FRONTEIRA RECONQUISTADA PELOS PORTUGUESES
Equipa Luís Cidade/João Monteiro/Mário Franco/Pedro Santinho Mendes
A tradição já não é o que era e os franceses foram derrotados na 27ª 24 Horas TT Vila de Fronteira.
O feito pertenceu à equipa portuguesa Luís Cidade/João Monteiro/Mário Franco/Pedro Santinho Mendes, que se juntou pela primeira vez para ganhar esta clássica do todo o terreno com um SSV.
Foi uma longa maratona, onde alguns dos principais candidatos à vitória desistiram ou ficaram para trás com avarias mecânicas.
Se houvesse um prémio para o piloto do evento, esse prémio seria para Luís Cidade, que realizou a pole position e venceu as duas corridas do fim de semana!
M ais de 300 pilotos em pista nas 24 Horas TT Vila de Fronteira
A prova organizada pelo Automóvel Club de Portugal (ACP) voltou a ser um sucesso desportivo.
Estiveram mais de 300 pilotos em pista e milhares de pessoas acompanharam a corrida ao longo do fim de semana.
Ninguém arredou pé do Terródromo de Fronteira para assistir ao triunfo de uma equipa totalmente portuguesa.
A última vitória tinha acontecido em 2010 com uma formação de luxo constituída por Pedro Lamy/José Pedro Fontes/Luís Silva/António Coimbra (BMC-BMW).
A competitividade dos buggys franceses, verdadeiros protótipos para o todo-o-terreno, e a experiência dos seus pilotos neste tipo de provas explicam as vitórias consecutivas em Fronteira.
Este ano, a equipa South Racing Can-Am terminou com esse reinado ao juntar quatro pilotos rápidos e consistentes num carro competitivo e bem preparado.
A equipa Luís Cidade/João Monteiro/Mário Franco/Pedro Santinho Mendes liderou nas primeiras 18 horas.
Mas um problema elétrico deixou a corrida em aberto até ao último minuto.
De salientar que Luís Cidade já tinha ganho as 4 Horas SSV.

Domínio português
Depois de ter sido a mais rápida nos treinos cronometrados, Luís Cidade/João Monteiro/Mário Franco/Pedro Santinho Mendes assumiram o comando da corrida logo na primeira volta.
Na fase inicial, a equipa Laurent Poletti/Ronald Basso/Tiago Reis ainda passou pelo comando.
Mas o MMP Buggy ficou sem gasolina e foi rebocado até às boxes onde reabasteceu, o que era proibido pelo regulamento – havia uma zona específica para o fazer.
Em consequência disso, foram penalizados em 15 voltas. Essa penalização e problemas de motor levaram à desistência.
Com essa paragem, a formação luso-francesa Mário Andrade/Cédric Duple/Yann Morize/Nicolas Cassiede (AC Nissan Proto) subiu ao segundo lugar.
O período noturno causa sempre estragos entre os concorrentes, a situação ficou ainda mais delicada com o aparecimento da chuva.
O protótipo AC Nissan do português Mário Andrade entrou nas boxes com a suspensão traseira partida depois de uma saída de estrada.
Com o tempo perdido na reparação, a Andrade Competition caiu para a 12ª posição.
Com 12 horas de corrida, a South Racing Can-Am continuava na frente com uma vantagem de quatro voltas sobre a surpreendente equipa Tony Salvatore/Antoine Fournier/Alexandre Fournier/Martin Patrick.
Contudo, uma saída de estrada e o toque numa pedra obrigou-os a parar para reparar o protótipo MMP T3 Rally.

“Foi uma prova muito difícil.“ Luís Cidade
Com o amanhecer, percebeu-se que a pista parecia um campo de guerra escorregadio e traiçoeiro, onde os pilotos mostravam o seu talento.
Depois do tempo perdido nas boxes, a equipa Andrade Competition imprimiu um ritmo muito forte e voltou a entrar no pódio com 19 horas de corrida.
A cinco horas do fim a tensão aumentou. Os líderes da corrida pararam 1h.40 com problemas elétricos no Can-Am Maverick R e a equipa de Mário Andrade subiu ao primeiro lugar.
Os pilotos da South Racing Can-Am andaram no limite para tentar chegar novamente à liderança.
A cada volta encurtavam a diferença, e à entrada para a última hora os dois primeiros estavam separados por apenas 4m.21.
Uma quebra de rendimento do motor do Proto AC Nissan e a paragem forçada para substituir, pela terceira vez, a correia do alternador facilitou a recuperação e a vitória da equipa portuguesa, constituída por especialistas na condução de SSV.
Um triunfo festejado com muita emoção “ninguém merece sofrer tanto”, dizia João Monteiro.
Luís Cidade começou e acabou uma corrida memorável.
“Foi uma prova muito difícil. Tivemos um contratempo, mas a equipa conseguiu resolver o problema.
Nas duas últimas horas gerimos o andamento para levar o carro até ao fim. Foi um fim de semana inacreditável.
Estou mais feliz com as duas vitórias do que cansado por disputar duas corridas”, disse.

“… vir a Fronteira para obter a 10ª vitória…“
O carro da Andrade Competition chegou às boxes em cima de um reboque com a suspensão traseira arrancada.
Depois desse incidente ainda conseguiu entrar na luta pela vitória “não estou totalmente satisfeito, porque a nossa equipa quer sempre vencer.
Fizemos um pódio e ficámos a quatro minutos do primeiro, o que é raríssimo nestas provas. Para o ano há mais.
Este resultado obriga-nos a vir a Fronteira para obter a 10ª vitória, até porque não gosto muito do número nove”, disse o responsável da equipa, com boa disposição.

Johan Senders aproveitou os problemas mecânicos de outros concorrentes para chegar ao terceiro lugar na parte final.
“Esta corrida é incrível, diverti-me imenso. A chuva deixou a pista muito escorregadia, tivemos alguns pequenos problemas.
Mas conseguimos um bom resultado”, disse o piloto do Fiat Fullback Proto.
A equipa Amândio Alves/João Silva/Márcio Reis/Rogério Reis ganhou a categoria Challenger (6º);
Nuno Coelho/Gonçalo Gameiro/Sérgio Cruz foram os melhores na Promoção C (13º);
Kala Senders/Flávio Alves/Marco Beumer/Michael Braun triunfaram na categoria Stock (16º);
Luís Ferreira/Lucas Subtil/Bruno Custódio/Diogo Rogério ganharam a Promoção A (26º);
e Samuel Lima/André Fonseca/Mário Batista/Ivo Fernandes foram os melhores da Promoção B (54º) com o Renault 4L.
No final dos 1.440 minutos de uma prova muito difícil, todas as equipas têm histórias para contar e são vencedoras por terem desafiado o Terródromo de Fronteira durante 24 horas.


