AFONSO EULÁLIO APÓS O “GIRO DA VIDA”

Afonso Eulálio

Foto: Team Bahrain Victorious

Depois de um Giro d’Itália inesquecível, onde vestiu a maglia rosa durante nove dias e conquistou a camisola branca de melhor jovem, Afonso Eulálio fez um balanço franco e emotivo da experiência, sublinhando que o resultado superou tudo o que alguma vez tinha imaginado, mas sem o desviar da sua identidade dentro do pelotão.

O ciclista da Bahrain Victorious mostrou-se surpreendido com a própria evolução numa corrida que, inicialmente, tinha apenas objetivos modestos. “Fui para o Giro como gregário, para apoiar o Santiago Buitrago e tentar uma etapa. Tudo mudou quando ele abandonou. A equipa reformulou os planos e isso abriu oportunidades”, explicou.

A partir daí, tudo mudou. Uma fuga bem-sucedida, um segundo lugar e a conquista de tempo na geral colocaram-no inesperadamente na luta pela classificação. “Depois conversámos internamente e decidimos tentar a geral. Se corresse bem, ótimo; se não, pelo menos ganhava experiência”, resumiu.

O resultado final, 6.º lugar da geral, camisola branca e nove dias de rosa foi, para o jovem português, algo difícil de assimilar. “Vestir a camisola rosa durante tantos dias, conquistar a branca e terminar no top-10 é algo que nunca imaginei. A vitória de etapa ficou para outra altura.”

Fonte: Isabel Jesus // OPraticante.pt

Afonso Eulálio
Foto: Team Bahrain Victorious

“Mais stressado do que cansado”

Apesar do brilho desportivo, Eulálio não escondeu o impacto físico e mental de liderar uma Grande Volta durante tantos dias. O protocolo diário, as entrevistas e os controlos antidoping acabaram por pesar na recuperação.

“Prefiro estar no pódio do que não estar, mas todos os dias tinha cerimónias, entrevistas e controlos. Muitas vezes chegava mais tarde ao hotel, jantava sozinho e tinha menos tempo para recuperar”, revelou. “Acabava por me deixar mais stressado.”

Ainda assim, garante que a experiência foi formadora: “Era tudo novo para mim. Quando estás na geral tens de estar atento a tudo. É uma exigência constante.”

Afonso Eulálio
Foto: Team Bahrain Victorious

“O João é o João. Não há comparações”

Um dos temas inevitáveis foi a comparação com João Almeida, o melhor ciclista português da atualidade e único a terminar no pódio do Giro d’Italia.

Eulálio foi claro na resposta: “O João é o João. Quem me dera ter as pernas dele. Estamos a falar de um dos melhores do mundo. Não gosto muito dessas comparações.”

E foi ainda mais direto sobre o seu próprio futuro em grandes voltas: “Honestamente, não sei se algum dia estarei num pódio. Para já, não. Ainda não sou capaz de bater os melhores. O meu foco é continuar a trabalhar.”

Afonso Eulálio
Foto: LaPresse // MirrorMedia.art

Um português em ascensão no WorldTour

O corredor de 24 anos reconhece que o salto para o WorldTour foi tudo menos previsível. “Nem sequer imaginei que podia ir para o WorldTour. Quando me falaram disso, pensei: ‘como é que é possível?’”

Depois de se destacar na Volta a Portugal e em corridas internacionais com o então Feirense Cycling Team, a oportunidade surgiu de forma natural, mas inesperada.

Afonso Eulálio
Foto: Giro d’Italia

Próximos desafios: Suíça, clássicas e Tour no horizonte

O calendário do português já está definido para os próximos meses. “Vou fazer a Volta à Suíça como gregário do Lenny Martinez e do Antonio Tiberi, e depois as clássicas. No próximo ano devo fazer o Tour, mas sem objetivos de geral.”

A médio prazo, deixa tudo em aberto: “Daqui a dois anos talvez volte a pensar numa geral no Giro ou na Vuelta. Mas tudo pode mudar rapidamente.”

Afonso Eulálio
Foto: Team Bahrain Victorious

“A camisola rosa não me mudou”

No balanço final, Eulálio recusa qualquer transformação pessoal após o sucesso no Giro: “A camisola rosa mudou tudo à minha volta, mas não me mudou a mim. Sou o mesmo ciclista. Apenas aprendi a acreditar mais nas minhas capacidades.”

E conclui com uma nota de ambição controlada: “O futuro o dirá. Vou continuar a trabalhar e ver até onde consigo chegar.”

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