CONSTANÇA FRAZÃO O MAR É O MEU PALCO

Constança Frazão

Constança Frazão no ICF Canoe Ocean Racing - Africa do Sul 2025

Constança Frazão, de 17 anos, é uma jovem atleta de canoagem de mar de Portugal, atualmente no 12º ano de Ciências na Escola Secundária da Amora.

Com 7 anos de experiência, começou neste desporto ainda antes dos 10 anos, motivada pelo interesse próprio e pelo exemplo da sua família.

Ao longo da sua carreira, destacou-se a nível nacional e internacional, representando clubes e a seleção nacional, conquistando resultados de relevo que a colocam entre as promessas mais fortes da canoagem portuguesa.

Fonte: Helena Santos

Constança Frazão
Constança Frazão no ICF Canoe Ocean Racing – Africa do Sul 2025

Perfil pessoal e o início na canoagem

Constança, para quem ainda não te conhece, quem é a Constança Frazão? Que idade tens, onde estudas e como começou o teu percurso no desporto?

O meu nome é Constança Frazão, tenho 17 anos, estudo na escola secundária da amora atualmente no 12º ano, em ciências.

Tenho 7 anos de canoagem, comecei neste desporto ainda antes dos meus 10 anos de idade por iniciativa própria, tendo primeiro praticado natação, uma vez que antes de entrar no mar é importante aprender a nadar.

Como e quando descobriste a canoagem? Foi amor à primeira vista ou uma paixão que foi crescendo com o tempo?

A minha entrada neste meio esteve sempre ligada à minha família, tanto a minha irmã como o meu pai sempre praticaram, e vendo isto desde pequena o interesse começou a surgir, desta forma assim que possível foi me colocada uma pagaia nas mãos e desde então aqui sigo.

Amo e sempre amei aquilo que faço a sensação de estar dentro de água o deslize do barco, a conexão criada a cada pagaiada é simplesmente inexplicável.

Antes da canoagem, praticaste outros desportos? Houve algum que te tenha ajudado na tua preparação física ou mental?

Tendo primeiro praticado natação, uma vez que antes de entrar no mar é importante aprender a nadar.

Constança Frazão
Foto: Cedida pela atleta

Clube e Seleção Nacional

Que clube representas atualmente e como começou essa ligação? O que mais valorizas no teu clube e na equipa técnica que te acompanha?

Comecei no K1, no Clube de Canoagem da Amora (CCA), onde treinava com um grupo grande, com algumas amizades então sempre associei o desporto um pouco a esse companheirismo, algo divertido.

Sempre soube que me queria dedicar ao mar. Quando atingi a idade, mudei de clube e passei a treinar no Clube Náutico de Oficiais e Cadetes da Armada (CNOCA).

Tenho como meu treinador José Frazão, também meu treinador de vida. Ele sempre me apoiou e continua a apoiar neste novo desafio.

Foi ele quem primeiro percebeu que havia algo em mim que podia ir longe.

Desde então, está sempre comigo, dentro e fora de água, a puxar por esse lado — e os resultados são inegáveis.

Mas mais do que a puxar por mim, foi me ensinado a amar o que faço, “quando te divertes os resultados aparecem”, e é também essa filosofia que levo comigo sempre que entro na água quer num treino ou prova dar sempre o máximo, mas aproveitar ao máximo, e diria que é difícil não o fazer…

A cada onda a velocidade sobe a adrenalina acompanha, o que mais gosto no mar é isso, sentir que estou no controlo mas que ao mesmo tempo não tenho controlo sobre nada, porque o mar é exatamente isso, imprevisível, uma mistura de emoções e sensações, aprende-se a seguir instintos e a tentar entender um pouco desta aventura que é cada vez que entramos dentro de água.

Sempre brinquei com isso dizendo que na minha vida passada fui um peixinho, pois tal sensação de casa não poderia ser construída numa vida apenas, uma sensação de pertença, pois mais que desporto é uma segunda casa.

Já estou neste clube há 2 anos e devo dizer que foi uma mudança, apesar de positiva, difícil ao início, uma vez que passei de um grupo grande para ser só eu e o meu treinador dentro de água todos os dias, invernos solitários que nunca são fáceis, mas sempre necessários, sempre compensados pelo banho
quente no final, e os resultados nas provas.

Como é fazer parte da seleção nacional de canoagem de mar? Que ambiente se vive entre atletas tão jovens e talentosos?

Foi uma experiência que só posso descrever com divertida, um ambiente leve com espaço a risos e muito convívio, bem como partilha de experiência, dicas e conselhos.

