MILHA DA CERVEJA EM VERMOIM, FOI OUTRA CONVERSA
Foto: Infinity Produções
Há corridas que se medem em quilómetros. Outras em segundos. E depois há a Milha da Cerveja, onde o relógio é apenas uma parte da história.
No passado sábado, 12 de setembro, Vermoim voltou a receber uma das provas mais originais do calendário desportivo de Vila Nova de Famalicão. Depois de ter sido adiada, a VI Milha da Cerveja chegou finalmente ao Parque dos Loureiros e trouxe consigo aquilo que já é tradição: corrida, cerveja, competição e muitas gargalhadas.
A fórmula continua tão simples quanto desafiante: 1609 metros, quatro voltas e uma cerveja no início de cada volta.
Parece fácil. Até se experimentar.
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Correr depressa também exige saber beber
Na Milha da Cerveja, os atletas não têm apenas de pensar em correr.
É preciso gerir o ritmo, controlar o esforço e, entre cada volta, tratar de uma tarefa que normalmente não aparece nos planos de treino: beber uma cerveja e voltar à corrida.
Há quem entre na competição com verdadeira ambição pelo pódio. Outros encaram os 1609 metros como um desafio diferente. E há ainda quem veja nesta tarde uma excelente oportunidade para juntar um grupo de amigos e passar umas horas de pura diversão.
No circuito, todas estas vontades acabam por se cruzar.
A cada volta, muda o ritmo. Mudam as estratégias. E, muitas vezes, também muda a expressão de quem percebe que aquela cerveja que parecia tão fácil de beber afinal pode pesar bastante nas pernas.
É esta combinação improvável entre velocidade e descontração que faz da Milha da Cerveja uma prova tão diferente.
Vítor Coelho e Cláudia Pereira no topo
Na competição individual masculina, Vítor Coelho, do Team Lantemil, foi o grande vencedor da VI Milha da Cerveja.
Márcio Sá, Quebra Ritmo, terminou na segunda posição, enquanto Rafa Miranda, Promessas, completou o pódio.
Na prova feminina, a vitória sorriu a Cláudia Pereira, da AMVE.
Sara Nogueira, da EquipaBoot, foi segunda, com Tina Pereira, também da AMVE, a conquistar o terceiro lugar.
Numa prova onde cada segundo pode contar, os vencedores tiveram ainda de superar aquele que é provavelmente o obstáculo mais peculiar da tarde: manter a velocidade depois de quatro brindes pelo caminho.
Erd Blue vence nas estafetas
A competição por equipas voltou a acrescentar outra dose de emoção à tarde.
Nas estafetas, cada equipa contou com quatro elementos, cabendo a cada participante cumprir uma volta do circuito e enfrentar a respetiva cerveja antes de entregar o testemunho.
No final, a Erd Blue levou a vitória.
Os Redondo terminou na segunda posição, enquanto os Amigos Malte fecharam o pódio no terceiro lugar.
Aqui, além das pernas de cada participante, também contou a capacidade de trabalhar em equipa. Afinal, numa prova destas, o tempo de um elemento pode fazer toda a diferença no resultado final.
O Rei do Fino teve, pela primeira vez, direito à coroa
E se a Milha da Cerveja já era conhecida pela sua originalidade, esta sexta edição trouxe uma novidade digna de realeza.
O desafio Rei ou Rainha do Fino teve, pela primeira vez, um elemento que tornou o título ainda mais especial: uma coroa para o vencedor.
Nesta edição, o primeiro Rei do Fino coroado em Vermoim foi Raul Machado.
O momento acrescentou mais uma história à já longa lista de episódios que tornam esta prova tão peculiar.
Porque nesta Milha há pódios, há medalhas, há brindes… e, a partir de agora, há também uma coroa.
E não é todos os dias que alguém pode sair de uma corrida oficialmente coroado Rei do Fino.
Os mais novos também fizeram a festa
A Milha Kids voltou a dar espaço aos mais novos, com distâncias adaptadas às diferentes idades e um ambiente pensado para que a experiência fosse sobretudo de diversão.
Aqui, o objetivo não passa por lutar contra o cronómetro.
Passa por correr, participar e viver o ambiente de uma prova que já conquistou várias gerações.
Com os mais pequenos também em ação, o Parque dos Loureiros ganhou ainda mais movimento e ajudou a transformar a tarde num verdadeiro encontro entre diferentes idades.
Uma milha que já tem identidade própria
Desde a primeira edição, em 2019, a Milha da Cerveja foi construindo uma identidade muito própria.
O conceito é simples, mas a experiência está longe de o ser.
A competição e o convívio caminham lado a lado nesta prova. Uns procuram o pódio, outros entram apenas pelo prazer de participar. Para alguns, cada volta é uma verdadeira batalha; para outros, cada segundo serve para rir e aproveitar o momento com os amigos
No fundo, é precisamente essa mistura que fez crescer o evento e o transformou numa tradição em Vermoim.
A VI edição, realizada depois de um adiamento, voltou a juntar todos esses ingredientes no Parque dos Loureiros.
Em Vermoim, uma milha nunca acaba nos 1609 metros
No final, ficam os resultados, ficam as fotografias e ficam as classificações.
Mas ficam também as histórias.
As cervejas bebidas à pressa. As voltas feitas a um ritmo cada vez mais difícil de manter. As batalhas entre amigos. As equipas a puxarem umas pelas outras. Os mais novos a descobrirem a corrida. E, este ano, uma coroa que encontrou finalmente o seu primeiro dono.
Porque a Milha da Cerveja pode ter apenas 1609 metros.
Mas em Vermoim, a corrida começa no tiro de partida e acaba muito depois da meta.
Correr e beber não é para qualquer um. Mas, pelo que se viu no Parque dos Loureiros, rir e festejar parece ser obrigatório.







