AFONSO EULÁLIO CAIU PARA 5º, SEGUROU A BRANCA
Foto: Team Bahrain Victorious
A 16.ª etapa do Giro 2026 prometia abalar a classificação geral. E cumpriu. Entre Bellinzona e Carì, na Suíça, os 113 quilómetros curtos esconderam uma jornada brutal, marcada pelo ritmo demolidor da Visma e pela confirmação de um homem acima de todos: Jonas Vingegaard.
O dinamarquês voltou a esmagar a concorrência na subida final para Carì — 11,7 quilómetros a quase 8% de inclinação média — conquistando a quarta vitória nesta edição do Giro e dando mais um passo gigantesco rumo ao triunfo final em Roma. Sem rivais à altura, Vingegaard isolou-se na montanha e deixou claro que a camisola rosa já parece ter dono.
Fonte: Isabel Jesus // OPraticante.pt
Eulálio viveu o dia mais duro do Giro
Atrás dele, a luta foi pela sobrevivência. E foi aí que Afonso Eulálio viveu o dia mais duro desta Volta a Itália.
O português da Bahrain Victorious não conseguiu responder ao violento ataque imposto pela Visma a nove quilómetros da meta e viu-se obrigado a entrar em modo de gestão. Perdeu contacto com os homens do pódio, cedeu tempo importante e terminou a etapa no 11.º lugar, a 3.04 minutos de Vingegaard.
As consequências sentiram-se imediatamente na geral, Eulálio caiu da segunda para a quinta posição, ultrapassado por Felix Gall, Thymen Arensman e Kai Hindley.
Mais do que uma quebra, uma prova de maturidade
Mas reduzir a etapa a uma “quebra” seria injusto.
Porque, no meio do caos alpino, o português mostrou maturidade rara para um corredor tão jovem. Em vez de explodir completamente, controlou perdas, geriu esforço e salvou aquilo que continua muito vivo, a camisola branca.
“Quando chegou a subida final, a intensidade era muito alta. Senti que não era o meu ritmo”, explicou no final. “Tentei controlar ao máximo e gerir o meu esforço.”
E fê-lo com inteligência.
A camisola branca continua ao alcance
Apesar do recuo na geral, Eulálio mantém-se líder da juventude e ganhou até algum conforto inesperado nessa luta. Giulio Pellizzari, até aqui principal ameaça, teve um colapso total e perdeu mais de 18 minutos. Agora, o maior perigo chama-se Davide Piganzoli, italiano da Visma que foi sexto na etapa e reduziu diferenças para 1.17 minutos.
Ainda assim, a sensação é clara, a camisola branca continua perfeitamente ao alcance do português.
E isso, há poucas semanas, já pareceria um sonho.
“Ainda não estou pronto para lutar pelo pódio”
A realidade é que Eulálio continua a fazer um Giro extraordinário. Está no top-5 da classificação geral, veste a camisola de melhor jovem e continua competitivo perante alguns dos melhores trepadores do mundo. Num ciclismo moderno cada vez mais feroz, onde os gigantes atacam sem piedade, o corredor da Figueira da Foz vai resistindo com coragem e cabeça.
“Os corredores que lutam pelo pódio são muito fortes. Ainda não estou pronto para lutar com eles… mas quem sabe um dia”, admitiu, com honestidade.
E talvez seja precisamente essa lucidez que impressiona.
Enquanto muitos se afundam quando o corpo falha, Eulálio percebeu que o Giro não se ganha apenas com pernas — ganha-se também com inteligência. E numa etapa onde tantos explodiram, o português soube sobreviver.
Giro entra na fase decisiva
Com duas etapas de alta montanha ainda por disputar, manter o top-5 será difícil. O top-10 parece mais realista. Mas a camisola branca continua viva. E isso já seria histórico.
Esta quarta-feira, o pelotão enfrenta uma etapa mais longa, entre Cassano d’Adda e Andalo, num percurso acidentado que poderá sorrir a uma fuga.
Já Vingegaard segue tranquilo, imperial e praticamente intocável.
O Giro 2026 continua aberto para muitos.
Mas a rosa, neste momento, parece ter apenas um dono.


