Portugal com Filipe e Ricardo termina em 26º

Filipe Lima e Ricardo Melo Gouveia

Filipe Lima e Ricardo Melo Gouveia fizeram o pior resultado da ultima volta e perderam 9 lugares, mas qualquer um deles concluiu uma época memorável em 2016, com recordes pessoais e nacionais.

Portugal tombou 9 posições

Portugal tombou 9 posições no último dia e terminou no 26º e antepenúltimo lugar na 58ª Taça do Mundo de profissionais que no Domingo terminou em Melbourne, na Austrália.

Depois de ter começado num promissor 14º posto no final do primeiro dia, a seleção colocou-se em posição de estabelecer um novo recorde nacional e ultrapassar o 13º lugar de Ricardo Santos e Tiago Cruz no Mundial da China de 2008, mas no segundo dia já tinha descido para o 18º posto, e apesar da subida para a 17ª posição após a terceira jornada, acabou por não ser possível chegar a esse recorde nacional.

Filipe Lima e Ricardo Melo Gouveia
Filipe Lima e Ricardo Melo Gouveia

6ª melhor classificação de sempre

Mesmo assim, em 30 participações na prova, Portugal, representado por Ricardo Melo Gouveia e Filipe Lima, alcançou a sua 6ª melhor classificação de sempre, ao totalizar 284 pancadas, 4 abaixo do Par, após voltas de 74, 68, 72 e 70, sendo que as primeira e terceira voltas foram disputadas em ‘foursomes’ (pancadas alternadas), enquanto as segunda e quarta realizaram-se em ‘fourball’ (duas bolas em jogo por cada equipa, aproveitando-se a melhor bola de cada buraco).

A queda abrupta na classificação no último dia ficou a dever-se a uma última volta jogada em 70 pancadas, 2 abaixo do Par do Kingston Heath Golf Club, o pior resultado do dia, só igualado pela equipa última classificada, as Filipinas.

Um último dia para esquecer

«Um último dia para esquecer aqui em Melbourne. Não jogámos particularmente bem e, mais uma vez, o putt deixou-nos ficar mal», escreveu Ricardo Melo Gouveia, na sua conta profissional no Facebook.

Embora possa parecer que só há aspetos negativos a salientar para os golfistas nacionais neste último dia do Mundial da Austrália, a verdade é que há três pontos bem positivos nesta participação portuguesa, para além da vitória de Lima no Pro-Am.

Em primeiro lugar, a simples qualificação. Só 28 países se apuraram para a Austrália e largas dezenas de outros ficaram pelo caminho. Já o mesmo sucedera nos Jogos Olímpicos.

Ricardo Melo Gouveia em acção
Ricardo Melo Gouveia em acção

Espírito de equipa

Em segundo lugar o reforço do espírito de equipa entre os dois jogadores portugueses. Nem quando estiveram este ano nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, criaram laços tão fortes. Afinal, pertencem a gerações diferentes e pouco contacto têm. Lima reside em França e celebrou ontem 35 anos, ou seja, é 10 anos mais velho do que Melo Gouveia, que vive em Inglaterra. Esse novo espírito ser-lhes-á útil em 2017, dado que irão ambos jogar a tempo inteiro no European Tour.

Em terceiro lugar o prémio monetário de 26.473,62 euros para cada um (52.947,24 para a equipa). Tendo em conta que nenhum deles tem grandes contratos de patrocínios, o “prize-money” é a sua principal fonte de financiamento da carreira. Aliás, veja-se como Lima viajou para a Austrália com a ajuda da Federação Portuguesa de Golfe.

Mas, voltando à exibição menos conseguida de domingo, recorde-se que quando a jornada de ontem terminou, Ricardo Melo Gouveia e Filipe Lima estavam a apenas 3 pancadas de um top-10 inédito para Portugal e os dois jogadores mostravam-se motivados para concluir em grande este torneio de quase 7,5 milhões de euros em prémios monetários (8 milhões de dólares).

Hoje será a minha última volta de 2016

«Hoje será a minha última volta de 2016… e vai ser uma muito boa com o Filipe Lima na Taça do Mundo», escreveu Melo Gouveia no Twitter esta manhã, bem cedo. «Estamos a pensar em jogar bem amanhã», tinha dito Lima na véspera ao press officer inglês do European Tour, Paul Symes.

