Paraíso Verdejante, aventura em 4 estações e no final ??

Paraíso Verdejante

Azores Challenge MTB 2018 – Aventura no Paraíso Verdejante, 4 estações e no final um sorriso pela conquista, pela superação!

Aventura no Paraíso Verdejante

Vinham de todas as partes e formas os bravos e corajosos que se propuseram a esta Aventura no Paraíso Verdejante, para muitos era uma simples prova, mais uma no seu calendário, ou até mesmo mais uma voltinha no parque.

Mas para alguns seria a sua estreia neste tipo e forma de eventos, que nem sabiam bem para o que vinham, mas o desejo e vontade de conquistar aquela medalha no final era imensa.

24horas antes da prova, já havia quem desembarcasse no aeroporto de Ponta Delgada, mas durante os voos já se faziam pequenas amizades entre concorrentes e trocavam-se as primeiras ideias de como iriam ser os três magníficos dias de prova.

Pelas ruas e estabelecimentos já marcavam presença alguns atletas, marcados pela pronúncia diferente e vestimenta mais desportiva.

Azores Challenge MTB 2018

Dia 28 Outubro 2018 – 1º dia de Prova, mas antes disso era necessário marcar presença na loja da organização para levantamento do simples dorsal e para a foto da praxe.

Muitos ficaram surpreendidos, talvez até um sentimento de vazio, por numa prova como esta, com tanta procura e publicidade, simplesmente receberem um dorsal e nada de brindes para recordação.

Check-In e levantamento de dorsal

Check-In e levantamento de dorsal efetuado agora era tempo de levantamento das bicicletas no local indicado pela organização, mas não era só lá chegar e voltar a pedalar. Teríamos que desembalar as bikes e montar as mesmas, Nas caixas, ferramentas, câmaras-de-ar, mochilas, tudo o que pode ser necessário para superar uns longos dias de bicicleta, num total de mais 140km’s de distância e de +5.000m de acumulado de subida!

Uns com mais ou menos experiência lá ia tudo correndo pelo melhor, mas foi logo neste momento que se viu as primeiras entre ajudas entre os concorrentes, com o stress faltavam ferramentas mas rapidamente apareciam vindas de alguém disponível para ajudar.

Naquele enorme espaço já se ouviam o barulho das correntes a serem oleadas, as afinações finais, confirmação de alturas de selins corretas, pois estávamos praticamente a poucas horas do prologo e o nervosismo começa a tomar conta dos menos experientes. Mais aumentou quando nos emails chegava a informação da publicação das horas e alinhamento das partidas de cada um.

Pelas 18h45 já se viam algumas marcações na zona da Marina de Ponta Delgada, local escolhido para se efetuar o Prologo, alguns atletas já desfilavam com as suas máquinas de guerra.

19h00 reunião com o responsável de prova para uma breve orientação e explicação como se iria desenrolar o Prologo e uns alertas sobre a etapa do dia seguinte.

Prologo de 4kms

Anunciado um Prologo de 4kms, mas que bem medidos deu cerca de 1.600 metros, mas muito rápidos, foi aberto o trajeto para aquecimento e reconhecimento e todos ficavam com um sentimento a pouco. Deu-se início ao mesmo com as batalhas entre duplas, ou seja, partiam duas equipas de duplas ao mesmo tempo, o que originava um maior despique.

Tudo a correr dentro da normalidade entre flashs de fotógrafos, a população e turistas a baterem palmas. Mas foi tudo tão rápido que nem para desfrutar deu, momento único e explosivo.

Era altura de descansar pois o dia seguinte já era de uma verdadeira dureza, adivinhava-se um belíssimo trajeto pensado pela organização, que levaria os concorrentes a deslumbrarem-se por paisagens que para alguns seria a primeira vez vistas.

Finalmente a Aventura no Paraíso Verdejante inicia-se

Dia 29 Outubro 2018 – 2º dia de Prova, a primeira Etapa

Uns primeiros kms controlados pela viatura da organização pelas ruas de Ponta Delgada, até ao inicio de uns trilhos verdejantes da paisagem Açoriana, a natureza no seu melhor, onde o homem não criou, entre pastagens, subidas e descidas, com as célebres vaquinhas malhadas, até quem havia que gritasse “Eu sou uma Alface do Lidl!” mas estava enganado ali o melhor era a presença das vaquinhas malhadas, tradicionais nas encostas que se distinguiam no verde predominante, daquele Paraíso Verdejante.

