Hélder Mestre faz mínimos para o Mundial 2015 e para os Jogos Paralímpicos Rio 2016

Hélder Mestre foi um promissor júnior do Benfica que o infortúnio da vida atirou para uma cadeira de rodas aos 19 anos.
Antes disso tinha já uma carreira sólida e plena de sucessos, embora, como diz “treinasse sobretudo para adquirir capacidades e colher os frutos enquanto sénior”.
Aos 15 anos, ainda iniciado, fez a Maratona Spiridon, no autódromo do Estoril, em 2h45′. Esta marca foi e continua a ser de muito boa qualidade, atendendo à tenra idade. Como comparação, o grande Haile Gebrselassie, com a mesma idade fez a maratona de Addis Abeba em 2h48′.
Só após o feito na maratona foi para o Benfica para iniciar uma carreira como meio-fundista, onde conseguiu vários títulos nos 800m e 1500m, suas disciplinas de eleição.

Após o acidente e a mudança radical que provocou na sua condição física, outros objetivos se revelaram mais importantes e por eles teve que lutar nos anos vindouros, como, terminar os estudos, tirar carta de condução e adquirir uma viatura, iniciar uma vida laboral ativa e remunerada, adquirir uma casa adaptada às suas limitações.
Contudo, apesar de ter atingido a ambicionada estabilização a nível social e económico, faltava-lhe algo para o completar e fazer sentir-se pleno. O desporto, que sempre o tinha acompanhado, havia sido relegado para um patamar do qual tinha que ser resgatado.
O atletismo surgiu naturalmente. Correr sempre havia sido uma necessidade e agora era muito mais que isso.
Por feliz coincidência, o seu irmão e treinador, Ricardo Mestre, que até então era guia de um atleta invisual, ficou livre dessa tarefa e ficou disponível para acompanhar e gerir os treinos.
Iniciou então um programa de treino específico para as distâncias de 100 e 400m.

Com o apoio da FPA surgiu a possibilidade de participar no Meeting Internacional de Grosseto, em Itália, onde teve a oportunidade de competir com atletas de grande nível, aprender com estes e avaliar as suas reais capacidades em confronto direto.
Ao conseguir o 2º lugar nos 400m, fez mínimos para o Mundial que se vai realizar no Qatar, em finais deste ano, e também para os Jogos Paralímpicos Rio 2016.

O desporto, e em particular o atletismo, voltou a ser o pomar de onde irá colher os frutos.

Texto de: Ricardo Mestre

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