NEM TODAS AS MARATONAS SE CORREM COM OS PÉS

Maratonas

No mundo da corrida, há maratonas que se medem em quilómetros e outras que se medem em superação, inclusão e humanidade. Em Portugal, a Maratona da Europa é um desses exemplos raros onde o desporto vai muito além da competição.

Há histórias que não nos pertencem — mas que, de alguma forma, passam a fazer parte de nós.

A história do Gustavo é uma dessas histórias.

Fonte: Carlos Neves

Uma história que corre para além da meta

Uma criança especial, com uma alegria desarmante, que adora correr, sorrir… e, talvez mais do que tudo, colocar medalhas ao peito de quem chega à meta.

Mas esta é também a história de um pai — Paulo Costa. De um homem que transformou a sua realidade numa causa maior. Que não baixou os braços. Que fez da coragem e da determinação o motor de uma mudança que hoje toca milhares de pessoas.

E, através dele, é impossível não pensar em todos os “Gustavos” do mundo — e em todos os pais dos “Gustavos” — que, todos os dias, enfrentam desafios com uma força silenciosa e admirável.

Maratonas

Muito mais do que uma maratona

É por isso que olho para a Maratona da Europa como muito mais do que uma prova. Para mim, é, sem dúvida, a melhor maratona de Portugal — não apenas pela sua dimensão desportiva, mas pela sua dimensão humana. Pelo que representa. Pelo que transforma.

Ali, cada quilómetro tem significado. Cada meta é mais do que um fim — é um encontro de histórias, de vidas, de superação.

E há momentos que ficam para sempre.

O que realmente importa

Lembro-me de um, vivido em Évora, durante a montagem da minha Meia Maratona, na altura integrada nas Running Wonders.

Estava tudo a ser preparado ao detalhe, como sempre. A pressão era enorme, os dias longos, as decisões constantes.

E, de repente, no meio de tudo isso, o Paulo teve de parar.

Teve de sair. Teve de “voar” até Peso da Régua.

Porque há coisas que estão acima de tudo.

Foi para estar ao lado do Gustavo. Foi para estar ao lado da Fernanda Neves — o seu pilar de sempre, a força silenciosa que sustenta tudo aquilo que muitas vezes não se vê.

E é impossível não imaginar esse momento.

A corrida contra o tempo.
O coração dividido.
A urgência de um pai.
O abraço que se torna prioridade absoluta.
O mundo que pára… porque o amor não espera.

É nestes gestos — longe das luzes, longe das metas, longe dos aplausos — que se percebe verdadeiramente quem somos.

Quando uma medalha é mais do que uma medalha

E é também por isso que tudo o que hoje acontece na Maratona ganha outro significado.

As medalhas da edição de 2026 foram desenhadas por crianças com paralisia cerebral.

Pode parecer um detalhe. Não é.

É um gesto que nasce desta vivência. Desta entrega. Desta capacidade de transformar dor em propósito e fragilidade em força.

Cada atleta que terminar os 42, os 21 ou os 10 quilómetros — ou a caminhada — não levará apenas uma medalha.

Levará consigo uma história.
Um gesto de inclusão.
Um pedaço da coragem de quem nunca desiste.

E, naquele instante, quando a medalha tocar o peito, há algo invisível que também acontece: milhares de famílias sentem que não estão sozinhas.

  • Que alguém as vê.
    Que alguém as compreende.
    Que alguém decidiu, um dia, fazer diferente.

A meta mais importante

No fundo, é isto que fica.

Não é apenas sobre correr. Nunca foi.

É sobre estar.
Sobre escolher.
Sobre amar sem condições.

E sobre perceber que, por todos os “Gustavos” do mundo — e pelos seus pais — há sempre uma meta mais importante do que qualquer linha de chegada.

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