O destino era chegar a Lagoa do Fogo e voltar por um trajecto completamente diferente, com um total de aproximadamente 71 kms e 2250 metros de acumulado, como tal adivinhava-se algumas subidas interessantes.

Ainda se sorria durante os primeiros kms, falava-se e brincava-se, fotos para recordações e até vídeos a entrevistar algumas vaquinhas em direto para algumas páginas de Facebook, via-se de tudo e eram risadas constantes, mas após o primeiro ponto de abastecimento, o silêncio tomou conta do ambiente, pois as pernas tinham que vencer uns topos valentes, com alguns momentos de inclinações terríveis.

Challenge MTB

Lagoa do Fogo, superação para lá chegar e voltar

Uma transposição dos trilhos para o topo mais alto da etapa era efetuada em alcatrão, mas se estavam ali é porque tiveram a coragem de efetuar a inscrição e submeterem-se ao desafio. Num pequeno parque estacionamento, lutado de turistas para obterem fotografias da Lagoa do Fogo, ouviam-se palmas e palavras de força para os atletas, estávamos a chegar ao ponto que todos desejavam alcançar pois a partir de ali o trajeto possivelmente seria mais rolante.

Mas para isso os atletas tinham que descer cerca de 300 metros praticamente com a bicicleta às costas pois eram intransitável, as chuvas em dias anteriores abriram regos enormes, mas tudo se fazia para chegar o mais rapidamente a linha de chegada.

De novo de volta ao interior de uma zona verdejante, do Paraíso Verdejante era descer e subir rapidamente por alguns singles, um grupo de 5 atletas chegava a um ponto do percurso, direita ou esquerda era a questão?

Após algumas dúvidas optaram pela direita, mas era um túnel, completamente escuro, parecia uma cena de banda desenhada em que em escadinha todos espreitavam para o seu interior, opção? Vamos e pronto, bicicleta a mão e calmamente caminhavam pelo interior até chegar ao fim, quase de gatas caminharam cerca de 150 metros, que depois no final viram que bastava vir pela esquerda.

Foi risada geral no momento, só mesmo vivendo o momento e que se consegue imaginar o acontecimento.

2º ponto de abastecimento

Zona rápida e chegada ao 2º ponto de abastecimento, recarregar água, comer umas boas iguarias e arrancar de novo. Poucos kms faltavam e rapidamente era carregar nos pedais, vinham uns kms em alcatrão a descer, já pouco faltava, até que o GPS ordenava uma viragem a direita e novamente mais uns trilhos entre alcatrão e caminhos.

Para chegar ao final os atletas tiveram que fazer um single track sinuoso, que a meu ver era desnecessário a tão poucos kms da linha de Meta. Estava feita a 1ª etapa e pedalava-se até a linha de partida que ficava ainda a uns kms, era servida uma simples massa com atum e legumes, acompanhada com uma bebida e café, sobremesa???? Não havia que o pessoal estava de dieta!

Rumo aos quartéis generais para um belo duche, descansar e verificação das máquinas.

69kms e 2150mts de acumulado pelo Paraíso Verdejante

Dia 30 Outubro 2018 – 3ª e Etapa Rainha

Ponta Delgada – Lagoa das Sete Cidades – Ponta Delgada

Trovoada sobre Ponta Delgada substituía os normais despertadores. Um dia iniciado com chuva e trovoada, todos esperavam terem a companhia da chuva durante o percurso, os olhares estavam fixados para a zona da Lagoa das Sete Cidades, rodeada de umas nuvens negras e espessas. Alguns atletas nem marcaram presença na linha de partida, ficava a dúvida no ar, seria pelo cansaço acumulado, com receio da situação climatérica, ou uma noitada bem divertida?

Uma partida rápida, ou normal para alguns e lenta para os menos experientes, rapidamente o pelotão ganhava distância, a luta para as melhores posições para andamento livre era constante, para não se perderem contactos e assim se irem controlando quem lutava pelo pódio.

O gráfico mostrava que iriam ser 23 kms sempre a subir, não enganava em nada e poucos kms percorridos em alcatrão apareciam as primeiras escaladas, as pernas doridas do acumulado do dia anterior faziam-se sentir, mas as paisagens que se iam deslumbrando subida após subida faziam esquecer tudo.

