Ultra Maratona Atlântica por areias já antes pisadas

Areia solta

Ultra Maratona Atlântica Melides –Tróia, por areias já antes pisadas

Surpreendente Ultra Maratona Atlântica Melides

Sou de certa forma suspeito no que vou escrever (pois amo esta prova), para mim há muitas Ultras Maratonas… mas nenhuma é como esta.

A Ultra Maratona Atlântica é fantástica, única, surpreendente, desafiante.

Já vou na minha sexta participação consecutiva e todos os anos é diferente.

O percurso é o mesmo… mas a areia, o mar, a maré e o clima nunca são iguais, nunca estão da mesma forma.

Partida da Ultra Maratona Atlântica

Homenagens

A organização da prova resolveu este ano homenagear dois grande Atletas totalistas desta Ultra Maratona Atlântica.

A enorme atleta Analice Silva que deixou de estar entre nós este ano, mas que permanece nos nossos corações.

Rui Freitas a exibir o mais que merecido reconhecimento

A homenagem foi efetuada antes da partida, com a leitura do resumo das suas participações nesta prova, seguido de um minuto de silêncio que foi rodeado de muita emotividade.

No final da prova foi também homenageado o carismático atleta Grandolense, conhecido de forma muito respeitosa e carinhosa por Sr. Rui (Rui Freitas), que é atleta totalista de todas as edições desta Ultra Maratona, tendo sempre chegado ao fim e este ano não foi exceção.

Estou certo que no próximo ano estará lá novamente.

Distâncias

Esta prova é constituida por duas distâncias:

43,5 km (Melides-Tróia) distância rainha da competição.
15 km (Comporta-Tróia)

Cada uma das distâncias teve cerca de 200 participantes, prefazendo uma total de aproximadamente 400 atletas.

Clima – bom para os atletas, mau para o espetáculo

Com a antecipação da data da prova em cerca de um mês, aumentou a imprevisibilidade do tempo… as semanas que antecederam a prova foram de muito, mas muito calor, facto este que provocou certamente algumas insónias a muitos atletas.

Praias desertas mas sempre com boa disposição

Mas S. Pedro foi simpático e resolveu baralhar e voltar a dar e saiu de trunfo um clima fresco (para não dizer frio), com alguma chuva e vento contra (durante a primeira parte da prova).

Para os atletas foi quase perfeito, pois uma das maiores adversidades desta prova é o calor e esse não estava lá para “moer”.

Mas não há Bela sem senão… para o espetáculo foi pior, pois não tinhamos as praias cheias de veraneantes a apoiarem os atletas.

Este facto tornou a prova mais solitária e mais exigente ao nível psicológico.

Areia

Não foi dos piores anos, mas também não foi dos melhores.

Aqueles 10/15 km que costumam ser diabólicos, com um areal muito inclinado e areia muito mole que mais parece areia movediça, este ano não estava tão mau… Mas para “compensar”, aquela verdadeira “Auto-Estrada” que aparece a partir do Carvalhal ( por volta dos 20 km), não apareceu o que dificultou a tarefa dos atletas.

Areia solta

Abastecimentos

Este ano a organização resolveu colocar dois abastecimentos líquidos durante a prova, pois nos anos anteriores apenas havia um abastecimento. O 1º abastecimento estava colocado aos 14,5 km e o segundo aos 28,5 km.

Estes abastecimentos apenas são de água, cada atleta tem direito a 1 litro de água em cada um deles).

Em relação à alimentação sólida, cada atleta tem que ser autosuficiente, o que torna ainda mais dura a prova.

O primeiro abatecimento revelou-se cedo demais, talvez fizesse mais sentido colocá-lo por volta dos 18 km. No entanto, o facto do tempo estar mais fresco, não permite fazer uma avaliação muito clara deste aspeto.

O Adamastor

A parte final da Ultra Maratona Atlântica… e quando digo final … é mesmo final… os últimos 5 km são terríveis.

Não que sejam a subir, nem a areia ficou em pior estado, apenas a costa faz ali uns recortes, que nos permitem ver o outro lado da margem da foz (Arrábida), mas não nos deixa ver o pórtico da meta.

