Maceira o Trail mais duro do Oeste
Marisa Figueiredo
Maceira, 21 de maio de 2017, a manhã prometia alguma neblina, contudo pelo romper matinal o sol começou a mostrar os seus frutos.

Trail da Maceira
Lá fui eu novamente fazer aquilo que mais gosto que para além de correr é aliar isso à natureza no seu estado bruto, puro, e este II Trail das Escarpas da Maceira foi rico e farto nestes adjectivos.
Fui ter com os meus camaradas de equipa, concretamente os Figueiras e o David, e em amena cavaqueira bebemos um café junto ao local de partida.
Abeiram-se as 09H00, lá vamos marchando para o local de partida que ficava apenas a escassos metros do centro de Maceira, pequena localidade pertencente ao Concelho de Torres Vedras, junto da famosa e termal água do Vimeiro.

Senhor Alegre, que de Alegre tem tudo
Bom, pequeno briefing do senhor Alegre, que de Alegre tem tudo, o seu sorriso patente no rosto, dá força e atenção para os 18 kms que aí vêm.
Parti com bom ritmo, nunca perdendo de vista os homens da frente, contudo sempre gerindo pois as escarpas não tardavam a vir, e fui deveras avisado pelo meu companheiro de equipa de OPraticante.pt, na pessoa do Carlos Figueira, que me disse que ia haver surpresas, e se houve.

Montanha Russa do Oeste
Mal tinhamos andado um km em terra batida e inicia-se uma viagem fenomenal de Montanha Russa do Oeste, escarpas e subidas em pedra laterais de cortar o fôlego, em que toda atenção era pouca, pois a aventura podia-se tornar numa pequena tragédia, em suma teria de haver responsabilidade individual por parte de todos os atletas para que tudo corresse bem.

Ora mais uma volta, mais uma subida das boas aos 7 kms, antevia-se alguma gestão pois o calor a esta hora já começava a fazer-se sentir, contudo sigo a um bom ritmo, corda ali, ramo acolá, tudo servia para amparar neste empeno que já era certo.
A dureza já se fazia sentir, trinco uns gomos de laranja e uma banana que fui digerindo e que guardei logo desde o primeiro abastecimento, frutinha que o meu organismo gosta e já reconhece, não deseja mais nada nesta provas.

“Louquinhos” a correr na praia
Ao km 10, e a beijar já os 11, passamos na Praia de Santa Rita rumo ao Porto Novo, onde o areal que não estava muito solto ajudou nas galgadas feitas no mesmo, o tempo não era mau pois já se viam bastantes veraneantes que abismados olhavam para uns “louquinhos” a correr na praia.
Bem este trail de duro e monótono nada teve, não é que passado esta fase entramos no relvado do campo de golf do Vimeiro, parecia um treino de recuperação, aquela relvinha aparadinha soube que nem ginjas para os musculos, “fofinha”….

Diga-se de passagem que numas descidas frenéticas junto à costa da Praia de Santa Rita, em que a areia fez o mesmo efeito, fofinha novamente.
Guilherme David, desce as escarpas como Jesus Cristo a flutuar sobre as águas
Bem lançado e apenas atrás de um companheiro do Clube de Atletismo da Barreira, e de um senhor chamado de Guilherme David, que desce as escarpas, que parece Jesus Cristo a flutuar sobre as águas, seguimos a reta final, antes disso deu para molhar os pés no rio Alcabrichel, que bem que soube.
Reta final, oiço “1000 mts jovem”, só que foram durinhos, sobe e desce novamente, cordas com nós que ajudavam nas descidas, labirintos de pedras que a esta hora já apertavam o meu corpo que nem uma jibóia.

Conhecer Portugal de Palmo a Palmo
Lembro-me de aceder já ao interior da Aldeia da Maceira, olhar à esquerda e ver um estendal com peixe a secar, brutal, o que o Trail tem de bom é isto meus amigos, conhecer Portugal de Palmo a Palmo, e a fazer aquilo que se gosta.
Posto isto na ponte de Maceira, lá estava o senhor Carlos Alegre, de fita preta na cabeça, enchi-me de alegria por o ver, e ouvir dizer “Parabéns Jovem, 100 mts e acabas!“, um obrigado para ele através deste artigo.
Sim um trail provido de tudo, escarpas, praia, areia, rio, relva e pouca mas muito pouca ,ou quase nada, estrada, parabéns a esta grandiosa organização que não poupou esforços para que tudo corresse pelo melhor.
E já agora, os meus parabéns ao staff responsável pela confecção do almoço pois a Feijoada de Polvo estava fenomenal, para mim em particular estava uma delícia.

OPraticante.pt no pódio com António Tavares
Muito contente com a minha prestação pela equipa OPraticante.pt, tendo terminado a prova em 2H08m01s, obtendo o 6º lugar da Geral e 3º no Escalão M23.
A equipa de OPraticante.pt esteve representada por quatro atletas, para além de mim António Tavares, participaram Carla Figueira – 91ª geral – 6ª F23 – 3:40;20, Carlos Figueira – 94º G – 37º M40 – 3:44;34 e David Silva fechou a equipa obtendo o 101º G – 9º M50 – 4:26;06
E os vencedores do evento foram:

O vencedor foi Daniel Martins – Casa do Benfica de Torres Vedras com 1h49m59s, Mário Firmino – Dolce Furadouro – 1:56;51 e Paulo Miranda – Turres Trail Team – 2:01;56, foram respectivamente 2º e 3º classificados.
Em femininos venceu Marisa Figueiredo – Associação de Toledo – 2:31;02, com Marta Fonseca – individual – 2:35;25 em 2º lugar e o 3º lugar a ser obtido por Cármen Henriques – Rund And Smile – 2:39;03, madrinha do evento

Escalão M23
O dois primeiros da geral foram também os dois primeiros do escalão M23, cujo pódio foi completado por António Tavares – OPraticante.pt – 2:08;01.
Mais uma vez o Trail serviu para conhecer pessoas como os organizadores Mário Estanislau e Filipe Estanislau, as associações locais, nomeadamente a Vaklouro – Associação Ambiental e Cultural da Maceira, o Centro Social e Recreativo de Maceira, o Grupo de Amigos Voluntários de Maceira e a Associação Recreativa Social e Cultural de Toledo, que organizaram conjuntamente o evento, mais um êxito, bem como outros colegas de corrida e obter momentos de adrenalina e alegria.
Abraços e Boas Corridas.
Texto: Alex Tavares
Fotos: Organização / Anabela Santos / Nuno Jorge /