AFONSO EULÁLIO, SENHOR DA CAMISOLA BRANCA

Afonso Eulálio

Foto: Team Bahrain Victorious

O ciclismo português ganhou este sábado mais um capítulo dourado da sua história. Afonso Eulálio assegurou a conquista da camisola branca da juventude no Giro d’Italia, terminou no sexto lugar da classificação geral e confirmou-se como uma das grandes revelações do ciclismo mundial.

Aos 24 anos, o corredor da Bahrain-Victorious junta o seu nome aos maiores feitos nacionais na prova italiana. Depois de ter vestido a camisola rosa durante nove dias, o figueirense chega a Roma com a certeza de que protagonizou uma edição memorável da corrida mais apaixonante do calendário transalpino.

Mais do que um resultado, foi a confirmação de um talento que resistiu à pressão, às montanhas e ao desgaste de três semanas de competição ao mais alto nível.

Fonte: Helena Santos

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Afonso Eulálio
Foto: OPraticante.pt

Piancavallo abriu-lhe as portas da história

A 20ª etapa apresentava-se como o último grande obstáculo. Duas passagens pela temível subida ao Piancavallo prometiam decidir a luta pela camisola branca e Afonso Eulálio partia para a jornada com apenas 1.03 minutos de vantagem sobre Davide Piganzoli.

O português sofreu, resistiu e acreditou.

Na primeira ascensão passou discretamente, sem entrar em excessos. Na segunda, quando as inclinações começaram a fazer estragos e os rivais mostraram sinais de quebra, Eulálio revelou a maturidade e a capacidade de sofrimento que marcaram todo o seu Giro d’Italia.

Quando Piganzoli cedeu perante a dureza da montanha, o sonho começou a ganhar forma.

Afonso Eulálio
Damiano Caruso e Afonso Eulálio
Foto: Team Bahrain Victorious

O papel decisivo de Damiano Caruso

Ao longo das três semanas da corrida, houve um homem que nunca abandonou o lado do português, Damiano Caruso.

O veterano italiano foi um dos pilares da campanha histórica de Eulálio e mereceu palavras emocionadas no final da etapa.

“Caruso não me ajudou só hoje, foram as três semanas no Giro, as três semanas anteriores. Não foi de agora. Isto é de todas as pessoas que me rodeiam, que acreditam em mim mais do que eu próprio.”

Num dos momentos mais difíceis da subida final, o português chegou mesmo a aconselhar o colega a seguir sozinho.

“Antes da última subida, disse ao Damiano que estava melhor do que eu, que podia ir, que não ia ter um dia bom. Ele disse-me que ficava comigo até ao fim, acontecesse o que acontecesse. Isso deu-me muita confiança.”

Foi uma demonstração de espírito de equipa que ajudou a construir um dos maiores sucessos da carreira do jovem português.

Afonso Eulálio
Foto: Team Bahrain Victorious

Um ataque para selar a glória

Mesmo depois de perceber que a camisola branca estava praticamente assegurada, Afonso Eulálio recusou limitar-se a defender.

No último quilómetro atacou, deixando para trás vários adversários diretos e cortando a meta num brilhante sétimo lugar.

O resultado permitiu-lhe confirmar o sexto posto da classificação geral, terminando a apenas 9.39 minutos do vencedor Jonas Vingegaard, e conquistar definitivamente a classificação da juventude com 1.13 minutos de vantagem sobre Piganzoli.

Afonso Eulálio
Foto: Team Bahrain Victorious

Entre os maiores portugueses de sempre

Com este resultado, Eulálio entra diretamente para a galeria dos grandes nomes do ciclismo nacional.

O corredor da Bahrain-Victorious torna-se apenas o quarto português a terminar o Giro d’Italia no top-10 da classificação geral, juntando-se a João Almeida, José Azevedo e Acácio da Silva.

Entre todos os portugueses que participaram na corrida rosa, apenas João Almeida conseguiu um resultado superior, graças ao histórico terceiro lugar alcançado em 2023, edição em que também venceu a camisola branca da juventude.

Agora, três anos depois, surge um novo nome para dar continuidade à tradição portuguesa nas grandes voltas.

Afonso Eulálio
Foto: Team Bahrain Victorious

“Nunca me vou esquecer deste Giro”

No final, a emoção falou mais alto.

“Estava um pouco nervoso. Dormi bem, mas o dia de ontem foi muito, muito duro. Não vinha muito confiante, mas as pessoas diziam-me que ia conseguir.”

E quando chegou o momento de resumir três semanas de sonho, as palavras saíram carregadas de sentimento.

“Nunca me vou esquecer deste Giro. Vai ficar sempre nas minhas memórias. É impossível esquecer.”

A frase mais marcante surgiu logo depois.

“Há momentos em que pensava que ficar no top-10 já era uma coisa do outro mundo. A verdade é que fazê-lo é muito duro. Eu fui sexto com a camisola branca e vesti de rosa… Não sei que diga. Nunca mais me vou esquecer deste Giro.”

Afonso Eulálio
Foto: Team Bahrain Victorious

O Giro que mudou uma carreira

Há corridas que se disputam.

E há corridas que transformam vidas.

Afonso Eulálio chegou a Itália como uma promessa. Sai de Roma como uma certeza.

Vestiu a camisola rosa durante nove dias. Conquistou a camisola branca. Terminou entre os seis melhores da geral. E subirá ao pódio final da mais prestigiada corrida italiana como o melhor jovem da prova.

Um feito extraordinário.

Um momento histórico.

Um Giro d’Italia que ficará para sempre gravado na memória do ciclismo português.

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