Corrida do Torreão com Serenata à chuva
No mês de Novembro, o atletismo nacional no norte de Portugal após a euforia da Maratona do Porto apresenta um período de transição com vista às provas de final de ano. A abrir essa fase estão algumas corridas de menor estatuto mas que nem por isso deixam de ter a sua qualidade, uma delas foi a molhada e chuvosa corrida do Torreão.

A corrida do Torreão aconteceu Domingo (11) de novembro pelas 10 horas da manhã em Macieira da Maia, Vila do Conde e foi uma organização da ProEvents com o apoio da Câmara Municipal de Vila do Conde e da Junta de Freguesia de Macieira da Maia. Aos atletas estava proposta uma corrida cronometrada de dez quilómetros e para os “mais corajosos” uma caminhada de cinco quilómetros.
A equipa de OPraticante.pt esteve presente no evento e agora apresentamos todas as notas sobre como tudo decorreu.

Percurso selectivo marcado pelo mau tempo
A corrida do Torreão como mencionado no artigo de antevisão da prova teve o seu percurso totalmente decorrente no consagrado e mítico Caminho de Santiago.
A partida e chegada da prova aconteceu no Largo do Vilarinho e os atletas tinham de percorrer duas voltas a um percurso que prometia grande animação. Para os que desconhecem, Vilarinho é a primeira paragem do Caminho Português de Santiago que liga Porto a Compostela.
Quem já percorreu este caminho sabe dos seus desafios e então o percurso desta prova seguiu as mesmas pisadas. Com a partida junto à imponente e secular torre que domina o Vilarinho, os atletas viravam de imediato à direita para seguirem o primeiro quilómetro de prova na rua da Ponte de Ave em sentido descendente o que dava logo a ideia que o retorno não seria fácil.
Após o primeiro quilómetro de prova, os atletas rumavam à milenar ponte do D. Zameiro descendo num piso mais agastado até ultrapassar a ponte que foi o ex-líbris da prova. No total, os atletas passariam quatro vezes na ponte.

Era tempo de subir e a subida era longa
Após a passagem da ponte, era tempo de subir e a subida era longa e de quase um quilómetro ao longo da rua cidade de Portalegre. No alto fazia-se o retorno para se descer o que se subiu, ultrapassar a ponte e voltar a subir para a rua principal que levaria os atletas ate à meta.
Para além de ser um percurso selectivo, esta prova fica claramente marcada pelas fracas condições climatéricas. Quando se saiu de casa, a chuva caía impiedosa e apesar de à hora da prova ter acalmado, a chuva foi constante. No percurso, as marcas da noite de temporal eram visíveis, ruas alagadas e escorregadias e nas partes junto ao pinhal, muitas folhas, paus e lama a colocarem o terreno perigoso e a fazerem os atletas a terem de redobrar a atenção na sua passagem para evitarem escorregar e caírem.

João Silva vence Corrida do Torreão
O grande vencedor da corrida do Torreão foi João Silva em representação do Vitória Sport Club. O atleta do clube vimaranense terminou a prova em 39:38min. A completar o pódio ficaram Alcino Silva do Alpendorada com 40:05min e José Almeida da Academia Fernanda Ribeiro com 40:26min.

Hortense Tenda triunfa no setor feminino
Na competição feminina da prova, Hortense Tenda em representação Sporting de Espinho/Antonio Leitão ao contrário do que aconteceu na corrida da praia do Areinho, desta vez não deu azo a erros e dominou a seu bel-prazer a prova de inicio a fim e venceu isolada com 46:18min. Na segunda posição ficou Bonnard com 51:28min e no terceiro posto Sara Nunes do Afis/Ovar com 52:53min.

Vencedores por escalão
A prova teve vencedores por escalão e estes foram os seguintes:
Na competição masculina venceram Carlos Gomes do Salgueiros Running (seniores), Nuno Silva do Salgueiros Running (Vet I), Antonio Fernandes do GDCTENVC (VET II), Francisco Santos do G. D. Leões da Agra (Vet III), Antonio Gonçalves do G. D. Leões da Agra (Vet IV), Serafim Ramos do Lion Runners – G.D. Leões da Guarda (Vet V) e José Gomes do Grebonfim (Vet VI).
Na competição feminina triunfaram Marta Martins do Salgueiros Running (seniores), Elisabete Cunha (Vet I), Adelaide Brandão de Os Avenses (Vet II), Paula Teixeira do Salgueiros Running (Vet III), Aurora Freitas do Salgueiros Running (Vet IV) e Sandra Sousa (Vet V).