Remar num sítio completamente novo entre os melhores do mundo, com espaço a conhecer novas pessoas e partilhar histórias.

Inspirações e referências no desporto

Tens alguma colega ou atleta que consideres uma referência ou inspiração dentro da canoagem portuguesa?

Alguém que posso dizer que tenho como inspiração é o Bernardo Pereira. Neste mundial, ele conquistou o título de campeão do mundo sub-23 e o 3º lugar na geral.

É um atleta dedicado e focado, que trabalha para alcançar tudo o que consegue.

Além disso, é uma pessoa muito simpática. Já me aconselhou algumas vezes e está sempre disposto a ajudar.

Sem dúvida, é um exemplo a seguir e uma grande inspiração.

Outra inspiração será sempre o meu pai e treinador. Foi ele quem me motivou a começar e quem vejo, até hoje, como um exemplo que quero seguir.

A experiência Internacional

O que significou para ti conquistar o bronze no Mundial Sub-18 em Durban? Esperavas subir ao pódio ou foi uma surpresa?

Comecei a competir no mar sendo a mais nova da categoria, já que a categoria mais jovem desta modalidade é júnior. Iniciei então um ano mais cedo e fui surpreendida pelo título de campeã nacional, além da entrada para a seleção nacional. Foi aí que o sonho começou.

No europeu, conquistei o 3º lugar e, no mundial de 2024, alcancei o 6º lugar. Com estes resultados, percebemos que havia possibilidades de, neste ano, já como júnior, competir na África do Sul e alcançar um bom resultado no campeonato do mundo.

Mesmo assim, subir ao pódio foi algo que não era completamente esperado.

Sobre a prova em Durban

Podes contar-nos um pouco sobre a prova? Como foi o percurso, as condições do mar e o momento em que percebeste que tinhas garantido a medalha?

Foi uma prova difícil, sendo uma distância a que não estava completamente habituada apesar de todo o treino e preparação, mas com o mar sempre a ajudar, o que facilitou em muito, ondas direitas e surf facilitado, o percurso foi de fácil reconhecimento boias visíveis, e sempre muito acompanhamento durante toda a prova existindo vários barcos de apoio.

Uma particularidade do mar é a largada envolver todas as categorias, de forma, a que ao cortar a linha de chagada não tinha a menor ideia do lugar em que ficara, foi um momento de desabafo com selecionador, vindo a saber o resultado apenas enquanto trocava de roupa, este também levantou várias dúvidas uma vez que muitos GPS tinham sido perdidos pelo que os lugares ainda estavam a ser atualizados, só respirei finalmente quando a medalha realmente me caiu sobre os ombros.

A canoagem em mar aberto tem desafios únicos. Que parte da prova consideraste mais difícil — a resistência, o vento, as ondas?

Foi uma prova difícil, sendo uma distância a que não estava completamente habituada apesar de todo o treino e preparação…

Representar Portugal no Mundo

Como foi representar Portugal num palco mundial e ouvir o teu nome entre as melhores do mundo?

Foi uma experiência que só posso descrever com divertida, um ambiente leve com espaço a risos e muito convívio, bem como partilha de experiência, dicas e conselhos.

Remar num sítio completamente novo entre os melhores do mundo, com espaço a conhecer novas pessoas e partilhar histórias.

Constança Frazão no XVI Eurochallenge 2025

Treino, rotina e apoio

Como foi a tua preparação para este Mundial? Quantas horas por semana dedicas ao treino e que tipo de trabalho realizas (técnico, físico, mental)?

Para esta prova tudo teve de mudar, mais quilómetros, mais séries, mais ginásio, mais corrida, mais tempo, foi uma época difícil que exigiu muita dedicação e esforço, mas que devo dizer que foi muito mais aliviada pelo meu treinador, pois todas as vezes em que o psicológico ameaça ceder é sempre ele que está lá para me explicar o porquê de não fazer sentido, uma razão para dizer que não está a funcionar, são duas do porque não só está como é claro e se nota de longe, sem ele não teria chegado tão longe e aguentado tanto.

Quem destacarias como peça fundamental neste percurso — treinador, família, colegas?

Mas que devo dizer que foi muito mais aliviada pelo meu treinador, pois todas as vezes em que o psicológico ameaça ceder é sempre ele que está lá para me explicar o porquê de não fazer sentido, uma razão para dizer que não está a funcionar, são duas do porque não só está como é claro e se nota de longe, sem ele não teria chegado tão longe e aguentado tanto.

Tens algum ritual antes de competir ou alguma superstição?

