Mértola, vila raiana, capital da caça, virou capital do trail
Caminhada
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Mértola, belíssima vila raiana, “plantada” na margem direita do Rio Guadiana, conhecida como a capital da caça, vestiu, no dia 1 de março, o epíteto de capital do trail, com a realização do V Trilhos de Mértola.
Este evento, promovido pela Câmara Municipal de Mértola, e organizado pelo Clube de Futebol Guadiana, contou com a presença de 932 atletas, divididos pelas distâncias competitivas (45km, 28km e 15km) e ainda uma caminhada.
Prova certificada pela ATRP e integrante no Calendário de Provas do Circuito Nacional de Ultra Trail e Trail Longo para a época 2019/2020, e pontuável para a Taça Alengarve Trail.
Trilhos de Mértola
Para esta edição, a organização ofereceu aos atletas a oportunidade de desfrutar de novos trilhos.
O Ultra Trail e o Trail longo tiveram a sua partida no Pulo do Lobo, ex-libris do Parque Natural do Guadiana, desenrolando-se por trilhos que acompanhavam as margens do Guadiana até à Vila de Mértola.
O Trail Curto e a Caminhada, tiveram como ponto de partida nas Azenhas do Guadiana, desenrolando-se na zona envolvente a Mértola.
Este ano, fruto da parceria estabelecida entre a organização e o projecto “O Praticante.pt”, marquei presença no Ultra Trail em sua representação.

Viagem até Mértola
O Ultra Trail teve início às 8:00 no Pulo do Lobo. Com o intuito de levantar o dorsal, equipar, apanhar o autocarro e “absorver” o ambiente da prova, tive um despertar bem exigente. Acordar pelas 4:30, preparar-me e iniciar a viagem desde a Mina da Juliana (pequena aldeia do Concelho de Beja) até Mértola.
Viajei sozinho. A viagem de cerca de 60km desenrolou-se calmamente. Na companhia do rádio ia-me inteirando das notícias, mas no meu subconsciente ia o pensamento no desafio que tinha pela frente.
Os Trilhos de Mértola sempre foram uma prova exigente. Esta edição certamente não iria fugir à regra.

Chegada a Mértola
Estacionei facilmente junto ao Pavilhão Municipal de Mértola, local aonde estava localizado o secretariado e todo o “centro de operações” da prova.
Levantar o dorsal foi tarefa muito fácil. Seguidamente equipei nos balneários do pavilhão e, num ápice, estava pronto para ir para o autocarro.

Viagem para o Pulo do Lobo
Viajei na companhia do amigo Paulo Pinto Silva. Durante os cerca de 35 minutos que durou a viagem, tivemos oportunidade de colocar a conversa em dia. Falamos das provas já feitas, do nosso calendário de provas e, especialmente o que seria esta prova.
“Vamos partir do Pulo do Lobo? Hummm… algo me diz que vai haver dureza” – confidenciava-me o Paulo. Era a sua primeira vez em Mértola.
Eu, que ia para a minha quarta presença, dizia-lhe que poderia ter a certeza que sim. Que iria ter um enorme e gratificante desafio pela frente, mas que não pensasse muito. “Desfruta, aproveita e diverte-te” – foi o conselho que lhe dei.

E começa o desafio
Às 8:00 em ponto, deu-se o tiro de partida. 39 bravos atletas iniciavam o desafio de percorrer os 45km da distância do Ultra Trail.
Comparativamente com edições anteriores, esta distância teve menos aderentes, acredito que devido ao facto de ser uma distância que não se encontra inserida na Taça Alengarve Trail (apenas as distâncias de Trail Curto e Longo integram este troféu).

A minha prestação
Consciente das dificuldades que teria de enfrentar, e atendendo à experiência que tenho na gestão destas distâncias, optei por assumir algumas cautelas iniciais e “ver no que ia dar”.
Os primeiros 28km caracterizaram-se por um sobe e desce constante, com trilhos muito técnicos “desenhados” ao longo da margem do Guadiana. As dificuldades dos mesmos eram compensadas com paisagens estonteantes, de beleza ímpar.
Senti algumas dificuldades após o primeiro posto de abastecimento. Com apenas 12km percorridos as pernas teimavam em pesar e não estavam a querer acompanhar a vontade e determinação que estava a depositar na prova.
A partir do km16, senti uma “lufada de ar fresco”. Encontrei o melhor ritmo, as pernas começaram a “desenvolver” e, apesar das dificuldades que encontrei até à linha de meta, consegui gerir bem a prova e concluí-la em 7h e 29 minutos, para grande satisfação minha.
Balanço final
Os Trilhos de Mértola são indubitavelmente uma referência no mundo do Trail, atraindo atletas de diversos pontos do país, destacando-se também, a forte presença de atletas oriundos de Espanha.
Nesta edição podemos mais uma vez contar com magníficos trilhos, sinalizados de forma exemplar, com óptimos abastecimentos e com um staff de apoio que zelou de forma irrepreensível para que nada faltasse aos atletas.
Certamente voltarei em 2021
O regresso a Beja
Após confraternizar um pouco com bons amigos que felizmente fiz nestas provas, e em particular em Mértola, chegava-se a hora de regressar a casa.
A viagem de regresso foi diferente. Acedi a um pedido de boleia de um bom amigo – o José Canilhas, que havia participado no Trail Longo. Pedi-lhe que me falasse acerca da sua experiência. Ele anuiu.

Quem é o José Canilhas
José Canilhas, 52 anos, natural de Figueira de Cavaleiros, Concelho de Ferreira do Alentejo. Cresci no meio rural, daí a minha grande paixão por todo o tipo de actividades que possam ser desenvolvidas ao ar livre. Caça e pesca eram, contudo, as minhas actividades favoritas, mas andava sempre a mexer.
Mais tarde, e após ter constituído família, mudei-me para a cidade. As palavras “não tenho tempo” ou “não posso” passaram a fazer parte do seu vocabulário, tendo traduzido um sedentarismo à minha vida.
Pensei: “isto não pode ser, tenho de fazer alguma coisa pois estou muito parado”. Comecei por fazer pequenas caminhadas. Mais tarde, comecei a acompanhar um grupo de amigos que fazia umas corridinhas. Em boa hora o fiz, e agora já não posso passar sem este “bichinho”.

Fala-me da tua prova
Gostei muito do Trail Longo. Partir do Pulo do Lobo, aquele local tão bonito, foi mesmo espectacular.
Começamos logo com uma subida acentuada, o que provocou logo mossa e fez logo uma selecção nos participantes. A partir daí todos aqueles quilómetros de trilhos técnicos, o sobe e desce constante, os single tracks espectaculares…isto sim foi trail puro e duro!
Foi uma prova de grande qualidade em que a organização fez tudo para que nada nos faltasse.
Saí de Mértola com um grande empeno mas para o ano cá estarei. Esta prova é dura, mas não sou capaz de desperdiçar a beleza destas paisagens.
Página do evento.
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Texto: Abílio Xavier
Fotos: Cedidas pela organização e de Carina Sousa Fotografia



