Vouga Trail com paisagens deliciosas, há alma e há vista

Vouga Trail

Uma parceria entre o Município de Sever de Vouga e a Associação AZTRAIL, a primeira edição do Vouga Trail foi constituída por quatro possibilidades de participação, Vouga Ultra Trail (42 Km), Vouga Trail Longo (25 Km), Vouga Trail Curto (15 Km) e a caminhada (10 Km).

A minha participação desta vez, em representação do OPraticante.pt, esteve condicionada pelo transporte, pois estava inscrito no Vouga Ultra Trail mas devido a uma avaria na minha viatura e como vou maioritariamente sozinho, tive de combinar boleia com um amigo que iria participar no Vouga Trail Longo.

Mas como eu disse, mais vale pouca distância do que nenhuma, consegui alterar a participação e às 7:30, rumamos até Sever do Vouga, levantei o dorsal e siga para os autocarros para o local de partida de todas as provas, Silva Escura.

Vouga Trail

Ao chegar ao local, ainda a faltar algum tempo para a partida, o convívio habitual, as brincadeiras e o café matinal, o nervosismo presente, como sempre a crescer, pois o tempo estava agreste, chuva e frio.

A poucos minutos da contagem inicial, a chuva deu o ar da sua graça e Trail molhado, será Trail abençoado? Contagem decrescente e siga!!! Em poucos km’s já se corria por single track’s, com lama e muita água, uma cascata, água corrente, a famosa Cabreia.

Sentia-me lento e as sapatilhas, não eram as adequadas para o tipo de terreno, as únicas disponíveis, somando já com mais de 1.300 Km’s, sempre tiveram pouca aderência, mas parece que a sola se vai gastando e vai piorando. As outras estão para reparação e o orçamento ainda não permite a compra de umas novas… deixando-me de lamúrias e voltando há prova.

As paisagens eram deliciosas, há alma e há vista

Km após km as paisagens eram deliciosas, há alma e há vista, passando por diversas zonas, levadas, margens do rio Vouga, passando por diversas plantações de bananas, laranjas, limões e mirtilos. Trilhos muitos verdejantes e muita água e lama como um verdadeiro trail merece… ahahah.

Vouga Trail

Mas ao longo da prova, sempre com muita chuva, era difícil perceber qual a zona do corpo que não estaria molhada, mas pensava constantemente que até os ossos não escapavam, pois a água entrava pelo pescoço e foi invadindo todos os recantos existentes no corpo, após o km 14, senti-me vivo e consegui acelerar, não percebia o porque de conseguir “acordar” tão tarde, talvez o frio que ia sentindo, sempre que desacelerava estivesse de alguma forma a dar-me o impulso e a motivação.

Uma luta constante de querer terminar e de vencer o frio que ia sentindo, as paragens nos abastecimentos, diga-se fantásticos, eram curtas, mas fui percebendo que estavam bastante completos e que nada neste trail tinha passado despercebido.

Percebi que o corpo estava a reagir pela negativa

Km20, aqui era o tempo que a desistência poderia ter chamado, não por incapacidade física, mas porque parei no abastecimento para me alimentar e cerca dos 5 minutos que o fiz, comecei a tremer de frio, percebi que o corpo estava a reagir pela negativa e não podia estar parado mais tempo, não sei a temperatura exterior, mas era baixa e a chuva que ia caindo durante a prova quase toda, era gélida.

Em conversa com a malta em prova, percebi que as reacções eram iguais, o frio era sentido por todos. Corria para produzir calor, mesmo que alguma dor fosse sentida, estava fora de questão caminhar.

Uns km’s depois, já não sentia frio e continuava a bom ritmo, abrandava nas subidas mas mantinha um passo de caminhada acelerado, contabilizando os metros e cada vez falta menos e eis que os 25 Km’s, já estavam completos mas a meta ainda estava distante, trail que se preze tem de ter uma oferta extra… ahahah

Os últimos 2 Km’s, não foram fáceis, muita lama, com subidas íngremes sendo difícil subir, pois devido às condições climatéricas estava perigoso e escorregadio. No entanto as paisagens mantinham a qualidade de excelentes…

A tremer de frio, chego finalmente há meta… com 3h32m17s, termino a prova, no lugar 86 e em 30º lugar no escalão.

Os mais rápidos:

Vouga Ultra Trail – 38 participantes

Alice Lopes – Ginásio Fit4Fun – 5h37m04s, em segundo lugar Dulce Bastos – Nac Trail – 5h47m05 e a completar o pódio feminino Ana Costa – Running Team Maia – 6h43m56s;

Pedro Caprichoso – EDV Viana Trail – 4h23m06s, terminando em segundo lugar David Coutinho – Jobra – Associação Jovens da Branca – 4h37m21s e em terceiro Miguel Lopes – Individual – 4h45m16s;

Pedro Caprichoso – EDV Viana Trail vencedor do Vouga Ultra Trail

Vouga Trail Longo – 134 participantes

Beatriz Alves – Individual – 3h03m03s, segundo lugar para Ariana Tavares – C B Viseu Running Team – 3h16m36s e o terceiro lugar foi para Maria Silva – Individual – 3h17m14s;

Pedro Rocha – DGR Retorta – 2h17m21s, segundo lugar foi Marcelo Araújo – FocoTeam24 – 2h18m00s, terceiro lugar para Pedro Bastos – OZXtreme – 2h21m58s;

Vouga Trail Curto – 228 participantes

Ana Cerqueira – Trogloditas Runners – 1h55m52s, segundo lugar Paula Aidos – OliveiraRunners/Move Martifer Gym – 1h58m42s e a finalizar o pódio Isa Silva – Individual – 2h01m33s;

Uma luta ao segundo pela vitória proporcionada por Francisco Figueiredo – Individual – 1h26m46s, e pelo Luís Almeida – Javalis – Amizade & Glória – 1h26m47s que obteve o segundo lugar e em terceiro lugar Daniel Rodrigues – Javalis – Amizade & Glória – 1h30m36s;

 

Análise à prova, conclusão parabéns, muitos parabéns pelo sucesso

A primeira edição desta prova. Normalmente, as primeiras edições não são as melhores, sugiro umas pequenas melhorias, nos últimos km’s e devido há lama criar alguma forma de ser menos perigoso o percurso, pois era difícil conseguir subir facilmente, criando uns degraus ou outras formas de subida, pois não era difícil escorregar.

No final, devido ao facto dos balneários serem a cerca de 750 metros da meta e de forma aos atletas não sentirem tanto frio, criar uma base de vida, para ser guardado roupas mais quentes, para logo após a conclusão trocarmos as roupas molhadas.

A minha experiência nesta prova, foi brutal, muito bem organizada, excelentes abastecimentos, marcações muito boas, inclusive até a cor das fitas não foi descurada, porque o laranja é de facto uma cor bastante visível quando a visibilidade é baixa e não é confundida com a vegetação.

No próximo ano irei regressar, porque as paisagens são excelentes, apetecendo repetir. A minha nota para esta prova é máxima, para a primeira edição, não reparei em nenhumas falhas graves. Parabéns a todos os envolvidos desde os voluntários aos mentores e organizares deste projecto! Parabéns!

Página do evento.

Classificações.

Para a semana existem mais loucuras e o lobo solitário irá voltar!

Até breve!

[divide icon=”circle” width=”medium”]

Texto: Manuel Carlos Martins
Fotos: Nuno Seabra / Daniel Lobo

Parceiros