Sobre rituais diria que sou ligeiramente supersticiosa nunca exagerando, tenho um ‘top da sorte’, bem como uns calções preferidos, e prefiro competir de tranças, coisas simples suficientes para aliviar um pouco a consciência.

Entre escola, treinos e competições, como geres o equilíbrio entre a vida académica e o desporto?

E se equilibrar escola e treinos não é fácil, é também a ele que se deve tal equilíbrio ser possível, ajustando o horário desportivo com o escolar, o maior desafio é mesmo estar fora, algumas semanas de aulas perdidas que significam deixar espaço na mala para manuais e folhas, e estudar entre treinos e preparos até ao grande dia.

Constança Frazão
Foto: Cedida pela atleta

Futuro e ambições

Depois desta medalha, o que muda na tua carreira? Sentes que aumenta a confiança, a responsabilidade ou ambos?

Após esta prova as perspetivas mudam, mas não distantes do antes planeado, o objetivo sempre foi o segundo ano de júnior e é para isso que vamos trabalhar, este resultado serviu para mostrar evolução e vai aliviar a tensão ao longo da época, sendo este ano que se avizinha uma menor incógnita, e é sempre mais fácil trabalhar quando vemos o nosso esforço reconhecido, desta forma sigo mais confiante e pronta para o desafio que se segue.

Quais são os teus objetivos a médio e longo prazo? Já pensas em competir nos escalões sénior ou em chegar aos Mundiais absolutos?

Quanto ao meu futuro pós-júnior, ainda será algo a descobrir, uma vez que entrada na faculdade pode influenciar os treinos, mas o objetivo será sempre continuar a treinar e especialmente competir, a perspetiva será seguir tentando atingir os melhores resultados possíveis e aproveitar os anos de sub-23, os anos de sénior será algo a discutir no futuro.

Como vês o futuro da canoagem feminina em Portugal? Acreditas que esta nova geração pode conquistar ainda mais destaque internacional?

Relativamente a uma perspetiva global da canoagem portuguesa, penso que temos excelentes atletas e esforçadas, que ainda hão de dar muito que falar, começámos agora e ainda temos muito que atingir, Portugal já está entre os melhores do mundo, resta-nos a nós seguir esse legado.

Fora da Canoagem

O que mais gostas de fazer fora da canoagem? Tens algum hobby ou atividade que te ajude a relaxar?

Fora dos estudos e treinos, às vezes o tempo pode ser escaço, mas gosto de o aproveitar para relaxar a mente, essencialmente gosto de ler, sendo o meu tema favorito a fantasia e o romance, e escrever essencialmente poesia, outras atividades como ouvir música ou ver séries também fazem parte dos meus tempos livres, mas também sou uma imensa fã de dormir sestas sempre que possível.

Se tivesses de te descrever em três palavras, quais escolherias?

Se tivesse de me descrever em 3 palavras diria esforçada, o que às vezes pode acabar por me levar a pôr demasiada pressão em mim, resiliente, uma vez que nunca desisto e companheira, pois como humana também sou aberta a conhecer novas pessoas, e acima de tudo a proteger e apoiar os meus.

Constança Frazão – Foto: Federação Portuguesa de Canoagem

Mensagem e lições

Que mensagem deixas às jovens atletas portuguesas que sonham seguir o teu caminho na canoagem?

Para todos que me conhecem e me veem como exemplo tenho apenas uma coisa a dizer, acreditem, nunca se sabe o que está para vir o que vai acontecer e se não acreditarem em vocês também ninguém o irá fazer, se querem uma coisa vão atrás dela e no final haverá sempre algo a aprender e a ganhar, às vezes as coisas não vão correr como se espera nem sempre vai vir uma medalha, mas apesar disso há sempre muito mais a tirar de cada prova seja experiência, risos, amizade, acompanhamento, porque nem sempre é sobre ganhar e se se desistir também nunca lá se vai chegar.

E acima de tudo divirtam-se, se há algo que aprendi este ano foi que é muito fácil chegar ao topo se se sair da água com um sorriso.

Depois de tudo o que viveste em Durban, qual é a maior lição que levas desta experiência mundial?

Foi um momento de felicidade mas também de motivação, de desejo por conseguir mais, e é desta forma que começo a próxima época, trabalhar sempre para mais, para ouvir ‘A Portuguesa’ do lugar mais alto do pódio.

Foi uma experiência que só posso descrever com divertida, um ambiente leve com espaço a risos e muito convívio, bem como partilha de experiência, dicas e conselhos.

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