MIGUEL ARSÉNIO FAZ HISTÓRIA NO UTMB
Miguel Arsénio - Foto: Kailas Fuga
Miguel Arsénio conquistou esta sexta-feira o segundo lugar da classificação geral no CCC, uma das principais provas do Ultra-Trail du Mont-Blanc (UTMB).
Alcançou a melhor classificação de sempre de um atleta português numa prova de 100 quilómetros do evento.
Fonte: Henrique Dias // OPraticante.pt
Miguel Arsénio deixa uma marca histórica para o trail running nacional no palco internacional do UTMB
O atleta português Miguel Arsénio escreveu esta sexta-feira uma nova página na história do trail running nacional ao subir ao pódio do CCC (Courmayeur–Champex–Chamonix), uma das provas de referência do Ultra-Trail du Mont-Blanc.
Arsénio completou os 108 quilómetros da competição em 10:27:25, terminando na segunda posição da geral.
O triunfo pertenceu ao italiano Cristian Minoggio, que cruzou a meta em 10:21:48, com uma vantagem de 5 minutos e 37 segundos sobre o português.
Aos 29 anos, Miguel Arsénio representa a equipa espanhola Kailas Fuga X SportHG nas competições internacionais e os Runners do Demo em território nacional.
Natural de Almeirim, Miguel Arsénio começou por se destacar no ciclismo de montanha antes de descobrir o trail running, modalidade à qual se dedicou a partir dos 23 anos, em 2019.
Nos primeiros anos, conciliou a competição com a profissão de serralheiro, até transformar o trail na sua atividade profissional.
Atualmente, é atleta profissional e conta já com triunfos em algumas das principais provas nacionais.
Mas também resultados de destaque em competições internacionais de longa distância, incluindo vários desafios superiores a 100 quilómetros.
O segundo lugar alcançado no CCC representa agora um dos maiores resultados da carreira do atleta português e uma marca histórica para o trail running nacional no palco internacional do UTMB.
“Estou tão curioso para saber o que consigo fazer amanhã.”
Mas relembrar o que escreveu Miguel Arsénio na sua página antes da sua participação:
“Amanhã, 09h começa os 100km do evento de trail mais importante a nível mundial. Olho para trás e vejo tudo o que trabalhei / investi, para estar aqui forte.
Passei os 2 primeiros meses do ano em casa. Em Março fiz um primeiro estágio de 12 dias em Espanha – El Bosque Serra de Grazalema, 1 mês na Ilha da Madeira… 1 mês na Serra Nevada – Granada e logo após estive 2 meses em Chamonix, separados por umas semanas em que fui a casa e competi na Roménia.
Tenho nas pernas umas quantas competições. Fui Campeonato Nacional Trail longo, ganhei Bucovina, DMUT e Algodonales, Povoacao e Ludens Machico.
Acumulei ainda horas no MIUT e na Maratona do mt Blanc.
Estive mais de 5 meses em que não fazia mais de 100-120kms semana ( o que para um atleta “elite” que compete 100kms, não é muito ).
Simplesmente o treino não me entrava.
Mas, agora a 8 semanas do CCC as coisas mudaram. Treinei bem, muito bem. Em volume, intensidade e sobretudo… capacidade de assimilar o treino.
É engraçado e motivante agora olhar para trás e ver como as vezes temos que ter paciência e dar tempo para as coisas acontecerem. Mas só agora.
Porque durante muitas semanas, fechei os olhos a noite, a pensar o porquê dos meus treinos não estarem a entrar.
Estou tão curioso como quem vê de fora, para saber o que consigo fazer amanhã. Não estou nervoso, não sinto pressão, nada. Aliás, estou super relaxed.
Eu sei porque me sinto assim, porque sei exatamente o ponto de forma em que me encontro!“


