JOÃO ALMEIDA “PODEMOS ESTAR MUITO ORGULHOSOS”

João Almeida

Foto: UAE Team Emirates

João Almeida considera haver fortes motivos para se sentir orgulhoso com o segundo lugar conquistado na Vuelta 2025, que ontem terminou em Madrid – numa edição marcada pela anulação da última etapa devido a protestos de manifestantes pró-Palestina.

Fonte: Helena Santos // OPraticante.pt com a Lusa

JOÃO ALMEIDA
Foto: UAE Emirates

João Almeida humildade e liderança na UAE

Fiel à humildade que sempre o acompanha, Almeida falou em nome da UAE Team Emirates, equipa que liderou com maturidade e ambição.

Numa análise serena, mas carregada de orgulho, descreveu esta Vuelta como “estranha” e destacou um momento decisivo que surgiu de forma inesperada.

Podemos orgulhar-nos da nossa corrida.

Saímos da Vuelta com muito sucesso e fizemos o que pudemos.

Foi uma Vuelta estranha, porque as etapas decisivas que esperávamos que decidissem a corrida acabaram por não ser tão decisivas“, afirmou o ciclista das Caldas da Rainha.

Almeida
Foto: La Vuelta

A etapa 9 que mudou tudo

Curiosamente, foi na 9ª etapa – considerada uma das menos exigentes do percurso – que se abriram as maiores diferenças de tempo entre os principais favoritos.

Almeida explicou o porquê desse cenário inusitado:

“O dia com mais diferenças de tempo foi, em teoria, na subida mais fácil, na etapa 9.

Simplesmente tornámos tudo muito difícil e as diferenças de tempo foram enormes, o que mostra que são os ciclistas que tornam a corrida difícil, e não o percurso.”

Foi nesse mesmo dia que Almeida ficou momentaneamente isolado, após um ataque surpresa de Jonas Vingegaard.

Um episódio controverso que, no entanto, não beliscou o mérito do português – pelo contrário, reforçou-o, sobretudo após a vitória memorável no lendário Alto de Angliru, onde superou o próprio dinamarquês.

“Mas acho que podemos estar muito orgulhosos do que fizemos nas últimas três semanas, porque foi uma Vuelta muito difícil.”

Foto: Cxcling

A herança de Joaquim Agostinho

Ao igualar o segundo posto de Joaquim Agostinho na Vuelta de 1974, Almeida volta a fazer ecoar o nome de Portugal no pelotão mundial.

Agostinho, eterno ícone do Tour de France, onde foi duas vezes 3º (1978 e 1979), parece enfim ter encontrado um sucessor à altura.

Não se trata de substituição, mas de continuidade.

É um legado, uma ponte entre gerações separadas por 50 anos, unidas pela mesma combatividade e paixão pelo desafio.

João Almeida ainda não venceu uma grande Volta.

Mas, pelo que já mostrou, parece apenas uma questão de tempo.

Até lá, Portugal continua a pedalar com ele.

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