A entre ajuda aparecia constantemente entre atletas, mesmo rivais na classificação, quase no topo uma transposição entre trilhos era efectuada de alcatrão até ao 1º ponto de abastecimento, era hora de reabastecer líquidos e comida.

A questão era o que será que ainda faltava subir, que segundo o gps ainda faltava algumas escaladas de meter respeito. E foi só virar a esquina e até as pernas começaram a tremer, e era tudo a desmontar e caminhar calmamente por ali acima, uns bons metros de alcatrão mas com uma inclinação de respeito até ao topo.

Quem não tinha ambição de pódios e estava ali para desfrutar da paisagem

O melhor estava para chegar, um trajeto rápido numas estradas de terra a volta da Lagoa das Sete Cidades, faziam os atletas atingir velocidades bem acima do que vinham a praticar. Para quem não tinha ambição de pódios e estava ali para desfrutar da paisagem, deste Paraíso Verdejante, era paragem obrigatória para uma foto no Miradouro das Cumeeiras. Eram mais os Atletas a tirarem fotos que turistas.

O trajeto era sempre a descer até a chegada a Lagoa de Sete Cidades, mas algo estava errado, se agora descemos então a seguir temos que subir novamente? Ok lá tinha que ser, enfrentar 3kms de subida pois o segundo ponto de abastecimento era no Miradouro da Vista do Rei, celebre pela paisagem sobre a Lagoa das Sete Cidades.

O trajeto segundo elementos da organização agora seria mais rápido e quase sem dificuldades, mas o cansaço era imenso, mais de metade da etapa estava concluída, não era momento de baixar os braços e desistir.

A chuva voltava e bem forte, costumo disser chuva civil não molha militar, mas esta molhava e bem he,he, he, he, mas como estamos nos Azores a seguir a uma chuvada vem o belo do Sol.

Entre descidas e subidas a alguns pequenos topos chegados à meta

Entre descidas e subidas a alguns pequenos topos, este final de etapa fazia passar os atletas entre o Aeroporto de Ponta Delgada e a linha de falésia, mais uma vez o Paraíso Verdejante, as paisagens únicas faziam esquecer o cansaço.

Meta a vista e a chegada os atletas recebiam as suas medalhas de finisher, agora sim era hora de abraços, palmadas nas costas, as últimas fotos misturadas com algumas lágrimas para quem fez toda uma etapa em sofrimento.

Desta vez a linha de Meta era no mesmo local que da partida o que veio a agradar em imenso todos os atletas, o almoço era churrasco de ½frango, batata frita, bebida e café, sobremessa???

Acho que já vos tinha escrito que o pessoal estava de dieta!

E o balanço do evento

Foram momentos vividos na minha pessoa, podia vos tentar descrever muito mais detalhado o que senti, vivi, vi em tantos momentos nesta Aventura. Foi um desafio para mim e para muitos outros atletas amadores.

As paisagens são deslumbrantes, os trilhos diferentes ao que eu estou habituado, o ambiente entre atletas é brilhante.

A organização pode dar uns retoques na próxima edição, nada como oferecer aos atletas no acto do levantamento do dorsal um saco com alguns brindes de patrocinadores, uma simples t-shirt com o logotipo da prova, reforçar melhor as refeições finais.

O descontentamento era geral entre todos, elevado preço de inscrição para o tipo de prova. Mas são momentos únicos ali passados, recomendo a quem ainda não fez.

Sim temos a consciência que vai ser duro, que não estamos ao nível desejado, mas temos a força mental e o desejo de trazer para casa, para junto de quem nos tem apoiado a medalha de “Finisher”. Não nos importa a classificação, simplesmente terminar!

Visualize também:

2ª etapa – Etapa Rainha Azores Challenge visita a Lagoa Sete Cidades

1ª etapa – Azores Challenge MTB paisagens valem momentos únicos

Prologo – OPraticante.pt/SFOA Cycle Team no Azores Challenge MTB

Ante visão – Aventura no Paraíso, no final dor de pernas garantido!

[divide icon=”circle” width=”medium”]

Texto: Rui Bastos
Fotos: Cedidas pela organização / e por Rui Bastos e Luís Filipe

Parceiros