SELEÇÃO NACIONAL FAZ HISTÓRIA E JÁ SONHA MAIS ALTO
Foto: Federação Portuguesa de Natação
Objetivo cumprido! Uma exibição brilhante, de garra, mas também de maturidade, permitiu à Seleção Nacional atingir o objetivo a que se tinha proposto no Campeonato da Europa de polo aquático que se realiza no Funchal.
A vitória de hoje frente à Suíça, por 17-10, permitiu às jogadoras lideradas por Ferran Pascual atingir o top-12 da competição e… agora apenas dependem delas para fazer história e, quiçá, superar a melhor classificação de sempre, o 10.º lugar obtido no Europeu de Belgrado, em 2016.
Tal como tinha sucedido no triunfo frente à Roménia, na jornada inaugural, a Seleção Nacional deu uma resposta cabal em jogo de extrema importância para o objetivo coletivo.
Entrou a ganhar no primeiro período (5-2), o segundo terminou num empate (3-3), mas o terceiro acabou mesmo por ser decisivo, com Portugal a superiorizar-se com uns indiscutíveis 6-1 que decidiram a história do jogo, pois nem a reação da Suíça na derradeira fase do encontro impediu a Seleção Nacional de festejar o triunfo.
Fonte: FPN
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«Foi tudo planeado. Era um jogo em que os dois primeiros períodos foram muito físicos, com muita luta, para desgastá-las, e nos outros dois jogar mais ao ataque e contra-ataque.
Foi um esforço grande, fui rodando para as manter frescas e dar o máximo no terceiro período», disse Ferran Pascual, falando mesmo de um jogo perfeito por parte da Seleção Nacional:
«Também houve muito jogo com as pivôs, a Alice e a Inês marcaram, fizeram grande jogo. Encontrámo-las, fizemos boas jogadas, boas entradas pelas pontas.
O plano de jogo saiu perfeito, fico orgulhoso e feliz da equipa, sabem o que estão a fazer, têm um objetivo, querem jogar. No futuro, acho que vamos melhorar ainda mais.»
O melhor jogo do Europeu?
Mas terá sido frente à Suíça o melhor jogo de Portugal até agora neste Europeu? O selecionador discordou e… falou na derrota com a Espanha.
«O melhor jogo no Europeu? O da Espanha, mesmo tendo perdido 22-7, foi muito bom. Foi algo de alto nível, mas hoje, foi um muito bom jogo, fizemos o que tínhamos de fazer e da melhor maneira.
Fico sempre satisfeito, mas quero sempre mais. Agora disse-lhes que é momento de relaxar um bocadinho, porque o objetivo foi atingido e temos de desfrutar», prosseguiu Ferran Pascual, que acredita que Portugal poderá superar-se até final da competição.
«Temos a Grã-Bretanha e depois, seja a Sérvia ou a Alemanha, vamos para ganhar, porque esta equipa tem de melhorar a cada jogo e, no próximo Europeu, ter objetivos ainda mais ambiciosos.
A Grã-Bretanha é uma grande equipa, foi sétima no Mundial de 2023. Tem uma equipa muito forte, com pivôs fortes, uma central forte.
Jogámos com elas em 2023, em Rio Maior, e perdemos por um ou dois. Se estivermos como hoje, mentalizadas, pode ser um jogo para desfrutar, bonito, e porque não ganhá-lo?», frisou, referindo ainda que este dia de descanso antes do confronto com as inglesas é muito importante para a Seleção Nacional:
«É muito positivo para nós, pois as jogadoras não estão habituadas a cargas de treino como a Espanha ou a Hungria.
Um dia desses é para trabalhar tática e tecnicamente e preparar a 100 por cento o jogo com a Grã-Bretanha.»
Jogadoras enaltecem espírito de equipa
Neste duelo com a seleção suíça, destaque para os três golos apontados por Beatriz Pereira que foi incapaz de esconder a sua satisfação pela importante vitória.
«Tínhamos um objetivo muito bem definido desde início, cumprimos e agora é desfrutar e tentar fazer o máximo que conseguirmos.
Para já, neste Europeu, garantimos o nosso objetivo que é ficar entre os 12 primeiros. A equipa está unida, o jogo mostrou isso, e é continuar», disse, reforçando que o espírito coletivo e a união no grupo foram determinantes:
«A coesão é muito importante. Dentro de água, estivemos coesas na defesa desde o primeiro dia. Treinamos para isso e é a compensação de todo o esforço diário que fazemos.
Quando a defesa corre bem, depois o ataque acaba por surgir, e foi isso que aconteceu.»
Segue-se agora a Grã-Bretanha…
«Estamos a desfrutar deste jogo, mas com a cabeça no próximo jogo.
Vai ser um jogo muito definido nos pormenores, de muito sacrifício, e acho que vai ganhar a equipa que estiver melhor no ataque e na defesa. Encaramos esse jogo para ganhar, e o resultado que vier deixar-nos-á orgulhosas na mesma», concluiu.
As defesas também ganham jogos
Mas não apenas de golos se constroem as vitórias. Também de defesas, importantes, como as que Maria Sampaio que tem feito ao longo deste Europeu.
«Sinto-me muito feliz, pois o nosso objetivo, de mais uma vitória, foi cumprido. Estivemos muito bem na defesa e quando estão todas organizadas facilita o trabalho da guarda-redes», começou por afirmar, destacando a atitude da equipa no terceiro período do jogo.
«Mostra algo muito importante, o quanto conseguimos reagir ao jogo. Mesmo passando por uma parte menos boa, conseguimos superar e ultrapassar. Mostrámos o quanto queríamos vencer», sublinhou, apontado já baterias à Grã-Bretanha:
«Vai ser um jogo equilibrado. Estamos aqui para competir e vamos dar tudo o que temos dentro de água para conseguir competir e sairmos vitoriosas.»
Tradição familiar na baliza
Neste jogo, Maria Sampaio teve uma espectadora muito especial nas bancadas. A sua mãe Cristina Nogueira, que há 30 anos também defendeu a baliza nacional no primeiro Europeu feminino que Portugal participou (1995, em Viena, Áustria).
«Nunca tive a sorte de ver a minha mãe jogar, mas já vi muitas fotografias. A modalidade evoluiu e espero que o polo aquático em Portugal continue a evoluir cada vez mais.
Sinto um grande orgulho de, passados 30 anos, estar a defender a baliza, tal como a minha mãe nesse Europeu», confessou.




