Muitos miradouros, um miradouro único

Miradouros

10 de novembro, o nosso segundo dia em Espanha, começou bem cedo, e que cedo deu, até ficámos a ver miradouros.

Eram 7h em Espanha, 6h em Portugal, quando me encontrava no meu sono profundo, e fui violentamente acordado pelo som de um alarme proveniente do quarto continuo ao meu, ouvi os passos pesados de quem se precipitava na direcção do aparelho que emanava tal som, que o tentava descobrir e desligar, em vão quase 5m depois, terminou o martírio.

E assim começou o nosso dia, bem e já que me encontrava acordado, e tinha de me preparar para percorrer três das vinte e uma rotas existentes no Parque Natural de Cazorla, Segura, e las Villas, situada na comunidade da Andaluzia, província de Jaén, sita em Espanha, num total de quase 40 kms.

Depois de um suculento pequeno almoço no Hotel onde ficámos hospedados, foi tempo de nos fazermos à estrada e iniciarmos a aventura.

Espanha muitos miradouros, um miradouro único

À nossa espera encontrava-se Jesus – guia da Turisnat, que nos iria guiar para e durante a mesma, chegámos ao ponto de transfer, onde nos encontrámos com o segundo guia Juan Pedro, que a nós se juntou para seguirmos até ao inicio da nossa aventura de BTT, não sem antes o nosso colega José Morais, ter usado e abusado dos miradouros que encontrámos pelo caminho, para retratar a aventura.

E finalmente no interior do Parque Natural de Cazorla, Segura, e las Villas, iniciamos a nossa aventura pela rota nº 15, não sem antes termos tido oportunidade de nos deslocarmos a vários miradouros, observar diversos tipos de flora e fauna, referente a esta ultima, alguns animais como as raposas, que até de nós se aproximaram em busca de comida, um esquilo, gazelas, um abutre, a que os nossos guias chamaram de “quebra ossos”, e até um ninho de vespas.

E lá nos colocámos finalmente em cima da Bike para iniciar as pedaladas da manhã num total de cerca de 11,400 metros que nos levou pelo interior do Parque observando a sua fauna e flora, bem como tudo o que se encontra no seu interior, entre elas árvores com cerca de mil anos de existência e muitos pinheiros brancos.

Esta primeira rota veio a terminar junto ao refúgio de Rambla Seca, onde parámos não só para descansar, como para o primeiro piquenique da manhã, que tínhamos trazido do Hotel onde pernoitámos.

Nº 16 – 2ª Rota com ou sem miradouros

Baterias carregadas em todos os aspectos, retomámos a pedalada para a 2ª rota, a nº 16 numa extensão total de 13,700 metros.

Aqui foi como sair da Terra e irmos para Marte, pois a diferença da paisagem foi total, da fauna e flora que nos encheu os olhos de alegria, algumas zonas cerradas inclusive, para uma zona quase totalmente rochosa, onde poucas árvores foram visíveis, e o que visualizámos muito foi campos de pastagem.

Neste percurso cruzamo-nos com uma árvore com muitos anos, que foi baptizada com o nome de Félix Rodriguez de La Fuente, um comentador da televisão, inesquecível popularizador da natureza, que nos anos 70 do século passado escolheu aquele lugar, para gravar alguns dos seus famosos documentários da natureza.

Podemos ainda apreciar nesta rota, sempre do lado direito, grandes elevações da Serra de La Cabrilla, sendo um maciço que agrupa a maior concentração de minhocas deste parque natural, destacando Alto de La Cabrilla, o Pico das Las Covachas, o Centro de Los Tornajos e as Empanadas, que a 2.107 metros se situa o pico mais alto.

Sierra Nevada

Nos dias mais claros, pode-se observar a Sierra Nevada, que foi por nós visualizada coberta com um manto impressionável de neve, e ainda o espectacular Vale do Guadalentín.

Esta etapa terminou junto ao refúgio do Campo Del Espino, onde a nós se juntou mais um elemento, o nosso prestigiado motorista Armando Conceição, para a etapa final, a rota nº 17 com 14,200 metros a percorrer, que nos levou a Pontões, local que serviu de base neste segundo dia para jantarmos e pernoitarmos no Refúgio Del Segura.

Rota nº 17 – 14.200 metros para percorrer

Deu-se inicio ao ultimo percurso, por um vale silencioso, onde pelo meio encontrámos uma manada de vacas, com o enquadramento maravilhoso na paisagem, mais à frente foi a vez de um rebanho de ovelhas, passando pelo meio das mesmas, fomos ao encontro de veados, carneiros, que também encontrámos em manadas, sob a vigilância de algumas águias que nos sobrevoaram durante o trajecto.

Quase no final, ainda encontrámos algumas zonas com um tipo de escavação em formação de gruta nas rochas, que davam uma beleza à paisagem que observávamos e para as quais não existe no momento explicação.

Com um passeio de uma dificuldade média, onde salientamos o BTTista ou o caminhante poder estar em sintonia com a natureza, com a fauna e a flora, com o sol, o vento, e o frio que nos acompanhou e se faz sentir desde o inicio, onde inclusive a tecnologia não vêm perturbar, em virtude da rede móvel não ser recepcionada pelos telemóveis, proporcionando total absorção de quem percorre aquele espaço, em autonomia total.

Os imprevistos

Com o passeio a correr da melhor forma, e como em tudo existem sempre imprevistos, onde um simples furo ou avaria podem acorrer, um dos participantes teve o azar de o desviador se ter partido e ter de providenciar a sua reparação no local, para prosseguir a viagem.

E então veio o jantar na Casa del Cordero, muito bem servidos, e que nos reconfortou o estômago, e proporcionará por certo mais uma bela noite de sono.

Nós já lá estivemos e recomendamos  que venham até ao Parque Natural de Cazorla, Segura, e las Villas, em Espanha, e desfrutem deste magnifico local, único na Península Ibérica.

Batem leve, levemente,
como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim”.

Amanhã haverá mais , se vai bater muito ou pouco logo se verá e cá estaremos ao fim do dia para vos contar as nossas peripécias, e aventuras por estes locais maravilhosos.

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Texto: David Silva / José Morais
Fotos: José Morais

Fontes: Parque Natural de Cazorla, Segura, e las Villas / Poema de Augusto Gil

 

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