Mas, num dia em que o formato de ‘fourball’ convidava aos birdies, os portugueses sofreram logo 1 bogey no buraco 2. É certo que recuperaram com birdies nos buracos 4, 5 e 7. Nessa altura acreditou-se numa grande exibição, mas os restantes 11 buracos foram cumpridos a Par, enquanto havia chuva de birdies nas outras equipas.

Não foi seguramente a conclusão de temporada que os dois atletas olímpicos desejavam, mas ambos sabem que viveram um 2016 memorável, com recordes pessoais e nacionais.

Foi positiva e aprendi bastante

«Fica a experiência. De certeza que para a próxima vai ser bastante melhor. Com isto acaba mais uma época desportiva. Foi positiva e aprendi bastante», escreveu Ricardo Melo Gouveia, que competiu pela primeira vez no Mundial, terminou a época no 54º lugar da Corrida para o Dubai, a melhor classificação europeia de sempre de um português, sendo também a primeira vez que um golfista nacional se qualificou e disputou os três torneios da Final Series do European Tour, para além de ter entrado no top-100 do ranking mundial (124º esta semana) e de ter sido o primeiro português a qualificar-se para uns Jogos Olímpicos.

Não poderia sonhar com melhor ano, afirmou Filipe Lima

Filipe Lima em acção
Filipe Lima em acção

«Não poderia sonhar com melhor ano: o nascimento de uma filha, estar nos Jogos Olímpicos, obter uma vitória no Challenge Tour (no Najeti Open, em França), ir à Taça do Mundo, recuperar o cartão (do European Tour), é um ano que não vou esquecer», já tinha afirmado Filipe Lima ao Gabinete de Imprensa da PGA de Portugal. Lima tinha sido 20º (empatado) com António Sobrinho no Mundial de Vilamoura em 2005, e 17º (empatado) com Ricardo Santos no Mundial de 2013, também na Austrália.

Título da Dinamarca para a história

A 58ª ISPS Handa World Cup of Golf entra para a história pelo primeiro título da Dinamarca, superando o 2º lugar lugar empatado de 2001, então com Thomas Bjørn e Soren Hansen. Desta feita, os heróis escandinavos foram Søren Kjeldsen e Thorbjørn Olesen, com 268 (72+60+70+66), -20, embolsando 2.336.981,79 euros, ou seja, dando mais de 1,1 milhões de euros a cada um!

A Dinamarca partiu com 4 pancadas de vantagem, mas a meio da última volta já só tinha 1. Simplesmente, os últimos nove buracos foram fenomenais, jogados em 6 abaixo do Par, e a equipa terminou com uma superioridade clara de 4 pancadas sobre três países empatados no 2º lugar: a França de Victor Dubuisson e Romian Langasque, a China de Wu Ashun e Li Haotong os Estados Unidos de Rickie Fowler e Jimmy Walker, este último o atual campeão do PGA Championship, o último Major do ano.

… nunca tinha vivido isso antes

«É espantoso ter ganho este lindo troféu e a experiência de um ambiente de equipa fez com que fosse ainda mais especial. Quando estamos no back nine, num Domingo, e sentimos que poderíamos morrer pelo nosso parceiro… nunca tinha vivido isso antes», disse Kjeldsen, de 41 anos, que representou a Dinamarca pela sexta vez num Mundial, ele que em tempos representou o Clube de Golfe do Paço do Lumiar, em Lisboa.

«De cada vez que ia “patar” tinha a sensação de que estava não a fazê-lo apenas para mim, mas também para o meu parceiro. No back nine senti-me a jogar por mim, pelo Søren, pelos nossos caddies e pelo nosso país. Foi muito especial», declarou Olesen, de 26 anos, que jogou pela Terceira vez num Mundial.

Apesar de ter sido o primeiro título da Dinamarca, não pode considerar-se uma grande surpresa, tal o bom momento de forma de ambos. Kjeldsen vinha de ser 16º na África do Sul e 4º no Dubai, enquanto Olesen fora 1º na Turquia e 19º no Dubai.

Eis a lista completa de títulos em 58 Taças do Mundo de profissionais:

Estados Unidos 24, Austrália 5, África do Sul 5, Espanha 4, Canadá 3, Inglaterra 2, Alemanha 2, Irlanda 2, Japão 2, Suécia 2, País de Gales 2, Argentina 1, Formosa 1, Itália 1, Escócia 1, Dinamarca 1.

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Fotos: Publicadas nas redes sociais e da Getty Images.
Texto: Hugo Ribeiro

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