Inferno alentejano pela rota dos contrabandistas
Decorreu na Raia Alentejana no primeiro fim de semana de setembro entre os dias 1 e 3 a edição 2017 do Extreme Portalegre International Challenge 2017, conhecido por EPIC’17.

Raia a fronteira, a rota dos contrabandistas entre Portugal e Espanha
A Raia é a fronteira, a rota dos contrabandistas entre Portugal e Espanha, mas é muito mais, é História e histórias, é gente e costumes herdados de gerações, é de uma beleza natural extraordinária.
Longe das grandes cidades ficou um património intocado, vestígios de povoados pré-históricos e dos seus monumentos em pedra, fortificações e templos dos vários povos que conquistaram e defenderam estas terras a que chamaram suas, Celtas, Iberos, Romanos, Germânicos, Islâmicos, Castelhanos e agora Portugueses.
Da mistura de todos os que por aqui ficaram resulta uma identidade cultural única que é mantida pelo povo da Raia, nos seus costumes e tradições, no seu artesanato e gastronomia, na arquitectura e no falar, mas principalmente na sua relação com a terra.
Para as gentes da Raia, a família, os vizinhos e a terra são o mais importante.
Os ritmos são os do campo, das estações, do semear e de colher. Todos têm a sua horta e os seus animais, sempre dispostos a ajudar, a dar uma couve, umas laranjas ou um dedo de conversa.
Por tudo o anteriormente apontado, é uma localização de excelência para a realização de um evento com a grandiosidade do EPIC, levando a que os participantes interajam com as gentes e locais de beleza impar e que certamente não ficam aquém do esperado.

EPIC – Extreme Portalegre International Challenge
Tal como na edição EPIC’16, a prova contemplava um Prologo nocturno no centro da Cidade de Portalegre e duas etapas com inicio em Castelo de Vide e Portalegre.
De referir o aumentar do número de participantes nesta edição 2017, sinal de que a excelente organização da edição 2016 contribuiu para que levasse a que mais atletas se inscrevessem e quisessem desfrutar das excelentes condições proporcionadas pela organização do evento no âmbito da parceria desenvolvida entre a Fullsport e a Câmara Municipal de Portalegre.
Estou a falar do dobro em relação a 2016, com 65 participantes, contra os 140 desta edição, uma senhora em 2016, cinco em 2017, sinónimo do gosto pela aventura.
O Prólogo
O Prólogo do dia 1 de setembro decorreu no Jardim de Portalegre e ruas adjacentes com uma extensão de cerca de 3km, que serviu de montra dos atletas participantes no evento e que deu um animar à cidade de Portalegre em modos de despedida do Verão 2017.
1ª etapa
No dia 2 de setembro na bela e medieval vila de Castelo de Vide, a cerca de 570 metros de altitude deu-se início à 1ª etapa do EPIC’17, tendo os atletas pela frente cerca de 77 km com um desnível positivo de 2000d+.

Como pontos de passagem a sempre duríssima e difícil ascensão à vila de Marvão, a beleza natural das piscinas de Portagem e entrada em terras de nuestros hermanos em direcção a Valência de Alcântara caracterizada pelo excelente apoio dado aos atletas participantes no evento, sendo que neste dia a altitude máxima a que os atletas rolaram foi de 800 metros.
Rota dos Contrabandistas
Nesta etapa os atletas poderão ficar a conhecer um pouco das rotas dos contrabandistas.
O contrabando foi, ao longo de séculos, o sustento adicional, ou mesmo único, para muitas famílias que não conseguiam suprir as suas necessidades no trabalho agrícola.
Com a assinatura do Acordo de Shengen, em 1992, que determinou a abertura de fronteiras e a livre circulação de pessoas e bens, a actividade dos contrabandistas tornou-se obsoleta.
Desse tempo restam as memórias e os testemunhos das derradeiras personagens que mantiveram um permanente jogo do gato e do rato no desempenho dos respectivos papéis: os que viviam do contrabando e aqueles que faziam valer a legalidade.
À chegada a Valencia de Alcântara, toda a logística estava montada no jardim, de salientar o serviço de massagens e o almoço oferecido pela organização que serviu uma vez mais como ponto de convívio entre todos os intervenientes no evento fossem eles atletas ou staff técnico.
De seguida transporte até Castelo de Vide e Portalegre de autocarro.
Dado que na vila de Castelo de Vide decorria uma feira medieval, as ruas encontravam-se repletas de visitantes aos quais se juntaram os atletas do EPIC’17 e assim aproveitaram para caminhar um pouco e conhecer esta vila medieval e seus costumes.
2ª etapa
Eis que chega o 3º e ultimo dia do EPIC’17 com início e fim em Portalegre.
Cedo se notou um colorir originado pelos equipamentos de diversas equipas dos participantes no evento o que deu cor a mais um dia solarengo pelo interior do nosso Portugal o que não passou indiferente aos habitantes de Portalegre.

Às 9h deu-se a partida da etapa final com andamento controlado por cerca de 5km e eis que o traçado do percurso encaminha os atletas à calçada medieval, um teste às capacidades físicas e técnicas de todos, que levaria ao topo do Monte das Almas de onde se podia avistar e deslumbrar com a excelente vista sobre Castelo de Vide, pese embora a dureza do percurso até aqui percorrido e apenas se havia percorrido cerca de 15 km.
Esta etapa após a passagem pelo centro de Castelo de Vide e calçadas interiores, levou os atletas em direcção à bela, mas dura Serra de São Mamede e os seus quase 1000 metros de altitude, sendo que na partida em Portalegre já os atletas se encontravam aos 470 metros.
Caracterizou-se por uma etapa com cerca de 65km e 1900d+, levou a que a gestão do dia anterior fosse necessária para se chegar ao final em Portalegre e assim se tornar um FINISHER desta edição 2017.

Finisher
A chegada a Portalegre terminou com uma passagem no percurso do Prologo montado no jardim central de Portalegre e a passagem triunfal no arco da meta acompanhado pelo coroar os que terminavam com uma medalha de FINISHER, bem merecida diga-se de passagem, para todos os heróis participantes.
O almoço neste 3º dia foi uma vez mais oferta da organização, desta feita servido no Instituto Politécnico de Portalegre.
De salientar o excelente compromisso que a organização teve com a segurança e bem estar dos participantes no evento, apresentando bons percursos e trilhos espectaculares sempre acompanhados para qualquer indicação ou segurança por elementos de diversos clubes locais, bons locais para banhos, refeição, dormidas, enfim, uma logística à qual não se pode apontar falhas de maior, com um acompanhamento presencial a todo o momento que em nada deixavam os atletas “abandonados” durante estes 3 dias de evento.
Quanto a classificações as mesmas podem ser vistas aqui.

Grandes nomes do BTT nacional e internacional presentes
De salientar a presença do experiente atleta espanhol Pedro Romero, assim como dos campeões nacionais Valério Ferreira e Celina Carpinteiro, de David Vaz e de Hernani Broco ex Profissional de ciclismo de estrada , todos atletas que dispensam apresentações no mundo do BTT.
O Praticante fez-se representar no EPIC’17 por Ricardo Saraiva e Humberto Ratinho.
Visualize mais artigos sobre o evento aqui.
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Texto: Ricardo Saraiva
Fotos: Organização