Joaquim Agostinho – De prodígio a Lenda
Começar a falar da 4º Maratona Joaquim Agostinho, na Silveira – Torres Vedras, sem falar do Homem que deu nome a esta mesma maratona e trofeu não seria a mesma coisa.

Joaquim Agostinho
Joaquim Agostinho nasceu em Brejenjas – Silveira a 7 de abril de 1943 e faleceu a 10 de Maio de 1984 em Lisboa.

Joaquim Agostinho começou a praticar ciclismo no Sporting Clube de Portugal, equipa que o descobriu ao treinar perto de Casalinhos de Alfaiata em Torres Vedras, começando a praticar já com 25 anos de idade. Ainda assim, conseguiu evoluir de tal forma que é usualmente referido como o melhor ciclista português de todos os tempos.
A sua carreira internacional começou em 1968, depois de ter sido observado pelo director desportivo francês Jean de Gribaldy. Obteve resultados de destaque na Volta a Espanha, vários dias de amarelo e um segundo lugar final, distando apenas 11 segundos da vitória, e na Volta a França onde terminou duas vezes no pódio e venceu a mítica etapa do Alpe d’Huez.

“Quim Cambalhotas”
O seu modo de pedalar era peculiar: por ter aprendido tardiamente (por volta dos 23 anos), e logo em seguida começar treinos mais pesados, sofria constantes quedas. Era bastante desengonçado, o que lhe rendeu o apelido de “Quim Cambalhotas”.
A 30 de abril de 1984, quando liderava a X Volta ao Algarve, na 5.ª etapa, a 300 metros da meta, um cão atravessou-se no seu caminho, o que o fez cair, provocando-lhe uma fractura craniana.
Algum tempo depois afirmou-se que as consequências deste acidente poderiam ser menores se Joaquim levasse capacete.
Levantou-se, voltou a montar na bicicleta e terminou
Levantou-se, voltou a montar na bicicleta e terminou a etapa com a ajuda de Benjamim Carvalho e José Amaro, seus colegas de equipa. Recusou inicialmente tratamento hospitalar, mas as dores persistentes na cabeça levaram-no a ingressar no hospital de Loulé, onde o seu estado de saúde se agravou drasticamente.
Foi ainda levado para o Hospital de Faro, mas teve de ser evacuado de emergência, fazendo 300 quilómetros de ambulância (na altura não havia helicópteros para transporte de doentes em Portugal, nem serviço de neurocirurgia no Algarve), para ser operado no hospital da CUF, em Lisboa.
Após 10 intervenções cirúrgicas, de ser dado clinicamente morto 48 horas depois da queda e de permanecer 10 dias em coma, faleceu a 10 de maio de 1984, poucos minutos antes das 11:00 horas. Foi enterrado na sua terra natal.

Homenagens
De realçar os monumentos/homenagens de que foi alvo, entre as quais as seguintes:
• Em Torres Vedras, no topo do Parque Verde da Várzea foi edificado um monumento em homenagem a Joaquim Agostinho.
• No jardim da Silveira também foi construído um monumento em homenagem ao atleta e foi inaugurado a 14 de Maio de 1989.
• Também em Silveira, foi dado o nome de Avenida Joaquim Agostinho à avenida onde se localizam a Junta de Freguesia bem como o cemitério onde o ciclista está sepultado.
• À avenida principal de acesso ao centro da Praia de Santa Cruz, com início na rotunda do Parque de Campismo, foi dado o nome de Avenida Joaquim Agostinho.
• Em França, na 14.ª curva do Alpe d’Huez. O busto é em bronze e em alto-relevo, tendo 1,70 m de altura, 70 cm de largura, e pesando 70 kg. Está apoiado num pedestal com três metros de altura, de granito verde. A estátua é comemorativa da sua vitória na mítica etapa com chegada ao Alpe d’Huez, em 1979, ano em que terminou o Tour em terceiro lugar pela segunda vez. Nunca outro ciclista português venceu esta etapa.
• Em Lisboa, tem uma rua com o seu nome, na zona do Lumiar.
• Na Costa de Caparica, tem uma rua com o seu nome, na zona de São João da Caparica.

