da serra. Parei, e bebo do seu conhecimento. Quero também, ser sabedor desses mistérios e medos da floresta.
Estão cravadas, nas paredes da aldeia, vidas. Segredos do refúgio das cidades medievais. Almas de gente genuína e que nos trazem histórias. E Continuamos.

Parque Terreiro das Bruxas e a Floresta
Trepamos para as letras da Lousã. É para o registo fotográfico, e com o vale da vila lá no fundo. Deve ser no piso -7. Antes, e uns poucos metros abaixo, à esquerda, fica a aldeia de Chiqueiro. Desânimo, não a visitamos.
Com a foto já no bolso, corremos até ao parque de merendas do Terreiro das Bruxas. É lugar maravilhoso para um piquenique em família ou com amigos. O avô sorri.
À saída deste piquenique, seguimos pela esquerda e temos uma indicação “descobrir a floresta”. Estamos no caminho certo.
É caminho íngreme e curioso. Do nosso lado direito, temos um ordenado pelotão de pinheiros bravos, em praça. Todos iguais, todos fortes e com o mesmo traje. Do lado esquerdo, há essa confusão, densa flora e cores. São carvalhos, sombreiros, medronheiros, pequena vegetação, enfim. Deve ser familiares a assistir ao assentar praça. E nós ali, no meio. Meu avô recorda o seu tempo de militar.

Parque Eólico de Vila Nova
Deixamos esse caminho íngreme e seguimos. Chegou o momento de rolar, e rolar. No andar de cima, temos um parque eólico. Na cave temos floresta por onde mais tarde vamos regressar. Atentos seguimos, pode a qualquer momento a nosso lado correr um veado.
Adiante, brilha nosso olhar, ali no fundo um ponto castanho e laranja, no seio dum pano verde. É a aldeia de Gondramaz, a seu caminho vamos.
Gozamos 41,36 km, e chegamos ao Parque Eólico de Vila Nova. Avançamos por entre a sombra densa, lugar sombrio do forte pinheiral. Aqui, não esmagamos terra. Quem manda é a folha dos pinheiros.
Descemos por trilho único, em fila. Não tiramos os olhos do piso, mas vemos Miranda do Corvo no seu vale.

Gondramaz
44,12 km e galgamos o xisto da aldeia de Gondramaz. Essa aldeia de Miranda do Corvo. O nosso último refrescar antes da meta.
Caminhamos por entre paredes de xisto, de braços estendidos. Queremos sentir as mãos e o carisma desta aldeia. É para sentir as mãos dos grandes artesãos ligados a estas paredes, a estes recantos. Aqui, queremos sentir os seus antepassados, a sua cultura, o seu povoamento. Vamos embora sentidos.
Desço, entramos num trilho seguindo um ribeiro. Somos uma vez mais, eu e o trilho. Trilho divinal que percorremos, numa floresta repleta de densa vegetação e de diversas cores, estamos no outono.
Stop, observamos este castanheiro, infinitas velas já apagou. No seu interior reserva uma cabana. O avô, fala do seu tempo, aquando das brincadeiras.
Dentro de mim, ferve a angústia, não quero ir embora, nem quero que este trilho termine. No 1º andar, já no estradão e estático. Olho para baixo no sentido de observar a floresta que deixamos. Como é possível, ali, dentro daquela forte e robustez vegetação, existir tanta vida.
Um outro mundo…

Trilho da Amazónia e Lousã
Entre a floresta de encantos, rápido descemos, a caminho da Lousã avançamos. Com a folhagem na terra as sapatilhas brincam.
À frente, abrandamos, temos Amazónia à descoberta. Rico trilho que encontramos. A flora é de enorme densidade e beleza. Pura e selvagem comanda o território, e em seu seio me sinto estrangeiro. Estranho me sinto.
Pela desactivada linha de comboio na Lousã prosseguimos.
A meta, és tu e o trilho!
Ali está, finalizamos.

Na vida, infelizmente, já não tenho a presença de meus avós, nem pai. Luto para transmitir os mesmos valores a meus filhos, respeitando as raízes.
Obrigado amigo, e colega de equipa Filipe Carneiro pela cerveja ao cortar da meta. Como havia prometido.
Os Reis dos Trilhos foram…
Ultra Trail Aldeias do Xisto (UTAX) – 110 km
Geral Masculina
1. Luís Duarte (EDV-Viana Trail) – 12:41:58;
2. Bruno Coelho (Satecnosol Outdoor / la Sportiva) – 12:53:31;
3. Rui Pacheco (AMCF – Arrábida Trail Team) – 13:02:05;

Geral Feminina
1. Marisa Vieira (Dr. Merino / 4 Moove) – 15:32:37;
2. Carla Sousa (EDV-Viana Trail) – 16:36:28;
3. Raquel Campos (Shots International Runners) – 17:02:58;
Trail Serra da Lousã (TSL) – 55 km
Geral Masculina
1. Bruno Ferreira (Águias de Alvelos) – 05:50:54;
2. Luís Cunha (Figueira Kayak Clube) – 06:04:52;
3. Ricardo Miranda (Individual) – 06:17:15;
Geral Feminina
1. Inês Marques (U.F. Comércio e Indústria – Atletismo) – 06:48:36;
2. Joana Esperanço (Juventude Vidigalense) – 07:14:15;
3. Lúcia Franco (Associação Desportiva Galomar) – 07:21:58;

Trail do Xisto (TX) – 24 km
Geral Masculina
1. Guilherme Lourenço (CRP – Ribafria) – 02:13:19;
2. Pedro Ribeiro (Caracol Trail Team) – 02:18:17;
3. Carlos Bárbara (A.C.S. Mamede) – 02:22:25;
Geral Feminina
1. Daniela Russo (ORALKLASS-Amigos do Trail) – 02:52:30;
2. Susana Echeverria (Coimbra Trail Running) – 02:53:26;
3. Maria Areias (ORALKLASS-Amigos do Trail) – 02:56:05;

Mini Trail do Xisto (MTX) – 14 km
Geral Masculina
1. Diogo Gomes (Abutres Trail Running School) – 01:14:46;
2. Nuno Gonçalves (Runcrosstrail) – 01:18:04;
3. Sandro Grasso (Run & Fun Genk) – 01:18:31;
Geral Feminina
1. Denise Pereira (Runcrosstrail) – 01:36:56;
2. Carla Reis (ARSM – Associação Recreativa de São Miguel) – 01:39:56;
3. Sabina Marques (Clube de Montanha Alto Trilho (Javalis) – 01:40:05;

Oralklass – Amigos do Trail
Uma vez mais a equipa Oralklass – Amigos do Trail marcou presença neste grande evento, nas provas do Trail Serra da Lousã e no Trail do Xisto. Através dos atletas Maria Areias, Maria Gonçalves, Daniela Russo, Francisco Figueiredo, Filipe Carneiro, Gilberto Pimenta e Nuno Sousa. Com excelentes prestações. Bravo…
OPraticante.pt
O Praticante, através da nossa equipa OPraticante.pt, esteve representado por dois bravos atletas António Soares 56º Geral / 5º M50 com 7h54m59s e Artur Basilio 268º G / 53º M40 com 11:12;59, parabéns aos dois, mais do que vencer, terminar é importante.
Mais informação sobre o evento.
[divide icon=”circle” width=”medium”]
Texto: Nuno Sousa
Fotos: APERSPEED / Filipe Carneiro / Luís Fonseca / Miro Cerqueira – Prozis
Fontes: AXtrail®series / Go Outdoor