FÉLIX DA COSTA AJUDA JAGUAR A CONQUISTAR MUNDIAL
Foto: Jaguar TCS Racing
António Félix da Costa ajuda Jaguar a conquistar título mundial de equipas na Fórmula E
O piloto português terminou a última corrida da temporada no 18.º lugar, mas foi decisivo na estratégia da Jaguar, que garantiu o campeonato de equipas. Pascal Wehrlein sagrou-se bicampeão mundial de pilotos.*
Fonte: Henrique Dias // OPraticante.pt
Jaguar conquista o título de equipas
António Félix da Costa terminou a temporada 2025/26 da Fórmula E com a conquista do Campeonato do Mundo de equipas pela Jaguar. O piloto português foi 18.º na última corrida do ano, disputada em Londres, mas desempenhou um papel determinante na estratégia da formação britânica para garantir o título.
Félix da Costa terminou a 48,737 segundos do vencedor, o britânico Taylor Barnard (DS Penske), que assegurou também um lugar na história da competição. Nyck de Vries (Mahindra) foi segundo, a 0,614 segundos, enquanto Edoardo Mortara (Mahindra) completou o pódio, a 6,087 segundos.
Depois de ter sido terceiro na corrida de sábado, o português entrou na derradeira prova da temporada já sem possibilidades de lutar pelo título de pilotos. A prioridade passou, por isso, a ser ajudar a Jaguar a defender os cinco pontos de vantagem sobre a Porsche no campeonato de equipas.
“O objetivo era um: ganhar o Campeonato do Mundo de equipas, e conseguimos alcançá-lo. Para o fazer, tínhamos de acabar à frente dos Porsche. Sabíamos que íamos ter de fazer uma corrida muito desputada”, explicou Félix da Costa no final.
Félix da Costa assume papel estratégico
A Jaguar respondeu à estratégia da Porsche, que voltou a utilizar o suíço Nico Müller para atrasar os adversários e proteger o alemão Pascal Wehrlein, que partia para a corrida como líder do Mundial de pilotos.
Félix da Costa não escondeu a sua insatisfação com a abordagem da equipa rival e revelou que a Jaguar decidiu responder com a mesma moeda.
“Eles jogaram ontem um jogo de que eu não gostei. Começaram logo a fazer hoje outra vez, na primeira volta, e foi aí que decidimos pôr o nosso plano B em ação. Jogámos o jogo deles”, afirmou.
O português ultrapassou Müller na quinta volta e chegou a rodar na terceira posição, antes de assumir uma missão mais estratégica: atrasar Wehrlein para permitir a aproximação do companheiro de equipa Mitch Evans, que ainda tinha possibilidades matemáticas de conquistar o título.
Na 26.ª volta, com Félix da Costa a condicionar o andamento de Wehrlein, Evans conseguiu ultrapassar os dois e subir ao quarto lugar. O piloto português continuou depois a pressionar o alemão, que acabou por cair para fora dos lugares pontuáveis.
“Não têm nenhum direito de dizer que fizemos alguma coisa de mal. Apenas fizemos o que eles nos fizeram, mas melhor, mais e melhor”, declarou.
Evans falha título, Wehrlein é bicampeão
Apesar do esforço da Jaguar, Mitch Evans não conseguiu alcançar a vitória de que precisava para se sagrar campeão mundial. O neozelandês terminou no quarto lugar, atrás de Barnard e dos dois pilotos da Mahindra.
Pascal Wehrlein acabou por conquistar novamente o campeonato, mesmo terminando fora dos lugares pontuáveis. O alemão beneficiou do abandono do britânico Jake Dennis (Andretti), envolvido num incidente na 31.ª volta.
Wehrlein fechou a temporada com 169 pontos, mais cinco do que Dennis e nove do que Evans, tornando-se bicampeão mundial. É apenas o segundo piloto a conquistar dois títulos na história da Fórmula E, depois do francês Jean-Éric Vergne.
Félix da Costa fecha época no sexto lugar
António Félix da Costa terminou o campeonato de pilotos na sexta posição, com 128 pontos. O português teve uma temporada marcada por duas vitórias, em Jeddah e Madrid, além de várias presenças no pódio.
Apesar de não ter conseguido lutar pelo título individual até ao fim, o piloto de Cascais fez um balanço positivo da época.
“Estou contente por trazer este Campeonato do Mundo de equipas para casa. Foi uma época positiva, competitiva em todos os circuitos. Lutámos por ‘top-5’ e pódios em todos os circuitos. Talvez tenha sido a época mais competitiva que tive na Fórmula E”, considerou.
O antigo campeão mundial, em 2019/20, lamentou, contudo, alguns episódios que, na sua perspetiva, acabaram por retirar pontos importantes ao longo da temporada.
“Obviamente, aconteceram-nos muitas coisas que nos roubaram muitos pontos, mas isto é o mundo do desporto. Agora é descansar uma ou duas semanas e agarrar o novo Gen4 com toda a força, para nos colocarmos outra vez numa posição de lutar pelo Campeonato do Mundo no próximo ano”, concluiu.
Taylor Barnard faz história em Londres
A vitória na última corrida da temporada pertenceu a Taylor Barnard. O britânico garantiu o triunfo depois de ultrapassar Nyck de Vries na última curva, a duas voltas do final.
Com 22 anos e 76 dias, Barnard tornou-se o piloto mais jovem de sempre a vencer uma corrida na Fórmula E.
A corrida de Londres encerrou a temporada 2025/26 e marcou também o fim da era dos monolugares Gen3. Na próxima temporada, a competição entra numa nova fase com a chegada dos Gen4.




