A Besta e o Amor nos Montes Saloios

Covas de Ferro , pacata localidade localizada no concelho de Sintra, bem num fundo recôndito, mas repleta de gente amistosa e desportiva, recebeu à VI edição de mais um trail, do trail Montes Saloios, que prometia ser pejado de aventura e adrenalina.

Montes saloios a aventura e a adrenalina

Concentração do pessoal no interior do pavilhão da Liga dos Amigos de Covas de Ferro, sendo visível a presença de centenas de participantes os quais “esfregando”  as mãos e abanando as pernas esqueciam o frio, que se fazia sentir, este muito menor do que do ano passado.

09H13, sensivelmente, dá-se o tiro de partida, com saída dos atletas ao som  da música “Thunderstruck” da banda  AC/DC, que deu o mote para o inicio do Trail Longo e Trail Curto  desta VI edição do Trail dos Montes Saloios, e diga-se de passagem que a mim em especial criou uma força interior e preparativa para os  27 kms  que iria enfrentar.

Lá arranco com os meus companheiros de luta e corridas, Ribas, Franco e Sousa, sendo notório algum aglomerado substancial de gente nos primeiros kms, fruto da boa composição e acedência a este trail saloio.

Parti bem, mas não muito forte pois antevia um piso lamacento e pesado, tendo a absoluta certeza que iria provocar desgaste a meio da prova, considerando essa a minha estratégia inicial, aguardava pelo pelo desenrolar dos acontecimentos.

São Pedro deu tréguas

O São Pedro deu tréguas, contudo era patente um solo difícil e húmido, que proporcionou espectacularidade e beleza ao que ai vinha pela frente.
Já bem quente com uns 4 kms percorridos, e a “caixa” e as “canetas” a responder ponho mais uma acima, percebendo que hoje dava para acelerar, nunca olvidando os quase 1300 D+ que faltavam trilhar e subir.

Ao 8 km em subida num trilho com um pequeno regato, sigo já com o cheiro no primeiro abastecimento, local onde retiro alguns pedaços de banana e laranja , fruta já conhecida do meu organismo, e lá fui moendo a pequena subida que faltava, e ingerindo lentamente o potássio da banana e vitamina C da laranja.

Continuo em frente dando o corpo boa resposta, percebendo que paulatinamente passava alguns atletas, sentia-me bem e verifico que a prova estava a correr de feição.

E não é que o piso por diversas vezes me avisou que iria cair, nas suas constantes descidas repletas de lama, na qual eu parecia uma bailarina a evitar a queda, lá resisti, mas não o suficiente, para evitar a mesma.

Uma queda das boas…

Já perto do 14 kms, uma queda das boas, tal e qual como um jogador da bola a festejar um golo, os joelhos anicham-se no solo, só que este solo estava composto por muitas pedras e lama, tendo gerado pequena lágrimas de sangue no meu joelho direito, coisa pouca, não me fizeram desistir.

Em diante, perto dos 20 kms já se ouvia jorrar o Rio Bucal, local de passagem da praxe neste Trail, aqui mais uma queda, não é que no fundo uma pedra amiga me disse que estava na hora do banho, lá tropecei na mesma e catrapumba, mergulho no rio de cor castanha e tom de tropa especial lá me levanto e recordo que existe uma corda paralela à passagem do rio, agarro-me a ela com unha e dentes que nem um leão, e mastigo o resto da subida até a uns trilhos em que o chão era branco da cor da argila.

Já foste com tanta água…

Após esta peripécia, lembrei-me que possuía um braçal com o telemóvel, cá para mim vocifero “já foste com tanta água” não me preocupo com tal acontecimento e sigo em diante, e perfeito os 21 km a voz da menina da aplicação que uso lá dá o toque a dizer que perfil mais um km de aventura, para meu regozijo o telemóvel sobreviveu.

Ultrapassados os 27 kms, e pensando que o final estava próximo, não é que aparece a famigerada montanha chamada BESTA, esta com um diabo no topo, o mesmo ostentava na sua mão um pecado, chamado ginja em copo de chocolate.

Já bem amassado tive que recorrer a força anímica e dos Deuses para subir esta parede boa, a qual proporcionou uma vista deslumbrante, e também um copo de ginja que serviu de recovery após a subida da Besta, e para os restantes 800 mts que faltavam até ao final.

A Besta

Trepar a BESTA para atingir a meta…

Após a BESTA, uma descida para acalmar os motores e relaxar, sendo já visível as paredes caiadas do pavilhão onde horas antes se iniciou esta prova, mais um esforço e prova concluída.

Na súmula a apontar o incremento por parte da organização de mais 2 kms à prova, passando a 29 km, uma terapia de lama excepcional que revigorou e rejuvenesceu a pele, uma sopa e chá quentes finais que aconchegaram o pessoal, prova de excelência e referência no Trail Running.

Quanto há minha prestação em representação da equipa de OPraticante.pt, terminei o trail longo no 14º da Geral – 4º no escalão VETMI, com 3h05m33, tendo os meus colegas obtido, Victor Franco – 3h22m31 – 10º Sénior (49º g) Hélio Ribas – 3:26;58 – 4º Veterano IV (57º g), Artur Basilio – 4:19;31 – 51º Veterano II (214º g), Carla Figueira – 5:14;28 – 15ª Veterana I (368º g), Carlos Figueira – 5:14;30 – 81º Veterano II (369º g) e Arminda Basilio – 6:14;03 – 17º Veterana II (427º g)

E os vencedores das duas distâncias foram:

Pódio do Amor

Conjuntamente com o Trail Curto e Longo, realizou-se uma caminhada e a prova Amor nos Montes alusiva ao dia dos namorados, Francisco Bossa e Mariana BossaO Mundo da Corrida foram os vencedores, João Narciso e Catarina CostaPés Troikados, os 2ºs e os 3ºs Gabriel Carriço e Maria Carriço – Caracois do Asfalto.

Trail Curto

A diferença entre os três primeiros masculinos foi quase a mínima possível, tal o esforço, o empenho que colocaram até à linha da Meta, tendo Nuno Gomes – individual levado a melhor sobre os seus adversários, obtendo a vitória com 55m45s, seguiu-se Valdeir Castro -55:50 e Artur Oliveira – 55:55 ambos a representar a Jobrinde – Montes Saloios.

Sara Silva 7ª da geral

Em femininos Sara Silva – individual foi a vencedora com 1h08m05s, 2ª Paula Barracho – Team One – 1:21;12, e 3ª Estela Martinho – SN – 1:21;19.

 

Trail Longo

Ao contrário do trail curto, nesta distância, não existiu emoção na final com Hélio FumoEDV-Viana Trail a ser um vencedor folgado com 2h18m27s, Henrique Joanico – Jobrinde – Montes Saloios – 2:40;35 em 2º e o 3º para João Freire – individual – 2:43;45.

Pódio Trail Longo

Carmen Henriques – Run is a Gift – 3:32;01 foi a vencedora, Helena Silva – individual – 3:32;36 e Susana Duro – VADA – 3:43:10 a ocuparem os lugares imediatos.

Abraços e Boas Corridas

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Texto: António Tavares
Fotos: Organização

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