Patrícia Silva a que mais aproximou do pódio a equipa OPraticante.pt
A equipa de OPraticante.pt esteve representada na prova por cinco atletas, tendo obtido os seguintes resultados: Pedro Pereira (58º geral / 7º Vet I) – 59:02min, Nuno Fernandes (59º geral / 11º sénior) – 59:37min, Patrícia Silva (70ª geral / 5ª sénior) – 01:08:25, Gustavo Pereira (73º geral / 13º sénior) – 01:08:38 e Rute Pereira (74ª geral / 6ª sénior) – 01:08:39.

Prova bem organizada debaixo de chuva
Com uma organização simples mas esforçada e verdadeira, a ProEvents teve uma dura tarefa ao colocar esta prova a funcionar em bons modos dadas as condições climatéricas que se apresentavam. O secretariado e local de pódio estavam colocados na torre local e aos atletas era entregue um saco e t-shirt brancos alusivos a prova, um postal de Macieira da Maia e o dorsal com chip.
Após a prova, para além da medalha finisher, os atletas tinham direito a uma bola de berlim e água. Para um preço de inscrição de 8/10 euros o que foi entregue aos atletas está adequado.
O local da prova estava bem isolado bem como o percurso com autoridades nos cruzamentos da prova. Ao longo do percurso, havia placas informativas com os quilómetros e com os pontos de retorno e abastecimento. De registar que a prova teve um abastecimento ao quilómetro cinco.

Parabéns a quem esteve presente!
Alguém que more junto ao Largo do Vilarinho e acordasse de manhã cedo e viesse à janela ver o que se passava certamente diria que estariam todos doidos. Quem é que se ia lançar numa prova de atletismo debaixo da carga de água que caiu a partir das oito da manhã?
De facto, correr nestas condições não é o mais agradável mas o que custa é começar e depois é ter cuidado na estrada e tudo se ultrapassa. Deve custar mais a quem está de fora.
Todos que estiveram na prova estão de parabéns, atletas, staff da organização, ao fotógrafo da prova, José Coutinho que arriscou o material fotográfico ao tirar fotografias debaixo de chuva e também destaco, um casal de idosos que estava na porta da sua casa de guarda-chuva na mão a incentivar os atletas quando passavam e que foram basicamente, os únicos a apoiarem.

Vermelho do Salgueiros Running “pintou” a prova
Nesta prova temos de dar destaque à presença do Salgueiros Running. O conjunto do emblema de Paranhos apresentou-se na prova com vinte e dois atletas, mais de um quarto dos atletas presentes em toda a prova. Com uma comitiva tão extensa, não foi de estranhar que tivessem atletas em quase todos os pódios da prova.

Mais uma prova, mais uma bela medalha
Já se está a tornar um cliché elogiar as medalhas apresentadas nas provas da ProEvents mas de facto as medalhas que têm oferecido aos atletas são excelentes trabalhos da Oficina das Medalhas e a medalha desta prova não foi excepção.
Se a São Silvestre de Vila do Conde apresentar a mesma qualidade de medalha, arrisco-me a dizer que a ProEvents apresentou o melhor conjunto de medalhas finisher do ano.

Corrida do Torreão, uma prova para quem não teve e não tem medo
A corrida do Torreão recorde-se estava inicialmente marcada para o mês de Julho e acabou adiada para Novembro mas não teve sorte com o tempo pois o São Pedro não deu ajudou à mudança.
Com o decorrer de provas ao longo do tempo, algo que não devemos ter é medo e falo “no medo de arriscar” pois é nestes confrontos seja com a natureza seja com quem for que uma promotora é testada e onde se vê a fidelidade dos seus atletas.

A prova teve um total de setenta e oito atletas finalizadores, o que é um bom número dadas as condições apresentadas. Esta prova realizada num trajecto tão rico culturalmente merece ser corrida em tempo solarengo e quem sabe voltar à ideia original de ser uma corrida sunset ao final de tarde e com um belo churrasco no largo do Vilarinho.
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Texto: Nuno Fernandes
Fotos: José Coutinho