À Conversa com… Isabel Caetano, uma Campeã
Força de viver e vontade de vencer, a primeira dupla feminina no Paraciclismo português em tandem, constituída por Isabel Caetano e Ana Silva descobre a força da destreza.
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Texto: José Morais – Noticias do Pedal
Fotos: Ana Silva e Isabel Caetano
Parceria: Notícias do Pedal – O Praticante.pt
Quem é Isabel Caetano:
Nascida em 1979, natural de Vieira de Leiria, Isabel Caetano é um nome incontornável do ciclismo feminino, o qual não podemos deixar passar ao lado.
Mãe, mulher, ciclista, a sua paixão é a bicicleta e o ciclismo, e apesar das dificuldades, fica sempre muito feliz por poder pedalar.
Com um grande palmarés na sua carreira:
Vencedora de 17 medalhas de ouro, em todas as vertentes do Ciclismo, foram 4 em estrada, 7 em Contra-relógio, 2 em MTB-XCO, 2 em Ciclocrosse, 2 em Pista.
Não podemos deixar de referir de que a ciclista tem 6 Títulos de Vice-campeã Nacional, 2 medalhas de Bronze, e muitas vitórias em diversas provas.
A sua sensibilidade, o seu bom senso, faz admirar a sua persistência, a forma como se dedica ao ciclismo feminino, fazendo dela uma grande Campeã portuguesa.
A sua carreira:
Iniciou-se nas pedaladas com 15 anos no Grupo Casa Malta na sua terra natal Vieira de Leiria, um ano depois inicia-se na competição no Núcleo Sportinguista de Leiria.
Passou depois por duas equipas em Espanha, o Clube Ciclista SPOL-Caixa Pontevedra, e pelo Clube Ciclista SPOL-Caixa Nova, onde disputou todas as provas do calendário Galego e nacional de Espanha, durante todo o tempo de ausência do Ciclocrosse no nosso país.
Entretanto em 2008 decide apostar e investir na sua evolução internacional, e ruma a França para integrar a seleção francesa da CSM-Epinay.
Tentou ter acesso ao calendário feminino francês, o amigo Duarte Pereira enviou-lhe o mesmo, e foi a França correr em Nantes, fazendo um 14º lugar, foi positivo, era o sonho correr a nível internacional.
A vida de ciclista:
Ser ciclista, e em especial ser mulher, nem sempre é fácil, já que não existem ciclistas profissionais femininas, terá de haver outra ocupação, estudar ou trabalhar, Isabel Caetano tinha o seu emprego, uma empresa de logística, que repartia com o ciclismo.
Levou um ritmo intenso mais de 17 anos, trabalhava, treinava, e competia, mais de 3 anos a fazer viagens entre Portugal e França, onde ia competir, muito desgastante, em especial o ficar longe da família, mas sempre feito com muito prazer.
O esforço valeu a pena:
Isabel Caetano confessa que aprendeu muito com a Seleção francesa, nos anos que andou por França.
O seu sonho era o de fazer parte de uma grande equipa feminina, com corredoras, técnicos e patrocinadores portugueses.
Poder ir correr na Europa, o que acontece com outros países fora da Europa, mas apesar do ciclismo feminino estar a evoluir em Portugal, com a chegada de ciclistas do Montan Bike, o nível de estrada melhorou bastante.
Mas deveria de haver mais participação no exterior da seleção, para se ganhar mais experiencia e ritmo.
Durante 21 anos, e o ser mãe:
Ao longo de 21 anos na sua vida, quantos da sua carreira, Isabel Caetano venceu tudo o que havia para vencer, sendo tantas vezes Campeã Nacional, porem na vida existem opções.
E uma das opções foi a se ser mãe há 5 anos, e decidiu deixar a competição, e o regresso à mesma nunca esteve nos seus planos para tão breve.
Mas tudo mudou, e como surgiu um novo projeto, de ideia da Ana Silva, avançou, e fez uma dupla especial de tandem.
Iniciaram-se assim as duas a andar de bicicleta, foram crescendo, e o sonho evoluiu de querer mais e muito mais, com a vontade de muita competição.
A dupla feminina do Paraciclismo português:
Isabel Caetano dizia, “A Ana Silva tinha entrado e contato com a Federação Portuguesa de Ciclismo, que inicialmente nos emprestou uma bicicleta de 2 lugares.
O selecionador nacional de Paraciclismo entrou em contato comigo, se estava na disposição de pedalar com a Ana, disse sim, e iniciamos assim a nossa aventura, o projeto da Ana.
Ela tinha saudades de andar de bicicleta, apercebeu-se de que não havia Paraciclismo para deficientes visuais em Portugal, e em poucos meses formamos a dupla inseparável.
Começamos a treinar afincadamente, e começamos a competir a nível nacional, e entramos assim num projeto, em que a Ana tem sido muito feliz, não estando a encontrar dificuldades para já”.