Ao avistar uma das últimas curvas, fica-se sempre com a sensação que é a última e que ao fazê-la vamos avistar a tão desejada meta… mas enganem-se, a costa faz (a 3 km da meta) uma baía que se comporta verdadeiramente como o Adamastor se comportava com os nossos navegadores.

Se queres vencer este desafio, tens de ultrapassar esta verdadeira “Baía das Tormentas” e só depois, quando contornamos a última curva… lá conseguimos avistar o tão desejado portico final (que ainda fica a 1 km de distância).

Classificações

Ultra Maratona Atlântica

Mário Cassaca vencedor da Ultra Maratona Atlântica

Mário Cassaca atleta da terra, a representar a equipa Clube Atletismo Odimarq, vence de forma categorical a Ultra Maratona Atlântica, com um tempo fantastico de 3h10m, deixando o segundo classificado João Cruz – Beja Atlético Clube a cerca de oito minutos e José Silva – Beja Atlético Clube, terceiro classificado a cerca de catorze minutos.

No setor feminino Patrícia Serafim – Beja Atlético Clube repetiu a vitória do ano passado, não dando qualquer hipoteses à concorrência, terminando a UMA com um fantástico tempo de 3h32m, com um super quinto lugar à geral, a segunda classificada foi Liliana Veríssimo – individual com 3h52 e em terceiro lugar ficou Amélia CostaCCR Alto Moinho, com 4h14m.

Patrícia Serafim vencedora da Ultra Maratona Atlântica

Prova Atlântica – 15 km

Pedro Arsénio – Beja Atlético Clube – 52’25’’ foi o vencedor, com Carlos Papacinza – Beja Atlético Clube – 52’28’’, a obter o segundo lugar a três segundos do vencedor, uma final épica entre os dois primeiros a discutirem até à linha da meta a vitória, os atletas naquela areia solta, colocaram todas as suas forças, o seu esforço, com o apoio, palmas e incentivos de quem marcou presença na final, Jorge RobaloClube Atletismo Vale Figueira – 52’37’’, completou o pódio

A vencedora foi Sofia Argentina – SS CGD – 1h08’09’’, seguida de Célia Cecílio – individual – 1h08’55’’ a obter o segundo lugar e o terceiro a ser ocupado por Iciar Nevado – individual – 1h13’32’’

Classificação por equipas

Venceu o Beja Atlético Clube, com os lugares seguintes a serem obtidos pela Escola Secundária do Monte de Caparica e Monsanto Running Team

Apesar de ser o único elemento da equipa… nunca corri só.

Equipa CTAD – Trilhos de Cinfães

Eu Viriato Dias, fui o único representante da minha equipa, ainda não consegui convencer os restantes membros da equipa a entrarem nesta verdadeira aventura das areias.

Talvez para o ano, consiga levar alguns elementos, para podermos discutir a classificação por equipas.

Quando à minha prestação, ficou-se por mais um recorde pessoal para esta prova, com 4h01’48’’, tirei cerca de 9 minutos ao meu tempo do ano passado, mas falhei o objetivo de baixar as 4h por muito pouco.

Este tempo permitiu-me obter um inesperado (mas saboroso) 16º lugar à geral e 6º lugar do meu escalão.

António Soares leva OPraticante.pt ao pódio

O projecto de O Praticante, esteve com a sua equipa OPraticante.pt representado por seis atletas, António Soares Vet IV, foi o melhor classificado ao obter o 22º geral / 1º escalão, com 4h20m32s, Gustavo Gasopo – Vet II, obteve 53º G / 13º E – 4:55;28, Luís Nunes – Vet II – 63º G / 16º E – 5:11;40, Nuno Lucas – Vet II – 111º G / 30º – 6:02;54, e Bruno Quitério – Sénior – 131º G / 17º E – 6:50;05, fechou a prestação da equipa na Ultra Maratona Atântica.

A equipa esteve também representada nos 15 kms por Carlos Gasopo – Vet IV – 86º G / 9º E – 1:20;48

Desejo que 2018 chegue rápido

Agora só desejo que 2018 chegue rápido, pois a vontade de voltar a correr nestas areias é muita.

E se possível com o dobro dos atletas, pois a organização merece e as praias ficarão certamente mais coloridas.

[divide icon=”circle” width=”medium”]

Texto: Viriato Dias
Fotos: Câmara Municipal de Grândola

Parceiros