Pedro Farromba: “As nossas expetativas são de superação”

Pedro Farromba

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Pedro Farromba, chefe da Missão de Portugal aos Jogos Olímpicos de inverno Pequim 2022 sublinha em entrevista como é importante a participação portuguesa para a afirmação das modalidades de inverno

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Texto: Comité Olímpico Português
Fotos: Comité Olímpico Português e de arquivo

Pedro Farromba: “As nossas expetativas são de superação dos resultados anteriores”

Que significado tem para os desportos de inverno, em Portugal, a quinta participação consecutiva em Jogos Olímpicos, num total de nove em toda a história do Movimento Olímpico?

É um momento muito importante na afirmação das modalidades de inverno e resulta de um trabalho que a Federação de Desportos de Inverno de Portugal (FDI-Portugal) tem vindo a fazer nos últimos anos.

Os Jogos Olímpicos são, por excelência, o evento desportivo em que todos os atletas sonham participar. Sempre a par do Comité Olímpico de Portugal (COP) e com o apoio do Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ), temos feito esta caminhada conjunta, criando as condições para os atletas poderem treinar, qualificar-se e, claro, participar honrando a nossa bandeira.

A visibilidade da participação nos Jogos Olímpicos de Inverno tem feito com que consigamos aumentar a abrangência destas modalidades e o otimismo com que encaramos o futuro é muito grande.

Pedro Farromba
Missão olímpica portuguesa

A constituição da Missão Olímpica a Pequim 2022 corresponde ao potencial atual ou havia margem para ir mais além?

Claramente, ficámos aquém do que podíamos ter atingido, nomeadamente nas modalidades de gelo, porque foram muitas as provas anuladas por causa da pandemia que vieram condicionar as participações dos nossos atletas, refere Pedro Farromba.

Estivemos muito perto de qualificar em Patinagem de Velocidade e em Curling, mas devido ao muito reduzido número de provas e às condicionantes inerentes às viagens não conseguimos alcançar os mínimos para podermos participar.

Estivemos ainda a um atleta de conseguir qualificar no Snowboard, depois de um intenso trabalho de quatro anos.

Foi muito difícil a não entrada do nosso atleta nos 32 que vão estar presentes na disciplina em que compete.

Os Jogos Olímpicos Pequim 2022 realizam-se no difícil contexto da pandemia. Quais os maiores desafios que se têm posto à Missão de Portugal?

Desde logo o conseguirmos que os atletas que têm de treinar até aos jogos e viajar entre vários países para poderem participar em provas o façam sem contrair o vírus, o que condicionaria ou impediria mesmo a sua participação nos Jogos.

Temos mantido uma ligação muito estreita com o Comité organizador, equacionando todas as variáveis e vamos acreditar que tudo vai correr pelo melhor.

Desde que sairmos de Portugal que vamos viver dentro de uma bolha, onde todos os cuidados serão mantidos, bem como todas as possíveis interações com pessoas fora do Movimento Olímpico serão evitadas.

Beijing

Que tipo de exigências se colocaram a atletas que não podem preparar-se e competir em Portugal?

Desde logo os longos períodos que têm que passar fora de Portugal, mas que em muito se compara com outras modalidades.

Veja-se o futebol, por exemplo, e quantos atletas da nossa seleção jogam em Portugal.

Havendo apenas condições naturais e provas internacionais noutros países, é lá que os nossos atletas têm de estar, porque só mesmo treinando e competindo com os melhores se consegue ir melhorando os resultados.

Depois vêm os custos que temos gerido com o apoio do COP, do IPDJ e, claro, da FDI-Portugal, bem como com um enorme esforço das famílias.

Entre todos, temos conseguido ir superando todas as dificuldades.

Quais são as expectativas que podem ser alinhadas quanto à participação desportiva da Equipa Portugal, em Pequim 2022?

Importa sempre referir que, seja nos JO de inverno, seja nos de verão, só o facto dos atletas conseguirem estar presentes é, já de si, o atingir um nível competitivo apenas ao dispor dos melhores atletas do mundo.

Quanto às nossas reais expetativas, elas são de superação dos resultados anteriores e de ir melhorando edição após edição.

Este ano todos os atletas que vão estar presentes vão ser estreias em Jogos Olímpicos, o que lhes trará, seguramente, uma muito maior motivação, mas obviamente tendo a consciência da nossa real dimensão.

Quando voltar a Portugal, na sequência dos Jogos Olímpicos, que balanço global gostaria de fazer?

No desporto, tal como na vida, o que fazemos a cada altura torna-se um legado para o futuro.

Devemos olhar esta participação como mais uma etapa de uma evolução que temos vindo a conseguir, de afirmação das modalidades, de consolidação de resultados e de motivação para podermos envolver mais atletas no futuro provando que o único limite para os nossos sonhos é a dimensão da nossa ambição, concluiu Pedro Farromba.

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