Mónica Silva “Aqueles 42.195 metros, são míticos, são a minha distância de eleição”
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Mónica Silva, atleta do Sport Clube Lisboa e Benfica, é natural de Águeda onde reside atualmente e nasceu a 25 de novembro de 1983. Atualmente com 33 anos, já tem um currículo desportivo invejável, tendo sido campeã nacional sub-23 de estrada, campeã nacional na distância de 1.500 metros em pista coberta em 2004, campeã nacional sub-23 de corta-mato curto em e vice-campeã nacional sub-23 no corta-mato longo.
Já em seniores, foi campeã nacional de 3.000 em pista coberta em 2005, com o record pessoal de 9min40seg. Obteve a Medalha de Ouro na meia-maratona dos Jogos da Lusofonia em Macau decorria o ano de 2006.
Em 2013, Mónica Silva foi a segunda classificada na Maratona de Turim, Itália, prova que marcou a sua estreia nesta distância, com 2h41min43sg. Obteve a sua melhor marca na maratona de Hamburgo com 2h33min51seg, tendo sido classificado em 8º lugar e 4ª melhor atleta europeia.
Já num passado mais recente foi campeã nacional por equipas em estrada e corta-mato longo e vice-campeã de corta-mato curto em 2015.
Em 2016, revalidou o título por equipas em estrada e no corta-mato longo e ficou em 3º lugar individual disputado em Albufeira.



Já foi chamada por dez vezes internacional em representação da seleção nacional.
Mónica Silva um currículo desportivo invejável
Mónica Silva foi entrevistada pelo O Praticante.

Como e quando é que surgiu esta paixão pelo atletismo?
Desde muito cedo, tinha eu apenas 8 anos! Lá em casa sempre houve paixão pelo desporto e pelo atletismo em particular. A minha irmã, que é cerca de 1 ano mais velha que eu, participava em algumas provas e o meu pai sempre me incentivou a participar também. No inicio eu não queria ir, mas aos poucos comecei a treinar com a equipa da Casa do Povo de Valongo do Vouga, treinávamos às Terças e Quintas Feiras. Comecei a ganhar o gosto e também ajudou muito o facto de na minha primeira participação (em minis) na minha terra Natal, Valongo do Vouga, ter ficado em terceiro e ter ganho um troféu! Ganhei o gosto e depois disso era já eu que perguntava ao meu pai, quando era a próxima prova…

Como é ser treinada por um dos grandes nomes do atletismo português o Prof. João Campos?
O Prof. João Campos é um excelente profissional, com um currículo invejável. Cresci muito desde que comecei a ser treinada por ele, quer como atleta, quer como pessoa. Aprendi muito.
Numa fase mais complicada da minha carreira desportiva, não hesitei em pedir-lhe ajuda e ele desde logo aceitou-me no seu grupo, mostrando-se disponível para me treinar. É bastante exigente, mas mostra-nos que para atingirmos resultados tem obrigatoriamente que haver sacrifícios.

Em que se baseia o seu treino?
Eu treino duas vezes por dia, seis dias por semana, de Segunda-feira a Sábado. Depois dependendo do objetivo do treino e para o tipo de prova que me estou a preparar, a intensidade do treino pode variar.
Treinar para uma prova de estrada de 5 ou 10 km, é diferente da preparação para uma meia-maratona…
O plano de treinos que o Prof. João Campos prepara para cada um de nós é individual e distinto se o atleta é profissional ou não. No meu caso a preparação para uma Maratona começa cerca de três meses antes da prova, com treinos bi-diários, sendo que às segundas, terças, quartas-feiras e sábado, faço treinos mais curtos e às quintas-feiras e Domingo são normalmente dedicadas aos treinos longos.
Se o objetivo de o treino incidir sobre a participação no Corta Mato, alteramos o local normal do treino para o Parque da Cidade e o treino baseia-se em séries, treinos de força e corridas com tempos de rolamento mais curtos.

Em 2013, estreou-se na maratona em Turim obtendo o segundo lugar, qual foi a sensação ao cortar a meta?
As sensações vividas durante uma maratona, são indescritíveis.
A maratona de Turim, vai ficar para sempre registada na minha memória, não só por ter sido a primeira em que competi, mas também pelo resultado alcançado. Eu sabia à partida que não me tinha preparado convenientemente para a prova, mas queria muito experimentar esta distância. E ainda bem que o fiz! Recordo aquele dia como se fosse ontem! Os dois últimos quilómetros foram arrepiantes!
Estar longe de casa, numa cidade que não conhecia e sentir o muito público a aplaudir, a gritarem o meu nome (que estava escrito no dorsal), saber que a meta estava já ali tão perta, ver outros atletas a “quebrarem” alguns sem conseguirem dar sequer dar mais um passo e finalmente cortar a meta em 2º lugar…
Ao princípio nem quis saber do tempo, só queria aproveitar e saborear aquele momento.

Depois desta experiencia só posso perguntar-lhe qual é a distância que lhe dá mais prazer correr?
A distância que me dá mais prazer é a maratona! Como atleta profissional que sou, corro em pista, corta-mato ou em distâncias mais curtas, mas aqueles 42.195 metros, são míticos, são a minha distância de eleição.
A maratona envolve muita coisa. Os três meses de preparação, o reconhecimento do terreno, o próprio dia da prova, a “barreira” dos 35 km e o bem-estar psicológico que tem que ser mais forte que a própria força nas pernas…
O acreditar que sou capaz, que vou terminar, que eu vou conseguir e finalmente que vou ser maratonista. É desta forma que penso cada que treino para me preparar para uma maratona.

A Mónica está a recuperar de uma lesão. Após uns excelentes resultados em 2016 nos nacionais de corta-mato tanto a nível coletivo como a nível individual, qual é/foi o sentimento de não ter participado este ano nos nacionais?
Sabe, é bastante angustiante ser-se profissional e ficar do lado de fora. Não ter participado este ano nos corta-matos, foi-me muito difícil. Optei por assistir às provas das minhas colegas pela televisão, mas confesso que o que queria mesmo era estar lá e dar o meu melhor.
Infelizmente ter lesões faz parte da vida de qualquer atleta. Eu estava a treinar bem, já tinha os objetivos estruturados com o professor para esta época, mas esta lesão apoderou-se de mim há 4 meses e obrigou-me a parar.
Anseio a todo o instante regressar e sei que quando o fizer terei ainda mais força e vontade para voltar à melhor forma.

Quais são os grandes objetivos para o futuro? Uma participação olímpica faz parte dos planos futuros?
O sonho e objetivo que qualquer atleta é a participação olímpica! Eu não sou diferente e o meu grande objetivo e por qual vou trabalhar com o meu treinador, é poder estar presente em 2020 na Maratona de Tóquio. Acredito no meu valor. Sei que tenho as pessoas mais importantes da minha vida, família, namorado, treinador, grupo de treino, amigos, patrocinadores e o meu clube, o Benfica, ao meu lado. Com eles tudo fica mais fácil e é daí que vem a força diária que necessito. Eles estão sempre lá tanto nos maus como nos bons momentos.

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Entrevista de: Davide Pinheiro
Fotos retiradas do facebook da atleta