Maratona Joaquim Agostinho
Voltando à 4ª Maratona Joaquim Agostinho, inserida na Taça Joaquim Agostinho 2017 (TJA17), a mesma realizou-se na Silveira – Torres Vedras, estando toda o “Quartel General” instalado no centro da Vila num local que permitiu que logisticamente tudo estivesse “à mão” e não muito disperso.
Levantamento rápido, simples e eficaz dos frontais, cedo começou o normal movimento de participantes pelas imediações da Silveira, ainda mais que a organização paralelamente à prova de BTT organizou uma caminhada que teve excelente adesão, levando a que muitos dos atletas se fizessem acompanhar de familiares o que torna ainda mais aliciante a participação na Maratona.
Tal como nas etapas anteriores, os participantes foram separados por boxs conforme o seu “ranking” na taça.
Toque de sino da igreja, um minuto de silêncio
Às 9h em ponto, e aquando do toque de sino da igreja, foi feito minuto de silencio em honra de Joaquim Agostinho e de 2 elementos da organização, dando-se logo de seguida a partida dos atletas da Maratona e pouco depois dos da Meia Maratona.
Para a Maratona a organização idealizou um percurso de 70km com 1200d+ e para a Meia Maratona 40km com 700d+.
De referir a excelente opção de os percursos serem iguais até à separação, separação esta que se deu dentro do recinto de partida e chegada, o que evitou que os trilhos ficassem muito congestionados pelos menos rápidos da Meia Maratona aquando da junção dos trajectos.
Kit de unhas
Quanto ao percurso, os single tracks foram uma constante. Excelente trabalho por parte da organização que abriu de raiz muitos caminhos e que levou os participantes a por em prova o seu “kit de unhas” num “parte pernas” constante como tem sido apanágio desta Taça visto a orografia da zona “saloia” no Oeste.
De salientar ainda a excelência da passagem dos atletas em pleno areal da Praia de Santa Cruz com uns “saltitos” à mistura o que levou os participantes ao delírio.

Marcações do percurso sem nada a apontar, sempre em prol da segurança e do correto seguimento do percurso, com muitos voluntários a ajudar fosse em cruzamentos fosse em locais mais perigosos ou propícios a enganos o que foi muito elogiado pelos participantes.
Abastecimentos sólidos e líquidos qb, realçando o elevado número de pontos de abastecimento liquido, o que foi uma excelente aposta visto o aumento da temperatura climatérica neste fim de semana de primavera.
No final da prova os participantes puderam estar em contacto directo com algumas das empresas patrocinadoras da maratona/taça, como é o caso da Mérida e da Biemme Ibérica, assim como aproveitar para confraternizar entre todos os elementos envolvidos no evento.
Quanto a Banhos foram nas imediações do recinto da prova, sendo o almoço servido no próprio recinto junto à meta o que provocou um aglomerado de pessoas o que animaram e deram cor ao local, ainda mais com as tshirts azuis e rosa oferecidas aos participantes no BTT e caminhada.
Quanto a classificações, foram as seguintes:
Maratona
O vencedor foi Renato Ferreira – Vasconha BTT Vouzela / MoveFree – 2h46m58, seguido de Alexandre Santos – Academia Joaquim Agostinho XCM – Waw Team – Socimaster – 2:48;27 e Rui Torpes – Individual – 2:48;35.
Em femininos a vitória foi para Raquel Santos Mozinho – MTB | Vale D´Aldeia | Martos | HMED – 3:36:20, não tendo as restantes atletas femininas em competição concluido a distância
Meia Maratona
Pedro Pinheiro – Róódinhas / Santos Silva – 1:36:06 foi o vencedor, com Davide Inácio – Núcleo Bike – 1:37:54 e Luis Francisco – Motoreis – 1:38:15, a completarem o pódio
Andreia Lopes – AEBTTRIO – 2:07:16 venceu, em 2º lugar Cátia Eanes – Peniche Bike Riders / Academia do Pro – 2:08:31 e 3ª classificada Iris Eanes – Peniche Bike Riders / Academia do Pro – 2:10:19
Em conclusão e como comentado por vários atletas participantes:
“Quando pensamos que nada pode ser mudado, esta organização surpreende-nos”
Penso que esta frase descreve toda uma prova e uma organização.
2018 está perto e ansiamos pela organização da Maratona Joaquim Agostinho, que sem duvida algum, e onde quer que o mesmo esteja, estará certamente com um sorriso na cara e deveras satisfeito por esta pequena grande homenagem a Si prestada.
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Texto: Ricardo Saraiva
Fotos: FM Desporto / Sofia Carimbo Roque