A NAU VOLTOU A PÔR VILA DO CONDE A CORRER
Foto: Eventsport
A 31ª Corrida da Nau voltou a superar os números do ano anterior e levou novamente a festa do atletismo às ruas de Vila do Conde, numa manhã marcada pela competição, pelo convívio e pelo ambiente vivido ao longo do percurso.
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Fonte: Helena Santos
Uma Nau, uma cidade e uma corrida que continua a crescer
Há provas que se fazem com quilómetros. E depois há provas que se fazem de lugares, de memórias e de emoções.
A Corrida da Nau pertence claramente ao segundo grupo.
No dia 6 de setembro, Vila do Conde voltou a vestir-se de atletismo para receber a 31ª edição de uma das corridas mais tradicionais do calendário regional. Junto à emblemática Nau Quinhentista, atletas e participantes deram início a uma manhã em que correr foi também uma forma de viver a cidade.
Organizada pelo Clube de Atletismo Os Rompe Solas, em parceria com a Eventsport, a prova voltou a juntar competição, participação popular, convívio e uma paisagem que dificilmente deixa alguém indiferente.
O crescimento da Corrida da Nau voltou a ficar evidente nesta edição. O número de participantes ultrapassou os valores registados no ano anterior, reforçando a capacidade da prova para continuar a atrair atletas e participantes de diferentes pontos do país.
Do centro histórico ao Atlântico
A Corrida da Nau tem uma característica que a distingue logo à partida, o percurso conta a história de Vila do Conde enquanto os participantes o percorrem.
Os primeiros quilómetros levam a corrida para o coração histórico da cidade. Entre ruas típicas, edifícios marcados pelo tempo e o património vila-condense, cada passada acontece num cenário que é parte da identidade da própria prova.
Depois, a paisagem muda.
A aproximação à Foz do Rio Ave abre o percurso ao Atlântico e coloca o mar como companheiro de viagem. A marginal, o rio e a brisa marítima dão outro ritmo à corrida, antes de o trajeto seguir em direção às Caxinas.
Ao longo do percurso, o ambiente também se fez sentir, com um apoio caloroso e constante aos atletas, sobretudo nos pontos de maior concentração. A energia das ruas acrescentou ainda mais vida a uma manhã já marcada pela presença da corrida em diferentes zonas da cidade.
Entre a tradição piscatória das Caxinas, o rio, o mar e o movimento das ruas, a Corrida da Nau voltou a mostrar porque se tornou uma presença tão particular no calendário regional.
Tiago Silva e Florbela Araújo vencem os 10 km
Na frente da corrida masculina, Tiago Silva, do SC Salgueiros, foi o mais rápido, terminando os 10 quilómetros em 00:31:42
Bruno Abreu, do Vitória SC, ficou na segunda posição, com 00:32:37, enquanto Tomás Carriço garantiu o terceiro lugar, com 00:32:38.
No setor feminino, Florbela Araújo, do CA de Ovar, conquistou a vitória, ao completar a distância em 00:40:29. Paula Moreira, do NBA Barrosas, terminou na segunda posição, com 00:43:16, e Ivone Martins, do Nascidos para Correr, fechou o pódio, com00: 43:32.
Na classificação coletiva, o Vizela Corre foi a equipa vencedora.
Restantes resultados aqui.
10km para correr, 5 para caminhar
A edição deste ano voltou a apresentar duas formas diferentes de participar.
Nos 10 km, atletas federados e populares encontraram o desafio competitivo da Corrida da Nau, num percurso que atravessa diferentes ambientes da cidade e combina zonas mais exigentes com o cenário aberto junto ao rio e ao mar.
Já a caminhada de 5 km permitiu que outros participantes desfrutassem da manhã de uma forma mais tranquila, mas com o mesmo espírito de participação.
Duas distâncias, objetivos diferentes e uma mesma linha de chegada.
Porque a Corrida da Nau não se resume a quem chega primeiro. Está também em quem enfrenta os primeiros quilómetros, em quem regressa depois de uma pausa, em quem corre com amigos ou em quem simplesmente decide sair de casa e fazer parte da festa.
Uma tradição que continua a navegar
Por trás de mais uma edição está também a história do Clube de Atletismo Os Rompe Solas, fundado a 5 de setembro de 1993 e ligado há mais de três décadas à promoção do atletismo e à organização de uma prova que se tornou uma referência na região.
Ao lado do clube, a Eventsport voltou a assumir a componente organizativa, numa parceria que permite dar continuidade a um evento pensado para atletas, caminhantes e famílias.
A prova contou ainda com o apoio da Câmara Municipal de Vila do Conde, da Junta de Freguesia de Vila do Conde e das restantes entidades envolvidas na realização do evento.
OPraticante.pt voltou também a marcar presença como media partner, acompanhando mais um capítulo desta história.
Trinta e uma edições depois, a Corrida da Nau já não precisa de se apresentar.
Faz parte do calendário. Faz parte de Vila do Conde. E faz parte da memória de muitos atletas que encontram nesta prova um motivo para regressar.
Os números desta edição mostram que essa ligação continua a crescer.
Aqui, corre-se com o relógio, mas também com a cidade.
Corre-se junto à Nau. Passa-se pelo centro histórico. Segue-se o rio. Encontra-se o mar. Chega-se às Caxinas. Quilómetro após quilómetro, a meta aproxima-se enquanto Vila do Conde se revela através de um percurso que é, por si só, parte da experiência.
A 31ª Corrida da Nau fica assim como mais um capítulo de uma tradição que continua a atravessar gerações.
Porque enquanto houver quem queira correr, caminhar e celebrar o desporto junto ao Atlântico, haverá sempre uma Nau pronta para partir.
E em Vila do Conde, há tradições que não precisam de vento para continuar a navegar.





